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Mostrando postagens de outubro, 2019

Quando as histórias secaram ?

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Andava em uma montanha russa na frente da sua máquina de escrever. Ia ao fundo de si, e saia voando, juntando letras borradas com lágrimas e sorrisos. Mas naquela manhã pálida,olhava-se no espelho, com um olhar diferente. Amanhecera sem uma história para contar. (Adriana Mayrinck)     O vazio. Era um pouco diferente do branco que, como aprendemos na escola, é a  junção de todas as cores do espectro. Quem dera dentro dela germinassem milhares de vozes, dezenas de sentimentos, algumas perguntas que levassem à elaborações mais ou menos complexas. Em vez disso, apenas o vazio. Lembrou a infância para ver se, catando as peças do passado, pudesse reencontrar certezas esquecidas. Mas as memórias ficavam lhe olhando como se fossem velhas fotos desbotadas, que mesmo com roupagem de novos filtros tecnológicos, parecessem apenas velhinhos em roupas que não mais lhe cabem nas festas de faz de conta em que somos todos felizes, só que não, dos dias atuais. Não era pena. Não era nem depressão

Leio poesia em um mundo em chamas

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E como tudo o que é farto e não sacia Tropeço nos raios de sol, ofuscada pelos ecos que ficaram. Sede- Adriana Mayrinck O mundo em chamas  e eu leio poesia. Acordo, meio entorpecida da noite insone com sonhos oníricos,  quase porém reais em suas impossibilidades Reação imediata: Conexão Saudade dos tempos em que só acordava e olhava o sol ouvia pássaros e lia jornais que eram tão atuais Hoje acordo assustada por vezes apenas irritada são guerras de informações,  ganha quem lacra mais Prender; fechar ou fixar alguma coisa por completo uma vez era significado de lacrar Hoje o mundo pega fogo literalmente jornadas de descontentamentos é daqui, gritam uns é dali, vociferam outros Analistas tecem complexas teorias para explicar o inexplicável o imponderável o estopim O mundo é um barril fervente E eu leio poesias Natureza do que é inspirador e comovente: a poesia do carinho fraternal leio sobre o que significa a poesia.

Game over

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Tem um tempo em que tudo se aclara mesmo as trevas Sabe aquele momento que você tem evitado faz anos achando que dá para administrar. Mas só que não. De repente ele fica cristalino, feito relâmpago cortando os céus na escuridão? Não dá para não ver? Pois é, tempo de game over. Ou se dá , ou se desce. Desci. Quantas vezes passamos por isso na vida.  Momentos em que o amor próprio fala mais alto. Em que não dá mais para segurar. Em que não vale a pena a relação custo-benefício. Chegou. Basta. Fim. Game over. Fim de jogo. C'est fini. Lindo em francês. Este idioma que sempre tem a capacidade de tornar tudo mais suave. Mesmo as guilhotinas da vida.  Não sei vocês, mas eu tenho um problema em relação a terminar coisas. Abrir mão. Mesmo que não mais significativas. Talvez meu sentimento de ser responsável por tudo. Por todos. Menos por mim. Os tempos de madureza são cruéis. Carecem de sutilezas. Às vezes necessitam de durezas que nem se

Onde me levam meus passos

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Quero voltar para casa Repetem suas mantras sem parar nossos velhos Uma casa que lhes pertencia um mundo onde eram ágeis produtivos Respeitados Uma casa onde seus/nossos passos faziam sentido Tinham pais e mães tinham futuro em frente não apenas um passado nem um presente cada dia mais penoso Quero voltar para casa Essa de agora não reconheço Não me pertence mais Meu amor se foi meus filhos partiram minhas mãos já não servem para fazer nada eu me perdi de mim quero voltar lá onde tudo era sol Meus passos me levam a um fim que já não quero ver que talvez não queira adiar meus passos/nossos passos o passo de cada um de vocês leva a um mundo desconhecido que no fim se caminha só todos os sonhos tudo o que conquistei meus bens imoveis  nada mais meu Por mais que me digam não acredito de que vale ter dinheiro se meus bens mais preciosos se foram? As pessoas que conheço partiram Fiquei eu Cada dia mais s

só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido

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Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido. Fernando Pessoa Amar a vida porque é fugidia. Quando menos esperamos vem o destino, as escolhas, a Moira, seja lá o que acreditamos, cobrar seu preço e nos ceifar esperanças. Nossa vida tem dias contados. Não importa se amanhã ou daqui 50 anos. Um dia nossa hora chegará e nos encontraremos conosco. Não esqueço o suspiro do meu pai quando me despedi dele, foi como se reconhecesse que era hora enfim de parar de lutar. A luz que nos envolvia no momento me reconfortou. Espero com todas as forças que ele também a tenha sentido. Não sei o que pode nos consolar ao encontrar a porta da saída dessa nossa existência. Só quem passou por isso pode dizer, Nem todos voltaram. Uns dizem que enxergam um filme da vida. Outros uma imensa luz que traz paz. Há inúmeras explicações, tanto cientificas como esotéricas. Cada um de nós acredita na que melhor lhe explica. Ou reconforta. Esses dias escutei um áudio que