Rescaldos de 2021

elenara elegante

Desde que comecei a fazer cursos de escrita criativa tenho escrito menos. Talvez tenha ficado mais crítica em relação aos meus textos, talvez já não sinta a mesma necessidade de catarse de me expressar através das palavras. Não sei, ainda me analisando.

Este ano que finda foi (mais) um ano de análise e observação. Interna e externa. As vacinas, e a consequente diminuição da mortalidade na pandemia, me deram um pouco mais de alívio para me concentrar em leituras e cursos. Se 2020 foi um ano de música e séries, 2021 foi de reestruturação de energias.

Entre perdas imensas pessoais e do mundo, emerjo diferente. Não há como encarar a perspectiva da tragédia e continuar igual. 

Não fiz coisas grandiosas. Ajudei de modo formiguinha. Administrei ódios e rancores para que eles não fizessem de mim alguém tão odioso quanto os que abomino. Administrei carências ancestrais que me faziam mais idiota que a alma generosa que imaginava possuir. Me tornei mais a mulher de meia idade que teima em se enxergar tão mais jovem na imaginação criativa de minha mente.

Das coisas que fiz nesse ano que finda guardo memórias rotas. Uma abraço, uma palavra carinhosa, poucas linhas e muitos podcasts. 

Enfim me rendi aos podcasts. Eu, que sempre amei rádios, não os escutava. Sei lá por qual pré conceito. História, filosofia e notícias são os meus preferidos.

Adiantei as resoluções do ano novo e já estou exercitando a persistência em me cuidar. 2021 me trouxe adiposidades que se refletiam nas roupas e em uma barriga menopausica pronunciada. Acrescida à voracidade de comer generosas doses de salgados e bons vinhos, me fizeram mais roliça e com um problema financeiro a mais: as roupas encolheram de maneira diretamente proporcional à minha capacidade de degustação.

Uma live com um amigo médico me deu o start: ele me apresentou o seu método de treinamento funcional. Entre eles uma aplicativo para contar calorias, copos de água, quantidade de proteínas e exercícios feitos.  Para mim funcionou super bem. Foi como reatei o velho hábito de pedalar a esquecida bike parada. Quarenta minutos diários, seguidos de alongamento. Vendo uma magnífica vista e escutando podcasts. Para quem sempre foi magnificamente sedentária, podem acreditar, é uma baita conquista.

Aliado à conscientização de como e porque comia. Ao contar, sem paranoia, as calorias ingeridas, fui me dando conta do que era fome real e do que era ansiedade de comer. E passei a escolher alimentos bem mais saudáveis. 

Interessante é que acordar cedo, tomar um bom café, pedalar e escutar coisas interessantes, me deixou bem mais ativa para começar o dia. Sei que isso é chover no molhado para aqueles que fazem isso rotineiramente, mas para quem não fazia, foi uma grande achado. Coloco entre as conquistas de 2021.

Ainda não sei o que vou listar como metas de 2022. Mais provável que não o faça. Ainda não. Vou me deliciar com musica, com a natureza vista da janela, aprender que as viagens se fazem antes de tudo, internamente. E tentar sobreviver de maneira digna sem perder a sensibilidade. Talvez já seja uma meta ambiciosa.     

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