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Mostrando postagens de Novembro, 2015

Vibrando em afinidade - focando no que nos aproxima

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Uma vez, muitos anos atrás, li uma frase que me impactou. Dizia mais ou menos assim sobre as manchetes de violência que se liam nos jornais: Triste o dia em que as boas ações sejam manchete. Será sinal de que deixaram de ser normais e passaram a ser exceção.

Pois não é que esses dias chegaram. Hoje as manchetes que nos chamam mais a atenção falam da bondade mais que do cinismo. Mais da generosidade que do egoismo. Parecem tão inusuais!

Teremos chegado àquele ponto em que embrutecemos? Quando foi que as boas ações passaram a ser atos que deixaram o limite da normalidade? Onde deixamos de focar no lado positivo da vida para nos ater ao que nos distancia dos outros seres humanos?

Problemas sempre existiram. Eu, na minha curta vida em termos históricos, embora longa para mim, me lembro de várias crises. Pontos de desesperança na economia, pontos de medo na vida mundial. Cresci na guerra fria(**), eu tinha medo que houvesse uma cisma entre o americano de plantão e o russo de então, que um ou …

Snaps da solidão

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Gente sozinha gosta de falar muito. Eu tinha uma conhecida que morava só, já com muitos anos de estrada, que mal me via despejava toda uma torrente de fatos que lhe tinham acontecido. Eu, na pureza dos anos tenros, achava meio cansativo.
Não me levem a mal. Não era má vontade de escutar. Era cansaço no ouvido. Eu tinha que fazer um exercício de meditação. Desligar o áudio, descansar o ouvido e mente para que pudesse restar um pouco de sanidade.
Mas isso foi obviamente antes da era das redes sociais e smartphones. Hoje a inundação de informações, relevantes e nem tanto, abobrinhas e mesquinharias, belezas e sensibilidades são jogadas sobre nós a uma velocidade estonteante. 
Já não nos basta navegar, encontrar amigos, postar nossos sonhos, comidas e atos. Não. Queremos atenção. Queremos curtidas. Queremos ser ouvidos.
No início da era das redes sociais, era tudo tão libertário. Uma nova realidade onde todos poderiam estar conectados. Pelo menos todos os que pudesse pagar por isso. Mas não h…

Meu primeiro assédio

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Impressionantes os relatos que tenho lido de mulheres de todas as idades e posições sociais com a hashtag "meuprimeiroassedio" (ou também #primeiroassedio). O que mais me impactou não foram apenas os relatos, mas a quantidade e "coincidência" de atos. 

Fica escancarada a permissão para que os "machos" se sintam a vontade para cantar, passar a mão, expor seus desejos, gritar suas vontades, como se as mulheres, não importando a idade, estivessem ali apenas para satisfazer os seus instintos.

Mais cruel é ver como homens dito adultos, alguns com fama e talvez com algum tipo de educação formal, se sintam a vontade para expor a sua falta de empatia com as mulheres que foram vítimas e que se armaram de muita coragem para expor isso publicamente.   

Sim, é preciso coragem para expor algo que deveria envergonhar quem praticou, não quem sofreu. Isso mostra o quanto essa cultura que tudo permite aos homens é cruel. Meninas aprendem desde pequenas que devem se esconder,…