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Mostrando postagens de Abril, 2021

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Quatro rima com teatro

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quatro gatos encantados travestidos de loucuras correm telhados/poleiros miram lonjuras quatro mirantes abertos cheirando a flor de mel trazem visões discordantes girando feito carrossel quatro planetas inertes guardam promessas de vida planícies sempre desertas à espera de gente sofrida quatro vacas pastando ruminando ideias dissonantes propagam teorias esdruxulas seguem sempre ruminantes quatro livros intocados guardados solitários intocados sem olhares parecendo sacrários   quatro rimas engraçadas sumidas no pó da vida virando lembranças eta vida estagnada Mistérios da matemática Surgem brincalhonas na mente gemendo espaços somando semente multiplicando espaços quatro ferrolhos encantados reluzentes a carmim saudades do tempo eterno portas de querubim rimas soltas/delicadas cheirando a alecrim quatro pássaros voejantes partindo céleres suas sinas buscantes Portam penas coloridas qual cavaleiros andantes quatro ânsias libertárias quatro mortes anunciadas quatro vidas prisioneiras qua

Puro vício

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Eu tinha olhos de gazela Ele passos de colibri Andávamos sorrateiros Uivando em frenesi Eu com garras de lince Ele manso ermitão Voávamos círculos esquisitos Feito puro furacão Eu com patas de marmota Ele faro de baleia Fugíamos alucinados Ele rei, eu sereia Nossa dança desbragada Iluminava os silêncios Era mar/era deserto Calmarias e suplícios Puro vício

Ano novo pessoal

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Todo dia sigo um ritual. Ligo o computador, vejo uma tela em branco, penso em escrever, mas nada sai. Desligo ao fim do dia porque, seguindo a velha máxima, melhor calar que não ter o que falar. Ou não falar bem do que se tem. Fazendo um rescaldo do ano: um livro publicado que quase ninguém leu, centenas de fotos da janela que muita gente curtiu, alguns cursos, projetos e intenções. Sobrevivi. Muitos ficaram pelo caminho. Mas não são palavras tristes. Ano passado não consegui nem falar com amigos. Esse ano até esperava estar ficando mais velha, seria sinal que já estaria vacinada. Os barulhos do dia que se inicia, uma segunda feira, ressoam lá fora. Aqui dentro ainda paz. A mãe dorme, não há rádios acesos, apenas minha voz interna fala comigo. O que fala comigo? Quem sou a eu que a pandemia transformou? A que usa máscaras para sair na rua, a que deixou vaidades poucas de lado e a que superou ogrices pessoais e aprendeu a amar mais. Um olhar mais doce, embora mais duro. Uma sensação de