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Ano novo pessoal


Todo dia sigo um ritual. Ligo o computador, vejo uma tela em branco, penso em escrever, mas nada sai. Desligo ao fim do dia porque, seguindo a velha máxima, melhor calar que não ter o que falar. Ou não falar bem do que se tem.

Fazendo um rescaldo do ano: um livro publicado que quase ninguém leu, centenas de fotos da janela que muita gente curtiu, alguns cursos, projetos e intenções. Sobrevivi. Muitos ficaram pelo caminho.

Mas não são palavras tristes. Ano passado não consegui nem falar com amigos. Esse ano até esperava estar ficando mais velha, seria sinal que já estaria vacinada.

Os barulhos do dia que se inicia, uma segunda feira, ressoam lá fora. Aqui dentro ainda paz. A mãe dorme, não há rádios acesos, apenas minha voz interna fala comigo.

O que fala comigo?

Quem sou a eu que a pandemia transformou? A que usa máscaras para sair na rua, a que deixou vaidades poucas de lado e a que superou ogrices pessoais e aprendeu a amar mais.

Um olhar mais doce, embora mais duro. Uma sensação de precisar de colo de pai ontem, depois de muito tempo sendo aquela que cuida de tudo. Uma presença sentida no coração. Um susto na madrugada. Um sono que volta à prestações.

A vida, lentamente, retoma seu ritmo lá fora.

Eu ainda navego nas indagações. Mas sem naufragar. Aprendi a nadar. 

  Um dia talvez, volte a escrever...

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