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Fechada para balanço

Este 2019 não foi um ano fácil. Não apenas pelo que acontece lá fora, das terríveis consequências de uma (extrema) direita volver na sociedade e de ver amigos defendendo coisas indefensáveis. Este ano foi terrível dentro de mim. 

Foi ano de perdas. Pessoas muito especiais se foram. Uma de maneira abrupta. Outra se foi indo, de morte anunciada, dessas que a mente racional te avisa feito apito estridente e tu não quer acreditar mesmo assim.

Lidar com o luto não é fácil para mim. Não é para ninguém na verdade. Acho que tem gente que disfarça melhor. Eu perco a luz, fico num misto de lembranças bonitas introjetando as pessoas dentro de mim, com uma puta falta e desesperança. É como se o baile fosse se esvaziando, uns partindo na frente. E eu ficando aqui, sabendo que logo chegará a hora de ir também. 

Essa mistura de incertezas e inquietações aliadas ao passar dos anos me trazem mais questões e menos certezas. 

Sempre tive muita facilidade para compreender o ponto de vista alheio. Uns chamam de empatia. Eu as vezes apelido de esponjinha. Minhas convicções em valores não mudaram, mas já não tenho o mesmo ímpeto em defender custe o que custar o que acho sobre. Me pego olhando algo que está causando, chego a elaborar um pensamento tipo desses que pode virar textão. E deixo de lado.

Necessidade de limpar a mente. 

E nos últimos dias deixei livros e séries de pensar. Quero mais é jogar paciência, brincar de reformar na tela do tablet, não falar. Fiquei mais arredia. Preciso fechar para balanço.

Um pouco. Uns dias. O tempo que for necessário.

Este ano que começou com golden shower e termina com energúmeno está mexendo demais com a minha sanidade. Só espero não ter saudades dele em 2020.  

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