Eu, leitora
Me considero uma pessoa privilegiada. Nasci em uma casa de leitores. Desde pequena, os livros eram nossos companheiros. Primeiro, pelas leituras dos mais velhos. Não cheguei a pegar o saudável hábito da leitura de livro em conjunto, que meu pai fazia nas eras antes da TV. Mas, como a caçula da família, ganhava livros desde cedo. Era aquela guria chatinha que sabia de cor as historinhas e não admitia que fossem resumidas. Nem depois de mil leituras. Nossa casa tinha o que um amigo definiu como “armadilhas do bem”, estantes de livros baixas, bem ao alcance dos olhos e mãos das crianças. Desde cedo, os clássicos estavam na mira dos olhos. Tanto que se criou uma lenda familiar na qual eu aos dez anos já tinha lido Dante Alighieri. Confesso que deixei que pensassem assim, mas não era verdade não. Só tinha lido um resumo em uma enciclopédia dessas bem completas. De verdade mesmo, tinha devorado os Contos de Andersen em uma edição primorosa da então Editora do Globo aqui de Porto Alegre, com ...