Postagens

Portas que se fecham, janelas que se abrem

Imagem
15 de março de 2020.  Lembro bem desse dia. Foi quando sentimos que a pandemia tinha enfim chegado até nós e fomos paulatinamente nos trancando em casa. Nem todos, é verdade. Uns por gosto, outros por absoluta necessidade, continuaram nas ruas que eram quase de ninguém.  Em tudo foi um ano atípico. Ter todo o tempo do mundo para curtir a casa não me fez absolutamente bem. Não li o que deveria, não fiz o que planejei. Não faxinei, não dispensei. Não joguei fora. Mas assisti séries e ouvi muita música. Acabei um livro de histórias familiares. Fiz cursos e convivi pelas telas. Há momentos da vida que nos exigem paradas. São as janelas que olhamos, achamos belas ou feias, mas tendo portas para sair, as deixamos de lado. É quando as portas se fecham que as janelas adquirem sua importância. 14 de novembro de 2020. Ouço Cida Moreira enquanto organizo os projetos. Vivo de projetar. Literalmente já que arquitetar desde sempre foi meu afazer de vida. Projeto lindos sonhos alheios. Às vezes proje

Ouça a postagem

Das areias do tempo que marcam a poesia

Imagem
  Cabeça esmagada,  tanta areia jogada minutos correm minutos galopam tipo velocidade supersônica Tempo é bicho ingrato não perdoa nem santos nem pecadores nem a gente Cabeça esmigalhada feito bagaço de fruta chupada cuspida no asfalto quente daqueles que frita ovo queima sola do pé afasta poesias Cabeça vazia complexa mistura de repentes Docemente cantadas nos instantes fugidios Senhora descoberta sem mantos sem encantos Poetas socorrei-me tragam a musicalidade das rimas simples angustiantes  das herméticas labirínticas construções do emaranhado de vida lambida Amantes vinde! Me amparem em sua paixão ousadias e desejos ardentes sílabas rimadas de vontade de sincronia Navegantes, abram seus mares areias e tempestades Balanço de cavalos marinhos Ímpeto de tubarões profundezas de mistérios da alma Atlântica do poeta português Deusas e Deuses Toquem-me com seus dons Façam-me divina e mortal acendam a centelha que mistura afronta e medo Tornem-me imortal  em ousada desobediência Sai de mim

Tributo aos que me criaram

Imagem
Trago em mim o dna de minha gente Os reconheço quando olho no espelho nos pensamentos fugidios nas quimeras que lançaram  Em cada um deles um traço um reponte uma magia o pequeno elo de muitos olhares amores tardios/precoces/inconfessos das terras tedescas aos mares de açorianos das indias deitadas com vontade ou sem dos fados lusitanos o céu ainda é azul para mim que respiro deles a vida que se foi mas no entanto perdura Meus dedos lembram os dedos de meu pai meu sorriso, o seu  agora que nos tornamos velhos e sábios eu sempre mais sisuda que ele eles sempre mais crianças que eu Em cada pedaço de pele uma mistura de raças e anseios paridos em forma de vida em cada pesquisa sobre os que me criaram pais, avós, bisavós e teratataravós um encontro comigo mesma

Brasa dormida

Imagem
  Tomo cálices de vinho Ouço músicas portuguesas o sotaque acarinha minha alma lusa Sonho contigo te chamo acabas não vindo viro fado dessas lusitanas coisas tão doces rudes tão alma brasileira ariana/doce/molenga acabo o vinho sinto calafrios ardejantes calafrios   como brasa dormida que acorda num repente Vira labareda Nunca mais voltes ao lugar onde ardeste de paixão diz a voz com sotaque bonito Nada mais será igual não vai acender o lume já apagado Regras da sensatez diz a música Bobagem  sussurro para mim chama acesa vira fogo eterno é como danação que volta porque não virou cinza ainda é brilhante Não existem regras sensatas na paixão Só mais uma vez...