Rescaldo do ano que se finda


Fim do dia
Sofria
Sorria

Pensava 
no que seria
Da vida

Da lida
Do tanto que podia
Sentia
Poderia

Quem sabe um dia

Anoitecia
Amanhecia
E a rima acabava
E restava a vida
Sem poesia

Noves fora lhes confesso que não foi um ano fácil.

Ia adorar chegar aqui com um monte de receitas de superação e otimismo, mas nem sempre a vida nos reserva esses atos de heroísmo. Tem aqueles tempos que a miséria do mundo fica encaixada nela mesma e a gente olha, sente ainda, que a sensibilidade, essa bicha danada, não morre nunca, mas não vê beleza nem num dia de sol.

Esse ano ano foi desses. 

Das coisas boas que fiz ao meio ao meu caos interno: li muito. Brindei muito. Amei muito. 

Chorei muito também. Sempre silenciosamente, nunca aquele choro represa que saí e lava a alma e leva com ele tudo o que de ruim se acumulou.

Foram lágrimas de desesperança. 

E não pensem que só pelas coisas de fora. Essas também me afetaram. Mas era dentro de mim que o mundo não fazia sentido.

Brinquei com a ideia de terminar tudo.

Brincar não é a palavra mais certa. Fantasiei seria mais adequada. Não se assustem, sou muito covarde para atitudes extremadas, mas pensar a respeito já é muito preocupante. 

Soltei gritos de várias formas que ciscavam pequenos SOS. Nem todos entendidos. A maioria não.

Uma amiga me deu o basta. Pára, estou preocupada, vai buscar ajuda.

Não fui. Mas parei. 

Dentro de mim busquei a ajuda que aprendi em vários anos de terapia. Se ainda não estou de todo saudável, estou menos doente. 

Me apeguei a cada amizade gostosa, a cada palavra de carinho, a cada afofada de ego. Fui me mimar um pouco mais. Deixar de adubar meus senões.

Deixei um pouco de lado o vinho e fui tomar mais água. Fui sentir que preciso mais do sol e vou ter que voltar a caminhar.

A valeriana me ajudou a dormir um pouco mais descansada, sem acordar toda noite, cheia de fantasmas reais. 

Me reforcei para aguentar os chamados de fora que me necessitam. Para aprender que não tenho o colo que tanto preciso. Para aceitar meu dia como se apresenta.

E procurar não me sabotar.

Este ano me sabotei como nunca. Pensando bem era a minha maneira de me matar.

A cada um que me deu seu tempo, seu carinho sem exigir troca, me fez respirar e me sentir do mundo, meu muito obrigada.

Esse ano que passou foi foda. Daquelas bem chatas. Mas também foi mais um pedacinho da minha construção.

Não sei se em 19 vou poder dizer coisas mais bonitas. Mas vou tentar.

Por ora é o que posso lhes dizer.    

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