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Contadora de histórias

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Se desse para arrancar, este grito ganindo,  já o teria feito
Se desse para lacerar esta ânsia de fuga já teria partido
Se desse para esquecer fazendo de conta que portas não se abriram já as teria esquecido
Se desse para não viver arrancando a angústia à fórceps Nem teria nascido....
Tinha sido parida em um dia de nada acontecido.  A luz primeira vinda ao mundo nessa que era em tudo uma buscante. Não era deste mundo. Não deste que valorizava as espertezas e as maquinações. Viera parar aqui por engano.  Cegonha com endereço errado.  Átomos soltos no universo que foram capturados em um momento de supremo gozo.  Destino. Escolha...
Por certo algum propósito havia já que ela desde sempre fora misto de animista e humanista. Tocadora de quimeras, com tendências ao místico pragmático, aquele que mistura ciência, pseudo pesquisa e surrealismo. Agora lera que a vida se fazia dos contadores de histórias. Contaria a sua.

Das versões que houvesse sobre ela, que a sua prevalecesse.  A verdade verdadeira é s…

Abrir portas exige escolhas

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Estava aqui, a toa na vida, não para ver a banda passar, mas esperando a inspiração chegar.
Segundas feiras tem desses mistérios de amortecer os sentidos. Mesmo quando o fim de semana não é vibrantemente agitado, e talvez até em função disso, eu já me pego acordando tipo assim cansada. De corpo mas mais de alma.
Mas eis que vejo uma figura com uma pergunta, dessas tipo filosóficas de redes sociais.

Não sei vocês, mas eu abriria sem hesitar a porta azul. 
Não que eu não quisesse os R$ 10 milhões, mas de jeito nenhum daria 10 anos de minha vida por eles. Já estou naquela fase em que tenho menos tempo para a chegada que para o ponto do começo. Cada minuto é precioso e vale muito mais que cifras de dinheiro, por mais tentadoras que sejam. Então a porta amarela é descartada de cara.
Viajar pelo mundo seria maravilhoso. O resto da vida não sei. Quanto mais a hora de acabar a jornada se aproxima, mais sinto falta das raízes. Então a porta vermelha, por mais tentadora que seja, também é descartada…

Das eleições

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"Não é tu na foto!!!" Me disse o mesário em minha primeira eleição. Realmente aquela guria mais gorda e séria da foto, com uma roupa listrada esquisita, em nada parecia com aquela outra, mais magra, mais bronzeada que dentro de uma calça branca justa e camuflada nos cachos de uma permanente, usava aquele título pela primeira vez para votar para governador. Presidente ainda iria demorar mais uns 4 anos. 
Tirei meu título de eleitora aos 18 anos. Morava ainda em Brasília. Fui usá-lo 10 anos depois já em Porto Alegre.

Ainda era o tempo em que votar me emocionava, me sentia mudando algo. Era mais jovem e idealista.

Da minha vida com obrigação de votar, 29 vivi como opositora ao governo. 10 deles em uma ditadura.

Nesse meio tempo vivi porque a vida segue apesar de. Era mais doído nos tempos de mordaça mas nunca abdiquei do direito de criticar e discordar. Mesmo nos governantes em que ajudei a eleger. Criticar é um direito que não abro mão. Fazer a DR da relação a solidifica. Aí dos go…

O homem que coçava a orelha com um grampo

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Entrou no Uber. Pensou consigo mesma que não se faziam mais aplicativos como antes. Não mais os veículos pretos, com gente engravatada e cheia de mesuras. O motorista vestia bermudas. A rádio gritava as fofocas da novela. O carro já tinha visto dias melhores, a limpeza também. Mas a pressa era tamanha e a promoção que a fazia viajar de graça compensava tudo. Até achou graça quando, depois de espirrar pela janela, o motorista pegou um grampo e limpou a orelha...

Cara! Nunca tinha visto nem um taxista daqueles táxis bem horrorosos fazer isso. Limpar a orelha com um grampo! Nem grampo se usava mais. Mas nestes tempos de surrealidade aquilo foi apenas um toque a mais.

Se armou de bom humor porque nada ia empanar dentro dela a capacidade de ser simpática. Falou do tempo, da vida, do futebol. Deixou de lado os assuntos mais espinhentos porque sua natural diplomacia, aliada à sabedoria de décadas de vida, muitas vividas em uma ditadura, lhe ensinaram que nem tudo se fala abertamente.

E nem as c…

Recomeçando

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Recomeçar. E recomeçar de novo. 1943234160 segundos desde que os abriu pela primeira vez nesta Terra de tantos desafios.
Abrir os olhos tem um significado bastante peculiar. Pode exprimir o ato físico de mover as pálpebras e permitir a sua lubrificação. Mas também pode aludir à uma abertura de mente mais ampla, além do físico.
Tantas e tantas vezes abriu os olhos de maneira marcante. Alguns com um estalo gritante. Outros mais suavemente, mas sem saída.
Hoje abriu os olhos com uma ponta de recomeço. Talvez saindo de tempos tenebrosos onde suas forças internas entraram em tal conflito que paralisaram.
Tentou de vários modos lidar com isso. 
Apelou para a força de vontade. Para suplementos energéticos quando as pernas teimavam em não obedecer. Foi aos médicos para examinar as tonturas que a faziam perder as forças e a garra de ir em busca.
Tomou passes. Rezou. Leu. Escreveu.
Fez apelos mudos nas escrita revelando que o ponto de não retorno estava próximo, quase ali. Que se fosse mais corajosa i…

O MAPA e a rota do coração

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Existem mapas externos que guiam rotas. Estes que a gente desfralda para percorrer o desconhecido.

Existem mapas internos que apontam rumos. Estes que a gente necessita rever e refletir todo tempo.

Existem MAPAs exames que mostram como o corpo reage à tudo o que a Vida faz em nós e o que fazemos com ela.

Venho de uma família de hipertensos por um lado. E de outro lado meu DNA se divide entre pessoas zens que sofreram de câncer e  pró ativos que vivem muito com boa saúde, fora os que morrem nas revoluções.

Saber a herança genética não deve ser como uma foice te apontando o inevitável, mas como um ponteiro que te previne e alerta para que tomes providências.

Fazer exames periódicos com cardiologista vascular faz parte dessas precauções. E um dos exames que revela como anda a circulação do sangue é o tal de MAPA que mede a pressão durante um dia inteiro.

Além do incomodo do bip alertando que o aparelho vai funcionar e ter que parar tudo o que está fazendo para deixar o braço parado, tem aquele…

O amor é um ato político

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Das vezes em que se amaram perdera a conta.  Das que discutiram também.
Ela doce como as meninas bem educadas.  Ele desde sempre questionador.
Se cruzaram depois das Diretas que levou de roldão um país já desacostumado a escolher seus destinos. Tecnicamente era ainda tempo de romper amarras.
Ela doce como as meninas bem criadas ia à passeatas enquanto alardeava certezas. Ele desde sempre indagador corria atrás da vida que sobreviver é o maior dos questionamentos.
Eram tempos de fartura, do tal de plano Cruzado, onde o país parecia se encontrar.
Nos intervalos se amavam.
Se amavam e se digladiavam como adversários que respeitosamente se estudam.
Se amavam como bichos que escutam a voz do universo e suam pelos poros, pela alma, pela calma das horas de amor.
O tempo corria e eles se conheciam.
Ela doce como as frutas já no ponto não se encantou pela promessa do caçador de Marajás. Ele em tudo trabalhador viu no bom moço uma alternativa mais viável ao sapo barbudo sem terno.
Ela doce como nunca quase o …