Vivendo sem necessariamente amadurecer
Quando vejo a tela em branco, cheia de possibilidades, penso que talvez as palavras já tenham se secado dentro de mim. Como se a necessidade de cuspir para fora o tanto de emoção que me amontoava por dentro, tivesse sido saciada por uma indiferença de costume. Me acostumei a compreender. Não a compreensão do raciocinio, mas a da lerdeza. A luta entre a chama que gritava rubra de indignação, se transformando em uma malemolente preguiça de unir dois mais dois, sabendo que se der quatro trudo bem. Se der cinco também. Seria isso sinônimo da tal maturidade? A aceitação cinzenta e melancolica da harmonia que exige um preço de falta de rebeldia nas ações e pensamentos? Não creio. Amadurecer tem menos a ver com esmaecer do que se imagina. Frutos maduros são mais saborosos, não menos. Obras maduras são mais completas e menos descartáveis. O maduro é visceral no sentido de vivencia e resultados. Não se amadurece sem custos. Ás vezes é a ingenuidade que dá lugar ao olhar mais ar...