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Sete notas dissonantes

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Eram sete notas dissonantes
Naquele castelo de magias

Uma sabia a águas
Águas mansas que corriam
Também redemoinhos
Arrastando grilhões

A segunda parecia abraço
Vó embalando canção
Mãe cuidando ferida
Amor depois da paixão

A outra lembrava fogo
Brincadeira de criança
Mansidão de ver chamas
Calor de multidão

A quarta nota diferente
Estranhava pela ausência
Uma coisa de urgência
Aquele aperto sentido
Mais vazio que presença

A quinta era nuvem no céu
Fumacinha de aniversário
Era aquilo que fica
Depois que tudo evapora

A sexta era concreta
Feita de aço e coragem
Tinha o dom das decisões
Daqueles que tomam peito
Era dos práticos a nota

A última era impronunciável
Não tinha forma nem definição
Talvez fosse o que se chama
Pura intuição

Sete notas dissonantes
No castelo de magias
Formavam uma corrente
Na vida que fulgia


Nós mulheres

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Das vezes que abriu os olhos
Janelas, sol, gritos
Noites insones
Mentiras ganhando vida
Trabalho
Suava e sentia
Chorava escondida
Como se fizesse diferença
Chorar na frente de alguém
Como se fosse feita de pedra
Não vento e ar
Num suspiro tudo mudava
O cenário abria e fechava
Deixava de ser Maria
Virava Anabela
Outras roupas no mesmo corpo
Sangrava
Lua uterina todo mês
Era sina
Era herança
Era coisa de tantas outras
Joanas, Luizas e Paolas
Umas sem nome
Rotas perdoadas
Em cruzes perdidas
Outras mais felizes
Viraram livro na memória
Barriga crescia
Nova cria
Novo suspiro
Teresas e Helenas
Fios em espera
Cios labaredas
Das vezes que abriu os olhos
Ávida vida a vida
Lambe margens
Entrega voragens
Virago
Desfiladeiro
Moira me habita
Nos habita
Nos mora
Nós moira
Nós mulheres

Zona de Desconforto

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Mulheres que escrevem.

Mulheres que escrevem bem.

Mulheres que descrevem outras mulheres com um olhar certeiro, trazendo à tona personagens que são vivas em suas paixões e ações.
Um livro de contos que pede mais. Alguns que te dão aquele querer ir além, mereciam um romance. Outros são um murro no peito de tão intensos. Procure qualquer coisa no livro de contos de Lindevania Martins, nunca conforto.

"Se um escritor pode fazer as pessoas viverem, pode que não haja grandes personagens em sua obra, mas é possível que seu livro permaneça como um todo, como uma entidade, como um romance."Ernest Hemingway Comecei o primeiro conto com sofreguidão e não conseguia parar. Tinha ouvido a mesma história na noite anterior. Outro nome, outro estado, outra época, mesma menina querendo apenas ter o sonho de aprender, de ir além. Mesmo sonho podado sem ternura. Cortado na raiz por outra mulher. A sororidade dando espaço aos papéis aprendidos de servidão. Todas mulheres, umas anulando  outras e…

Quando a vida vem de roldão

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Quando a vida vem de roldão 
Traz memórias de outras eras

Sigo rumos já traçados

Sofro angústias tão batidas

Quando a vida me vem de roldão

Bato cabeça

Nas paredes tortas

Respiro águas passadas

Aperto histórias vencidas

Cabelos, cheiros, cores

Tudo amalgamado

tão igual

tão diferente

Ainda bem que a roda passa

sorrisos voltam

tão diferentes

tão pungentes

tão sem sentido

Tão pouco Clarice












No rolar das páginas
me dizia o velho mestre de obras
as histórias se refazem
Sabedoria que invejava
Simplicidade de ter respostas
Eu nunca
Eu só perguntas