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Cada um está sozinho por trás de sua máscara

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  Esta frase me pegou em um livro chamado "História da Solidão e dos Solitários". Não foi uma busca, foi ressonância. Daquelas que batem no peito e no intelecto. A solidão me encanta e simultaneamente me traz inquietude, aquela sensação de estar tocando algo que permanece fundamentalmente intraduzível. Um tema que me atrai pela complexidade de navegar entre a essência individual e o papel social que desempenhamos, como atores que um dia esquecemos que estavam em um palco. A obra de Georges Minois é um livro de fôlego, quinhentas e tantas páginas daquelas que exigem presença, não daquelas que se leem deitadas antes de dormir na esperança de dormência rápida. Folhear esse estudo sobre a solidão desde os primórdios da humanidade revela padrões que as religiões gravaram fundo na psique coletiva: moldaram não apenas costumes e cultura, mas a própria textura do sentir e do fazer das pessoas. Aqui está a maravilhosidade do trabalho histórico, quando ele mostra que nossos medos não s...

das pausas necessárias na vida

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  da pausa do cafezinho necessário para acordar acordar para a vida amolecida pela necessidade de performar de ser  não, de parecer ser o teclado misto de velho e com teclas que não funcionam meio eu meio nós um gole e chico na tv uma pausa e um olhar na janela o bip do celular não olho ouço sons da rua experimento voltar a escrever por instinto sem ajudas de inteligências que me exasperam ajudam sim já não vivo sem elas mas também necessidade de ter espaços meus café acaba na xícara chico para de cantar comerciais para quem não paga respiro, fungo, existo me percebo tato, paladar, olfato, visão sentidos presentes ainda estou aqui

Terceirizar o cuidado, mas não o afeto

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Vivemos tempos estranhos. Somos criados para ter valor e propósito em uma sociedade que nos premia pelo que produzimos. Mas que também nos cobra quando nos julga inúteis para o sistema. O que fazer com os velhos que estão lentos demais, caros demais, dão trabalho demais? Coloca-los em nichos de vitalidade onde vão consumir no que se chama de economia prateada. E/ou terceirizar o cuidado dos que exigem mais atenção. O senão de tudo isso é que vamos dando uma lição amarga para as crianças e jovens: o ensinamento de que ficar velho é ruim. Que depender de cuidados é vergonha. E com isso há uma hiper valorização de uma juventude de aparência e adultos que têm pavor do futuro. O que vemos são muitas pessoas que crescem com competência profissional, mas emocionalmente despreparadas para lidar com fragilidade. E quando a velhice chega, tanto a deles como a dos outros, muitas pessoas acabam fugindo, não por maldade, mas porque não sabem lidar com o cuidado do que não produz. As pessoas raciona...

Certos dias

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  Certos dias nem deviam existir Deviam passar batido/moído de liquidificador Não marcar presença Nem querença na vida inteira da pessoa MAS NÃO Tem dias que se instalam  posseiros nas profundezas do querer da alma. Ficam ali quietinhos/matreiros esperando a ocasião de fazer presença. Incomoda presença gritando  bulindo como visita indesejada. Vai! dizemos Fico! grita  mal educado como todo sentir doído Fico porque finquei bandeira delimitei fronteira queimei saídas  Fico e alfineto quando me dão voz e vez

Repensando o que aprendemos sobre ser idoso

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  Um amigo compartilhou comigo esta postagem em uma rede social que mostrava u ma campanha que redesenha o símbolo das vagas para idosos. Sabe aquelas que antigamente mostravam a clássica figura curvada, de bengala? E que hoje já mostram um 60+? Pois a campanha foi além e mostra pessoas cheias de vitalidade em diversas atividades. O objetivo era simples: provocar reflexão sobre o envelhecimento. Mas bastou abrir os comentários para perceber o tamanho do nó que ainda existe quando o assunto é envelhecer. Entre os comentários, dois pontos de vista chamaram minha atenção. Um, mais raro, onde uma usuária dizia: “Estar ativo não elimina limitações. As vagas preferenciais são reconhecimento da vivência, não prêmio por fragilidade. Mostrar idosos ativos valoriza a vitalidade sem deslegitimar direitos”. E outros, que simbolizava a maioria, retrucava: “A vaga é por dificuldade de mobilidade. Não é prêmio por vivência.”  Parece um detalhe pequeno, mas é, de certa maneira, um ...

Mergulhos

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  Quantos momentos insanos - resolvidos ou não - abriram fagulhas de solidões -tão eternas- escondidas em couraças de medos - atrozes/ancestrais - A vida fugia / ela via as portas abertas fechava porque latiam feito cães enfurecidos. As dores que moravam em sua alma eram eternas companheiras de lares antigos  Doía Ela não queria ver Se arrebentasse as trancas a corrente afogaria Andei pelo mundo.  Vi planícies e meus pés rotos caminharam em círculos. Sem destino A vida foi me levando em sua algibeira de couro e ouro. Andei pelo mundo e vi sorrisos e lágrimas. Senti ódios e amarguras. Repositórios de olhares.  Sábios alguns Tolos muitos Corri montanhas/respirei agruras Vivi pouco. Mas muito Se me fosse deste mundo Agora Não deixaria rastros Meus pés percorreram areias e águas Mergulhei Tinha feitos de mangaba Cheirava doce e amarga feito limonada sem açúcar que vira chocalho de gente moça Perdição de alma trancada Tinha olhos de mormaço de dia quente malemolente secur...

Museu dos velhos - repensando conceitos

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O envelhecer em nossa sociedade vem acompanhado de uma série de ideias e imagens que vão sendo ensinados desde a infância. Sabe aquela imagem fofa das crianças aprendendo a ter empatia com os vovôs e vovós? Pois é, como eles representam estes bons velhinhos? Com cabelinhos brancos, coques, bobies nos cabelos, bengalas e todo um aparato de fragilidade que apenas reforça o conceito de que envelhecer é enfraquecer.  Existem pessoas idosas frágeis? Obvio que sim. Assim como existem crianças, jovens e adultos frágeis. Doenças, fraquezas, imobilidade acometem pessoas de todas as idades. Se olharmos muitos de nossos velhos na sociedade de hoje vamos ver gente fazendo exercícios, trabalhando, viajando, cuidando de outras pessoas, inclusive de crianças. A longevidade vem se tornando uma conquista em quase todas as classes sociais.  Também é obvio que quando falamos de pessoas idosas, existem diferenças econômicas, genéticas e de oportunidades. É preciso que se repense a sociedade para ...