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Mostrando postagens com o rótulo Fim de ano

Rescaldos de 2021

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Desde que comecei a fazer cursos de escrita criativa tenho escrito menos. Talvez tenha ficado mais crítica em relação aos meus textos, talvez já não sinta a mesma necessidade de catarse de me expressar através das palavras. Não sei, ainda me analisando. Este ano que finda foi (mais) um ano de análise e observação. Interna e externa. As vacinas, e a consequente diminuição da mortalidade na pandemia, me deram um pouco mais de alívio para me concentrar em leituras e cursos. Se 2020 foi um ano de música e séries, 2021 foi de reestruturação de energias. Entre perdas imensas pessoais e do mundo, emerjo diferente. Não há como encarar a perspectiva da tragédia e continuar igual.  Não fiz coisas grandiosas. Ajudei de modo formiguinha. Administrei ódios e rancores para que eles não fizessem de mim alguém tão odioso quanto os que abomino. Administrei carências ancestrais que me faziam mais idiota que a alma generosa que imaginava possuir. Me tornei mais a mulher de meia idade que teima em se ...

Receita de como planejar um novo ano mais bacana para a gente

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Participando do grupo dos 90 dias para o melhor de si, do amigo Rafael Reinehr e, tentando achar algum nexo na bagunça que se transformou a minha vida, sair do deixar que ela me leve, tento seguir os passos dessa reflexão proposta de como fazer acontecer um 2021 que eu possa chamar de meu . Vamos às reflexões seguindo a ordem do texto. É um roteiro de questões sobre o ano que finda e outras sobre o que inicia.  2020 Quais foram as coisas das quais mais me orgulhei em 2020? Perguntinha capciosa. Em um ano que pareceu não ter sido vivido, do que poderia me orgulhar? Ter sobrevivido seria a primeira. Não foi pouco. Faço parte do grupo de risco, me lembro da sensação de me sentir descartável nas primeiras manifestações do vírus, quando se dizia a boca larga que se os velhos vão morrer mesmo, que paguem seu tributo aos mais jovens não lhes atrapalhando o trabalho com sua necessidade de isolamento. Resolvida a questão de orgulho básico, me orgulho de não ter surtado e de ter conse...

Rescaldos de um ano pandemônico

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Este foi sem dúvida um dos anos mais longos -e mais curtos- da minha vida. E olhem que não vivi pouco. Levava uma vida sossegada, como diria a Rita Lee, quando um desgraciado de um vírus de nome esquisito transformou o meu mundo (e o de todos vocês) em um grande pandemônio. Recolho os rescaldos agora.     No   período   que   se   segue   a   uma   tragédia   ou   acontecimento   marcante ,  geralmente   quando   ainda   se   sentem   os   seus   efeitos   ou   . consequências .   "rescaldo" , in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020,   https://dicionario.priberam.org/rescaldo   [consultado em 21-12-2020]. O início de janeiro me pegava preocupada com obsessões e me perguntava " como nos protegemos da barbárie? Do cotidiano que não faz mais sentido? Dos medos e temores que nos abatem e para os quais nossa alma, exaurida, não tem mais ...

Palavras do ano que finda

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Passado mais um ano, cá vamos para uma pequena retrospectiva das postagens que tiveram mais visitas mês a mês.  Janeiro Agradecer os momentos nos impulsiona a querer tê-los mais e melhores. Nos lembra que somos parte do universo e cada ação nossa pode ajudar a nós e ao próximo. Generosidade, Gratidão e Gentileza Fevereiro É dentro de cada um de nós que o horror se combate. Há os que gritam nas ruas e assumem todos os riscos. Há os que silenciam na aparência, mas elaboram e se unem à mais consciências para que a voz nunca seja silenciada.   Vox e o Conto da Aia - gritos e silêncios Março Mulheres que escrevem. Mulheres que escrevem bem. Mulheres que descrevem outras mulheres com um olhar certeiro, trazendo à tona personagens que são vivas em suas paixões e ações. Zona de Desconforto Abril De tanto abrir mão dos sonhos e vivências para ser útil e querida, o turbilhão nos arrasta para aquele buraco negro que fotografaram ontem com tanta emoção. Sei que fo...

Fechada para balanço

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Este 2019 não foi um ano fácil. Não apenas pelo que acontece lá fora, das terríveis consequências de uma (extrema) direita volver na sociedade e de ver amigos defendendo coisas indefensáveis. Este ano foi terrível dentro de mim.  Foi ano de perdas. Pessoas muito especiais se foram. Uma de maneira abrupta. Outra se foi indo, de morte anunciada, dessas que a mente racional te avisa feito apito estridente e tu não quer acreditar mesmo assim. Lidar com o luto não é fácil para mim. Não é para ninguém na verdade. Acho que tem gente que disfarça melhor. Eu perco a luz, fico num misto de lembranças bonitas introjetando as pessoas dentro de mim, com uma puta falta e desesperança. É como se o baile fosse se esvaziando, uns partindo na frente. E eu ficando aqui, sabendo que logo chegará a hora de ir também.  Essa mistura de incertezas e inquietações aliadas ao passar dos anos me trazem mais questões e menos certezas.  Sempre tive muita facilidade para compreender ...

Rescaldo do ano que se finda

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Fim do dia Sofria Sorria Pensava  no que seria Da vida Da lida Do tanto que podia Sentia Poderia Quem sabe um dia Anoitecia Amanhecia E a rima acabava E restava a vida Sem poesia Noves fora lhes confesso que não foi um ano fácil. Ia adorar chegar aqui com um monte de receitas de superação e otimismo, mas nem sempre a vida nos reserva esses atos de heroísmo. Tem aqueles tempos que a miséria do mundo fica encaixada nela mesma e a gente olha, sente ainda, que a sensibilidade, essa bicha danada, não morre nunca, mas não vê beleza nem num dia de sol. Esse ano ano foi desses.  Das coisas boas que fiz ao meio ao meu caos interno: li muito. Brindei muito. Amei muito.  Chorei muito também. Sempre silenciosamente, nunca aquele choro represa que saí e lava a alma e leva com ele tudo o que de ruim se acumulou. Foram lágrimas de desesperança.  E não pensem que só pelas coisas de fora. Essas também me afetaram....

Aquela Zica de fim de ano

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Nem sempre foi assim. O fim de ano era tempo muito esperado. Tinha a magia do Natal e dos preparativos. Era um tal de fazer biscoitos, ir em busca de musgo para o presépio e imaginar o que o Papai Noel ia trazer de presente a cada ano. Desde que não viesse junto. Um ano ele veio e era feio que só. Não era gordo e bonachão como nas revistas (não tinha esta coisa de shopping naqueles tempos e o bom velhinho a gente só via em propaganda das revistas). O que veio era magro e com uma máscara esquisita. Chegou todo cheio de mau humor o coitado. Já devia estar cansado de tanto dar presente e fazer sermão. Veio com uma vara de marmelo como se apanhar fosse coisa comum para mim. Não era. Chorei muito. Quase como naquele filme da Branca de Neve quando a bruxa apareceu e fez a Branca dormir com tempestades e raios. Na verdade chorei menos que no filme que estava de olho nos pacotes e era só esperar o magrelo ir embora que tudo virava festa de novo. Natal era tempo de calor. De...

Procurando palavras

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Todo ano gosto de eleger uma palavra para me nortear no ano que começa. Não é como uma resolução de fim de ano, não me sinto na obrigação de segui-la ao pé da letra. Aliás isto de seguir gurus ou ideias não faz parte de minha vida. Sigo o coração. E olhe lá. Mas a palavra escolhida serve meio de norte, um rumo que parece entrar dentro de mim. Essas palavras foram aparecendo. Não precisava procurar muito, elas pareciam estar ali na esquina me esperando. Já passei pela desvirtualização , pelo desapego , pelo reciclar-me , pela renovação . Mas e agora, qual palavra escolher ? Tantas necessárias. Tanto rumo a percorrer. Tanto a me encontrar. Só sei que nada sei se torna cada vez mais constante. Parece que os anos me vão derrubando certezas e convicções.   Me vejo mais expectadora. Fui brincar de procurar e achei esta palavra em um teste da web. Fascinação. Tudo o que ando precisando sentir. Por algo, pela vida, por mim.   fas·ci·na·ção  (fr...