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Mudança que urge

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Um dia tinha lido sobre alquimistas.
Quem sabe os sinais do universo não estivessem apontando para uma revolução em sua vida. Um recomeço desses de varrer a história passada e afogar com fogo e brasas toda a completa destruição em que se transformara a sua vida...
Começava pelo mau humor. Péssimo humor. Humor de ogra. E as coisas que não se encaixavam mais. O otimismo, por exemplo, não tinha lugar nessa vida de pedaços mal consturados em que tinha se tornado sua rotina.
O corpo se enchia de adiposidades, ficava redondo e começava a dar sinais de desgaste. A mente ia se desligando, devagar, as palavras falhando, o sentido das coisas se perdendo. Dissolvendo. 
A rotina era insana. Era um tal de começa, para. comeca, para. Recomeça e para novamente. Interrupções idiotas para um trabalho criativo. Um telefonema de propaganda. Um vídeo sem graça da rede social. Uma conversa banal sobre nada. Um parar para atender. Atender. Atender. Atender. 
Um mau gerir recursos de dar dó. Dinheiro sumindo pel…

Apenas uma mulher esmaecida pelo tempo

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chove. 
Eu que sou movida à energia solar, me sinto menos apta em dias chuvosos. Tudo me parece mais difícil, embora não seja. Tudo na verdade é como a gente constrói dentro da gente. A vida é feita de atos. A vida premia quem age.
Como saber o certo? 
Não existe um meio. O certo é o que parece certo no momento. O que importa de verdade sempre será a ação, não o receio.
O que faço em dias de chuva, além de obedecer aos mistérios e aos deverias? Dou ouvido aos desígnios.
às vezes eles me vem como insights. às vezes como sussurros. outras como ainda como percepções. o meio não importa, o fundamental é que eu ouça. e entenda.
Hoje ele se manifesta assim... 

e também o encantamento de ver caminhar ao meu encontro um espécime tão raro quanto um hipocampo, um centauro, talvez?...vejo apenas a sua crina e o alto do seu corpo...Não, eis as duas pernas, então não é um centauro, é um homem suficientemente louco de amor para tomar uma pescadora das ilhas Faroe com o gorro de lã molhado, impermeável sujo…

Quando a vida me toma de roldão

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Caio...gostava de ler o Caio em tempos infinitos, aqueles que eu me descobria e me sentia.  Deixei de me sentir muito tempo depois. E comecei a sentir o Caio mais.
Como te entendo. Também ando muito cansada de tudo. Com um mau humor daqueles de exaustão. Um humor que nenhum livro de auto ajuda resolve. Um humor de quem se sente exaurida, sumida, esgotada. Meio que um bagaço de laranja, dessas que são chupadas até a última gota e quando nada mais tem de sumo, se joga fora. 
Me esqueçam, eu grito. 
Um grito mudo que sai no corpo dolorido. Um grito sem voz que sai na tontura que não se explica. Um grito morto que sai no humor de cão, na sabotagem interna, no não ter mais energia de ser boa.
Ser boa era legal, me fazia bem. Só o que eu precisava era de um tempo para mim. Um reabastecimento. Podiam ser as horas de sábado pela manhã, podia ser um livro que eu pudesse ler sem ninguém interromper. Um projeto para criar. Uma série de ficção. Um livro do Caio. 
Antes dos barulhos do WhatsApp. Das mos…

O ontem e o amanhã que beiram a margem da sanidade

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O tempo passou.
Era com calma e um pouco de espanto que constatava que as ruínas tinham se instalado enfim na sua vida. 
O que restavam? Lembranças 
Também para ela tinha chegado o tempo em que o antes ficava mais bonito e palatável que o depois. Já não amanhã. Apenas ontem. 
Um ontem interminável. 
Um ontem inenarrável. 
Um ontem de páginas rasgadas. 
Nela as rugas se misturavam com os olhos de menina que teimavam em não deixar de brilhar. Isso não morria. Só quando ela desse aquele que chamam de último suspiro. 
Até lá guardava para ela toda aquela montanha de sensações boas, ruins, mesquinhas, gloriosas, toda uma biografia que não fora escrita. Nem seria. Sua passagem na terra seria efêmera. Alguns diriam com saudades que tinha sido boa. 
Seus sonhos, suas vontades, seus medos e quimeras, seus quiseras, tudo isso morreria com ela. 
Brincou com a ideia de ser descoberta muitos anos depois de virar pó. Alguém acharia uma chave escondida em algum tempo, talvez numa gaveta dessas modernas que se…

Vivo de maravilhosidades

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Nasci com ímpetos de miragens. 

Dizem que a sala escura, meio penumbra, as mãos ágeis e carinhosas da parteira se misturavam à música que tocava no quarto do hospital daquela pequena cidade do interior onde meu pai e minha mãe me aguardavam. E me tiveram. 

A música que tocava? Tenho uma certa curiosidade. Um bolero, um tango, mais certo que fosse uma ópera da rádio Belgrano de Buenos Aires, a única com potência para chegar ali, nos ouvidos da menina que chorava.
O mundo me aguardava. Dele tinha receios. Sempre tive. Há quem diga que caí no banho nos meus primeiros dias e isso me marcou para sempre. Há quem diga que a xucrice era coisa minha desde sempre. Eram medos que nunca soube elucidar.
Mas...Nem tudo eram temores. Havia o deslumbramento. Uma certeza interna de que a Vida se fazia de momentos incríveis, mesmo que nunca vividos para fora. Sim, nasci para maravilhosidades.   1. Maravilhosidade Refere-se à alguma coisa, pessoa ou sentimento extremamente maravilhoso (a), muito além de mara…

Olhos treinados em acender vontades

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e não saberemos dizer qual foi o instante em que cessaram riso, abraço, murmúrio ou o toque das nossas mãos entre as cobertas felpudas, ou os códigos trocados por nossos olhos treinados em acender vontades - Cinthia Kriemler Pode me chamar de demônia. Odeio ser contida.

Quem sou? Um pouco de você, um pouco da minha mãe, das avós que me antecederam, das amigas. Um pouco até das inimigas. Um caldo de gemidos, vontades esmagadas, sonhos a posteriori, cuidados com a prole.
Tenho olhos treinados em acender vontades como diz a amiga de ginásio. Não apenas de machos fogosos ou que tentam ser. Sou luzeiro de quem perdeu vontade, sou aquela que esquece de si para cuidar dos outros. A que posterga. A que adia. A que se deixa morrer. 
E a demônia? Onde vive a bicha ruim que me habita? Espreita sorrateira em qualquer desvio. Um suspiro derramado. Uma risada mais cínica. Um lampejo de desejo solto no ar.
Leio. Leio menos que devia, mas ainda assim leio. Leio mulheres que gritam. E em quase todas u…

O Tri em Brasília e minhas lembranças das copas

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Uma praça cheia de gente em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul. Um alto falante que gritou uma palavra que a menina de cinco anos entendeu como importante pela repercussão que teve em seu pai: era o Brasil ganhando a Copa de 1962.

Interessante como a gente guarda na mente as coisas que impactaram nossos pais. Lembro exatamente onde estava quando ouvi no rádio a notícia da morte do Kennedy no ano seguinte e corri para contar para a minha mãe que eu sabia ser sua fã. Naqueles tempos era tudo interessante. Minha mãe curtia tanto o Kennedy como o Fidel. Parecia o tempo em que jovens iam conquistar o mundo, não importando a sua ideologia. Acho que era esse impulso de vida que chamava a atenção de minha mãe.

Mas as Copas.... 

Futebol era presente até por aí. Meu pai já torcia pelo Grêmio, mas sem fanatismos. Mas lembro que na Copa seguinte, em 1966, o Brasil campeão foi cheio de pompas e expectativas. Foi a primeira recordação de propaganda maciça na TV que lembro.  Seria o tri ca…