Leio poesia em um mundo em chamas

E como tudo o que é farto e não sacia
Tropeço nos raios de sol,
ofuscada pelos ecos que ficaram.

Sede- Adriana Mayrinck

O mundo em chamas e eu leio poesia.
Acordo, meio entorpecida da noite insone
com sonhos oníricos, 
quase porém reais em suas impossibilidades
Reação imediata:
Conexão
Saudade dos tempos em que só acordava e olhava o sol
ouvia pássaros e lia jornais que eram tão atuais
Hoje acordo assustada
por vezes apenas irritada
são guerras de informações, 
ganha quem lacra mais

Prender; fechar ou fixar alguma coisa por completo uma vez era significado de lacrar

Hoje o mundo pega fogo
literalmente
jornadas de descontentamentos
é daqui, gritam uns
é dali, vociferam outros
Analistas tecem complexas teorias para explicar o inexplicável
o imponderável
o estopim
O mundo é um barril fervente
E eu leio poesias


Natureza do que é inspirador e comovente: a poesia do carinho fraternal leio sobre o que significa a poesia.


Versões estapafúrdias sobre tudo
o mundo definitivamente está pegando fogo
e eu assistindo
expectadora
espectadora
Ao mesmo tempo que teço considerações e tenho expectativas, olho

Leio poesias porque é minha forma de sobreviver
enquanto assisto e tento entender

Não bastasse o mundo lá fora estar pegando fogo
o meu mundo particular está ruindo

Serão assim as revoluções?
Não as de papéis fardados que brincam de mudar e fazem mais do mesmo
as de verdade
que assopram mudanças estruturais
as que marcam eras
as que germinam sementes plantadas ancestralmente

Talvez o fogo seja o parto de novas eras
como os místicos apregoam
talvez seja apenas o fim de algo que não presta mais
Talvez até não tenha nenhum sentido

Por isso enquanto o mundo pega fogo
eu sento
 e leio poesia 

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