Quando a vida me toma de roldão

Caio...gostava de ler o Caio em tempos infinitos, aqueles que eu me descobria e me sentia
Deixei de me sentir muito tempo depois. E comecei a sentir o Caio mais.

Como te entendo. Também ando muito cansada de tudo. Com um mau humor daqueles de exaustão. Um humor que nenhum livro de auto ajuda resolve. Um humor de quem se sente exaurida, sumida, esgotada. Meio que um bagaço de laranja, dessas que são chupadas até a última gota e quando nada mais tem de sumo, se joga fora. 

Me esqueçam, eu grito. 

Um grito mudo que sai no corpo dolorido. Um grito sem voz que sai na tontura que não se explica. Um grito morto que sai no humor de cão, na sabotagem interna, no não ter mais energia de ser boa.

Ser boa era legal, me fazia bem. Só o que eu precisava era de um tempo para mim. Um reabastecimento. Podiam ser as horas de sábado pela manhã, podia ser um livro que eu pudesse ler sem ninguém interromper. Um projeto para criar. Uma série de ficção. Um livro do Caio. 

Antes dos barulhos do WhatsApp. Das mostradas do último vídeo sem graça da internet. Dos bancos e contas. Dos desejos alheios. Das dores alheias. Da compreensão com a vida alheia. 

Foi antes do mundo virar de cabeça para baixo. Foi antes de tudo ficar surreal. 

Tão ocupada com a vida privada, fui acompanhando a vida social de roldão. Os boatos ganhando ares de verdade. As pessoas de bem acreditando em toda porcaria que rola na rede, desde que faça sentido com a sua verdade. Eu ainda lutando para pesquisar, para elucidar, para ser idônea, ética, verdadeira. Em vão. 

As versões ganhando ares de verdades. Onde se falava X, outros ouviam Y. 

Custei a entender que isso podia ser uma anomalia no mundo. Um bug de programação no ser humano. Todos defendendo suas verdades porque sim, lhes fazia sentido. As fake news, por mais absurdas e desmentidas que fossem, virando versão. Sendo impressas. Virando História. Exatamente como devia ter sempre acontecido. 

Mas agora muito mais rápido. Agora muito mais surreal. Agora comigo.

Tá certo, Caio. Vontade mesmo de deixar para lá. Que a vida aconteça de sua maneira mais divertida, louca, insana, sem sentido. 

Vontade mesmo de abrir as portas e dar um basta. Talvez por um momento. Talvez por toda a vida. 

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