O custo do cuidar: uma conta que ninguém fecha por inteiro
Nunca esqueci o dia em que fiz meu primeiro exame MAPA. Aquele que mede a pressão de quinze em quinze minutos, dia e noite. Planejei tudo para que o dia fosse tranquilo. Não foi. De repente me vi em em uma ambulância a mil por hora com seu pai com uma hemorragia gastro esofágica, entrando numa UTI e a gente passando a primeira noite em claro, rezando para o telefone não tocar. Com um aparelho no braço apertando meu próprio sangue enquanto aparelhos monitoravam o dele. Essa é a imagem que me ficou gravada como emblema do que é cuidar de pais que envelhecem. A gente cuida dos outros enquanto esquece o próprio corpo. Literalmente. Meu pai foi um homem que planejou o futuro com a seriedade de quem aprendeu cedo que a vida não deve nada. Filho de uma viúva de 24 anos com quatro crianças, ele sabia que estabilidade não cai do céu. Concurso, previdência, seguros de vida, saúde cuidada. Genética boa, cuidados corretos. Eu quase acreditei que seria quase imortal. A gente sempre acha isso dos pa...