Entre o cuidado e o excesso
Eu costumava dizer brincando que devia existir um manual para fazer mães obedecerem às filhas. E vejo que é um sentimento bem comum aos filhos e filhas que cuidam de seus pais. Ou que se preocupam com eles quando ficam mais velhos. Fico imaginando aqui um diálogo imaginário entre mãe e filha. O cenário: mãe já com mais de oitenta anos, fazendo birra porque não quer tomar os seus remédios. A filha com cinquenta, atarefada entre o trabalho, o marido e os filhos tentando que ela siga as orientações médicas. A mãe fazendo uma careta quando a filha estende os comprimidos: Não vou tomar isso agora. Diz a mãe com ar de fim de papo. -Vai, mãe. -Depois. Ela olhando a filha com aquele olhar matreiro de sempre. -Depois quando, mãe? A mãe cruza os braços. E a filha reconhece o gesto na mesma hora. Afinal, tinha passado boa parte da adolescência fazendo exatamente isso. -Estou pensando no teu bem, diz a filha já com aquela voz condescendende. A mãe sorri de lado. E dispara: -E...