Atalhos
Seguia pela estrada com um rumo que era mais guiado pela bússola interna do que pelos mapas ou modernos gps. Nestes últimos confiava pouco. Já a tinham metido em algumas enrascadas. Modernidades, sorria consigo mesma como se fosse saudosista. Longe disso. Era das que adoravam tecnologias e as experimentava desde cedo. Mas nunca em total profundidade. Eram como na sua vida, experimentações e não abismos. Sabia que, se focasse em algo, até poderia dominar com maestria. Mas como aquela velha decisão infantil, pensava, para quê? Para que seguia pela estrada com rumo guiado pela bússola interna? Porque sua essência pedia um algo que ela ainda não decifrava com profundidade. E clareza. Apenas seguia. De quando em vez tomava um fôlego. Um gole d'água. Um refresco. Uma alegria aqui. Uma lágrima acolá. Um cansaço frequente. E a eterna melancolia que sempre era sua companheira de vida. Tinha saudades. Saudava um tempo passado. Saudava ausências e temores. Saudava possibilidades e realidades ...