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Mostrando postagens de Outubro, 2018

O MAPA e a rota do coração

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Existem mapas externos que guiam rotas. Estes que a gente desfralda para percorrer o desconhecido.

Existem mapas internos que apontam rumos. Estes que a gente necessita rever e refletir todo tempo.

Existem MAPAs exames que mostram como o corpo reage à tudo o que a Vida faz em nós e o que fazemos com ela.

Venho de uma família de hipertensos por um lado. E de outro lado meu DNA se divide entre pessoas zens que sofreram de câncer e  pró ativos que vivem muito com boa saúde, fora os que morrem nas revoluções.

Saber a herança genética não deve ser como uma foice te apontando o inevitável, mas como um ponteiro que te previne e alerta para que tomes providências.

Fazer exames periódicos com cardiologista vascular faz parte dessas precauções. E um dos exames que revela como anda a circulação do sangue é o tal de MAPA que mede a pressão durante um dia inteiro.

Além do incomodo do bip alertando que o aparelho vai funcionar e ter que parar tudo o que está fazendo para deixar o braço parado, tem aquele…

O amor é um ato político

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Das vezes em que se amaram perdera a conta.  Das que discutiram também.
Ela doce como as meninas bem educadas.  Ele desde sempre questionador.
Se cruzaram depois das Diretas que levou de roldão um país já desacostumado a escolher seus destinos. Tecnicamente era ainda tempo de romper amarras.
Ela doce como as meninas bem criadas ia à passeatas enquanto alardeava certezas. Ele desde sempre indagador corria atrás da vida que sobreviver é o maior dos questionamentos.
Eram tempos de fartura, do tal de plano Cruzado, onde o país parecia se encontrar.
Nos intervalos se amavam.
Se amavam e se digladiavam como adversários que respeitosamente se estudam.
Se amavam como bichos que escutam a voz do universo e suam pelos poros, pela alma, pela calma das horas de amor.
O tempo corria e eles se conheciam.
Ela doce como as frutas já no ponto não se encantou pela promessa do caçador de Marajás. Ele em tudo trabalhador viu no bom moço uma alternativa mais viável ao sapo barbudo sem terno.
Ela doce como nunca quase o …

A fêmea que se descobre

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Em algum lugar de sua mente e corpo explodiram sensações desconhecidas, mas não totalmente.
Sabia que já eram marcas em sua memória de algum tempo que talvez ela não fosse ela, mas alguma parte de outra mulher, um pedaço de lembrança, uma coisa que marca tanto que nunca mais sai de cada pedacinho do corpo ou da energia da alma.
Como ela, várias outras, passaram por estas terras de Deus, sendo burro de cabresto, sendo alvo de perseguição, sendo glorificada como santa, sendo xingada de puta. Vários rótulos, nunca ela mesma. Ela e elas que se sabiam apenas humanas. Falhas e cheias de vontades.
Vontades sufocadas. 
Vontades arejadas de tempos em tempos.
Vontades escondidas.
Vontades tão claras e tão intensas que assustavam aos que, em redor, as temiam como coisa do Diabo.
No tempo das Deusas devia ter sido diferente. Havia de ter sido diferente. Queria muito que tivesse sido diferente. 
Um tempo em que não precisasse provar nada. Nada sufocar. Nada fazer que não fosse de seu desejo.
Onde abrir as …

Tenho alma de Cassandra

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Das coisas mundanas e humanas tenho fé tenho esperança que caibam voragens que sobrem estrelas que nada embolore a alma a calma a paz.
Tenho dias de explosão tenho dias de quietude tenho sonhos de solidão tenho desejos de juventude
Tenho tanto e tão pouco que mal me cabe a danada da esperança tenho alma de Cassandra
As pedras do caminho são pedras, são pedras, são pedras Me dificulto bani-las São cortantes São rolantes São brutas São 
As rosas que são rosas apenas rosas As rosas acenam As rosas exalam As rosas são fenix
Os mitos não me fascinam Não acredito em gurus Não me sinto no rebanho o humor me salva O humor me transborda
Sei rir de mim Sei rir em conjunto Sei ser feliz sozinha Sei ser feliz acompanhada
A liberdade me acompanha Nos acompanha Nos revigora Nos torna diferentes
Nada nos domina Muito menos o garrão O ódio do egoísta O egoísmo

A leitura e a fé e o mundo que almejo

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A leitura me pegou de cheio desde cedo.

Devo avisar, por que nos dias brutos em que vivemos a sutileza deixou de ser entendida e as coisas tem que ser ditas com a maior clareza. Então para que me conheçam: sou mulher, acima dos 60, branca, hetero, burguesa e venho de família católica. Estudei em escolas públicas e particulares. Passei no vestibular depois de fazer cursinho, aos 17 anos. Comecei a trabalhar aos 23 anos, mais por vontade de aprender do que por necessidade material. 

Mesmo assim, bem desenhado, tem muitos de descuidam de ler e já vem te tachando de tudo quanto é rótulo que encontram em seu vocabulário, abundantemente abastecido não pelos livros, mas pelos whatsapp dos amigos e até de desconhecidos. Além de colocar palavras como se fossem da Lispector e do Caio Abreu, e se ainda fosse boa literatura, até que eles iam gostar. Mas em geral são auto ajuda...Algo como colocar uma assinatura de Picasso em um Romero Britto. Outros ainda mandam vídeos de ilustres desconhecidos …

Desabafo

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Era a maldita da paciência que faltava.

Não era de hoje. Já tinha mais de década.

Aquela guria que olhava o mundo com olhos de alegria começou a morrer em uma ambulância que corria a noite de sua cidade, meio dividida entre rezar para um Deus para o qual não se ajoelhava ou manter a sanidade para tomar decisões e fazer de conta que a vida seguia seu rumo.

Das pessoas com quem contava para segurar sua mão, algumas vieram. Não todas. Sobrou para ela ser forte.

Dali em diante foi uma rotina de UTIs, médicos, equipes de saúde. Conviveu com parentes e amigos em salas de espera do inevitável. Viu pessoas desistindo da vida e morrendo. Aprendeu a reconhecer o estado de seu parente preso à máquinas, pelo olhar do fisioterapeuta .

Rezou. Rezou com toda a força de sua alma que quando a morte ameaça todas as crenças se voltam para o sobrenatural.

Descobriu que a vida se faz de momentos. Uma noite de sobressaltos, esperando um telefone mas torcendo para que não viesse.

Cada pequena vitória valor…