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Mostrando postagens com o rótulo desabafo

Despedidas

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  Despedidas. Não sou boa para elas. Me doí dizer adeus, fechar as portas, sair para nunca mais me doí mais ser a da porta que se fecha a que fica a que assiste o mundo capotar da janela Mil vezes a rotina dos dias imprevisíveis que a maldita imprevisibilidade do inevitável Bebo a água da sabedoria da caneca que grita gratidão Me absorvo da luz do amanhecer Me repleno das possibilidades da segunda me irrito com o teclado que teima em completar o que não quero, não pedi/não penso não gosto que me empurrem a solução pronta que algum algoritmo delegou como sendo mais apropriado não quero as apropriações do normal não quero os ditames pré estabelecidos o comportamento do bando meu bando uiva nos sabemos por instintos nos reconhecemos por cheiros/salivas/gemidos gritos de angústias/revoltas/prazer o mundo revolta a água me espera eu calma/serena/inquieta gratidão pela vida sorrio entre irônica e crédula em dias de sol cabem uivos?

Diário da Exclusão (um desabafo)

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Todos os dias as ideias me assomam. Tomam conta, se ramificam. Em seguida partem. Penso que descrever a lenta contagem dos minutos que restam de vida parece comiseração sem importância. A velhice chega para quase muitos. Nem tantos, é verdade. Para os chegam, traz declínio e exclusão. Uma vez li que a memória vai se indo porque a realidade do presente já não é tão bela como a do passado. Qual o valor de lembrar um tempo de dependência e falta de autonomia? Melhor lembrar o vigor, a infância, a segurança e a certeza do para sempre. Conviver com a decrepitude que vem inexoravelmente não é bonito. É necessário. A outra alternativa é altamente angustiante. Melhor aguentar cabelos brancos, pernas moles e falta de dentes.  A reclusão. A exclusão.   FOMO: Fear of missing out, ou seja, o medo de ficar de fora da festa, de ficar para trás e de perder a oportunidade ( fonte ) Li hoje em um texto sobre o metaverso na venda de imóveis. Dizem que é uma palavrinha do vocabulário de que...

Quem cuida do cuidador?

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Acordei com uma saudade doída do meu pai. Daquelas saudades que cravam na carne, fazem a gente chorar, mesmo sem lágrimas. Algumas vezes com.  Me dei conta que foram muitas recordações nos dias pós Dia da Criança. E das coisas que sinto mais falta da infância é de ser cuidada. Não só eu, imagino. Acho que todos nós sentimos uma pontinha de carência dos tempos em que alguém cuidava de nós. Nossa alimentação, nossas feridas, nosso choro tinha colo. Mesmo quando não tinha e a gente guardava fundo no peito, já antecipando a adulteza que viria, ainda assim não nos era cobrado maturidade. A medida que crescemos, viramos cuidadores. De alguém, de coisas, de nós em última instância. Nossos pais viram filhos. Nossos filhos, sobrinhos, netos, toda essa nova geração que vem vindo exigem atenção. O mundo lá fora exige atenção. A vida urge atenção. E nós? Vez por outra dá uma saudade doída do tempo em que a gente era atendido. Acho que por isso lembrei meu pai. Ele cuidava. Estava sempre pronto...

os dias eram iguais

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O raio de sol na parede O gato na cama O fio dental que teima em prender o dente O medo O barulho da rua que acorda  A vida vivida/vívida  O amor que não se dá  O homem negro morto por nada O homem branco que mata e daí? As almas ditas humanas calando com medo As bocas que gritam por pressão social Os pés que marcham por que não aguentam mais A menina que grita que seu pai mudou o mundo Mudou? As discórdias na parede Os ódios na cama  A indiferença que teima em prender gente O medo O barulho que incomoda  A vida vívida/mal vivida Os 70 tiros que matam famílias  As mulheres sendo mortas As almas dissonantes As bocas gritando verdades/mentiras  Os pés machucados dos que apenas andam Os filhos sem pais nem mães  Um mundo que não muda Um gato que olha o nada Um angolano  baleado por engano "Vai sangrar até morrer" Sobrevive por sorte  No mundo onde a cor da pele define Morte/vida dos que deviam proteger A cama vazia A nova noticia  ...

Tic Tac que não para

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porra de vida, pensou baixo seu tempo se esgotando a vida se ajeitando a família já vivendo a expectativa do não ter não mais eu a vida é uma grande merda, na verdade tenho vida meu sangue ainda corre nas veias cheias da quimio meu cérebro ainda pensa no meio do tumor que o corrói o tic tac maligno canceroso implacável vai me tornando algo tão diferente do que sou minha alma ainda a mesma tento dizer aos que amo vejo nos seus olhares medo pena o choque da imprevisibilidade Todos temos data de validade porque a minha tão cedo? tantos sonhos tanto amor tanta esperança tudo adiado para sempre porra mil vezes porra melhor cerrar os olhos não pensar voltar Para onde afinal? Descartável o que sou um corpo que não reconhecem uma agilidade que falta um outra eu a mesma eu maldito relógio!

Leio poesia em um mundo em chamas

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E como tudo o que é farto e não sacia Tropeço nos raios de sol, ofuscada pelos ecos que ficaram. Sede- Adriana Mayrinck O mundo em chamas  e eu leio poesia. Acordo, meio entorpecida da noite insone com sonhos oníricos,  quase porém reais em suas impossibilidades Reação imediata: Conexão Saudade dos tempos em que só acordava e olhava o sol ouvia pássaros e lia jornais que eram tão atuais Hoje acordo assustada por vezes apenas irritada são guerras de informações,  ganha quem lacra mais Prender; fechar ou fixar alguma coisa por completo uma vez era significado de lacrar Hoje o mundo pega fogo literalmente jornadas de descontentamentos é daqui, gritam uns é dali, vociferam outros Analistas tecem complexas teorias para explicar o inexplicável o imponderável o estopim O mundo é um barril fervente E eu leio poesias Natureza do que é inspirador e comovente: a poesia do carinho fraternal leio sobre ...

Rescaldo do ano que se finda

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Fim do dia Sofria Sorria Pensava  no que seria Da vida Da lida Do tanto que podia Sentia Poderia Quem sabe um dia Anoitecia Amanhecia E a rima acabava E restava a vida Sem poesia Noves fora lhes confesso que não foi um ano fácil. Ia adorar chegar aqui com um monte de receitas de superação e otimismo, mas nem sempre a vida nos reserva esses atos de heroísmo. Tem aqueles tempos que a miséria do mundo fica encaixada nela mesma e a gente olha, sente ainda, que a sensibilidade, essa bicha danada, não morre nunca, mas não vê beleza nem num dia de sol. Esse ano ano foi desses.  Das coisas boas que fiz ao meio ao meu caos interno: li muito. Brindei muito. Amei muito.  Chorei muito também. Sempre silenciosamente, nunca aquele choro represa que saí e lava a alma e leva com ele tudo o que de ruim se acumulou. Foram lágrimas de desesperança.  E não pensem que só pelas coisas de fora. Essas também me afetaram....

Desabafo

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Era a maldita da paciência que faltava. Não era de hoje. Já tinha mais de década. Aquela guria que olhava o mundo com olhos de alegria começou a morrer em uma ambulância que corria a noite de sua cidade, meio dividida entre rezar para um Deus para o qual não se ajoelhava ou manter a sanidade para tomar decisões e fazer de conta que a vida seguia seu rumo. Das pessoas com quem contava para segurar sua mão, algumas vieram. Não todas. Sobrou para ela ser forte. Dali em diante foi uma rotina de UTIs, médicos, equipes de saúde. Conviveu com parentes e amigos em salas de espera do inevitável. Viu pessoas desistindo da vida e morrendo. Aprendeu a reconhecer o estado de seu parente preso à máquinas, pelo olhar do fisioterapeuta . Rezou. Rezou com toda a força de sua alma que quando a morte ameaça todas as crenças se voltam para o sobrenatural. Descobriu que a vida se faz de momentos. Uma noite de sobressaltos, esperando um telefone mas torcendo para que não viesse. Cada pequen...

Quando a vida me toma de roldão

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Caio...gostava de ler o Caio em tempos infinitos, aqueles que eu me descobria e me sentia .  Deixei de me sentir muito tempo depois. E comecei a sentir o Caio mais. Como te entendo. Também ando muito cansada de tudo. Com um mau humor daqueles de exaustão. Um humor que nenhum livro de auto ajuda resolve. Um humor de quem se sente exaurida, sumida, esgotada. Meio que um bagaço de laranja, dessas que são chupadas até a última gota e quando nada mais tem de sumo, se joga fora.  Me esqueçam, eu grito.  Um grito mudo que sai no corpo dolorido. Um grito sem voz que sai na tontura que não se explica. Um grito morto que sai no humor de cão, na sabotagem interna, no não ter mais energia de ser boa. Ser boa era legal, me fazia bem. Só o que eu precisava era de um tempo para mim. Um reabastecimento. Podiam ser as horas de sábado pela manhã, podia ser um livro que eu pudesse ler sem ninguém interromper. Um projeto para criar. Uma série de ficção. Um livro do Caio....

Focar - necessidade urgente

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FOCO!!!! Socorro, ando precisando de uma lente dessas que foque em um objetivo e me limite as possibilidades. Pessoa curiosa e muito pesquisadora enlouquece com uma biblioteca ficando sem saber qual livro escolher e já pegando meia dúzia para a mesa de cabeceira, namorando a ideia de ler e reler todos.  Nunca consegui fazer uma coisa por vez. Estudava vendo TV. Via TV jogando. Trabalha ouvindo música e navegando. Navegar. Daquela simples expressão que significava pegar um barco para a atual, passei ainda naquela de voar nas possibilidades: a tal navegar na maionese. Tudo bem que muita gente usa para se referir a pensar coisas que não vão acontecer de tão fantasiosas. Mas eu me apropriei no sentido de dispersão.  Dispersiva. Presente. Paro tudo e vou em busca do que me dá mais prazer no momento. E sou compulsiva muitas vezes. É ótimo para a mente e péssimo para o bolso. Há que haver um equilíbrio entre motivação e foco. E fazer dos objetivos um hábito que ...

Minha culpa, minha máxima culpa

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Culpa! Eta sentimento mesquinho e irritante que me pega de cheio.  Confesso. Não sei lidar com elegância com ele. Quando menos espero ele apaga minha luz, empana o meu brilho, me faz diminuir de tamanho e me sentir um inseto. Tudo bem, já li dezenas de livros, inclusive os de auto ajuda. Já fiz terapia. Me conheço. Mas entre a teoria e a prática, a culpa me vence. De goleada. Talvez ajude conversar a respeito. Deixar que a conversa de dentro se torne leitura de fora.  Tentar enxergar com olhos de outra pessoa e me dar os conselhos de praxe: se tu não teve intenção, não tem porque ter culpa.  Sim, sim, eu faço isso. Mas e a sensação de ser inseto? O que faço com ela? E a minha luz, quem acende de novo, em pouco tempo?  Talvez se eu tomasse um santo Rivotril ou similar, a culpa me deixasse de lado. Mas a causa que a gerou, e essa eu conheço bem, continuaria ali. Tenho culpa quando digo não. Tenho não. Sinto culpa. Sinto culpa quando me imponho. Sinto culpa quando imagi...