O MAPA e a rota do coração



Existem mapas externos que guiam rotas. Estes que a gente desfralda para percorrer o desconhecido.

Existem mapas internos que apontam rumos. Estes que a gente necessita rever e refletir todo tempo.

Existem MAPAs exames que mostram como o corpo reage à tudo o que a Vida faz em nós e o que fazemos com ela.

Venho de uma família de hipertensos por um lado. E de outro lado meu DNA se divide entre pessoas zens que sofreram de câncer e  pró ativos que vivem muito com boa saúde, fora os que morrem nas revoluções.

Saber a herança genética não deve ser como uma foice te apontando o inevitável, mas como um ponteiro que te previne e alerta para que tomes providências.

Fazer exames periódicos com cardiologista vascular faz parte dessas precauções. E um dos exames que revela como anda a circulação do sangue é o tal de MAPA que mede a pressão durante um dia inteiro.

Além do incomodo do bip alertando que o aparelho vai funcionar e ter que parar tudo o que está fazendo para deixar o braço parado, tem aqueles fios enrolados na gente dando uma sensação de claustrofobia eterna, como se fossemos transformados em Borgs* (quem é fã de Star Trek vai me entender) monitorados.

Não dá para tomar banho, não dá para se vestir decentemente para se achar gata e não dá para dormir direito já que, além de ter que ficar só em uma posição, o negócio funciona de 20 em 20 minutos....e pior que isso é a gente perder a noção da hora e ficar esperando o braço apertar a toda hora. Que nem aquela piada da mulher que chegava todo dia no apartamento de cima fazendo barulho no salto alto e quando não faz, a gente não dorme esperando que sim, faça. 

Tenho ainda um motivo maior para ficar muito tensa com este exame. Quando meu pai teve um choque hipovolêmico** em 2005 eu estava fazendo o MAPA. Enquanto ele vomitava sangue, na chamada da emergência, ouvindo o médico dizer que ele tinha tido uma parada cardíaca, na ambulância que corria com a sirena ligada, na espera na madrugada para saber se. Não, não consegui terminar o exame. Imaginem a tortura de passar uma noite esperando um telefonema e rezando para que não viesse e aquilo te lembrando da pressão a toda hora. Talvez tivesse sido interessante para saber como a minha pressão reagiria numa situação limite (naquela época eu não tomava medicamentos).

Na segunda vez que fiz, a pressão subiu a 16x10 assim que entrei no hospital para tirar o aparelho. Já tinha passado por anos de experiências nas CTIs e meu corpo ainda reagia. Como reage até hoje ao ouvir sirenes de ambulâncias. Sempre sei o que as pessoas lá dentro estão sentindo. Sempre faço uma oração desejando que tudo corra bem. Sempre meu coração se estreita.

Não sei o que este exame vai revelar. Talvez um acerto nos remédios. Ainda posso pagar um plano de saúde, não aquele maravilhoso que paguei toda a vida e nunca usei, mas não posso me queixar. Ainda posso pelo menos tentar prevenir meus rumos. Os internos.

Os de fora, só o tempo vai dizer.




*A Coletividade BORG, é uma civilização imensamente poderosa de humanóides, habitando o quadrante DELTA da Galáxia. Os BORG operam conquistando mundos inteiros e assimilando as civilizações e tomando seus avanços tecnológicos. Possuem implantes com dispositivos cibernéticos, com grande tecnologia de combate. Cada Borg se conecta a uma rede de comunicação através do subespaço, que dota a cada membro de vigilância constante e guia, convertendo-se em uma consciência compartilhada com o coletivo, onde a idéia do individuo é um conceito sem sentido, nesta forma de existência da coletividade Borg. Fonte USSVenture
**O choque hipovolêmico, também chamado choque hemorrágico, é a principal causa de morte de vítimas politraumatizadas (acidentes, quedas,etc), é ocasionado por uma diminuição do fluxo sanguíneo proporcionando uma perfusão tecidual diminuída e lesão celular irreversível, isto pode levar a falência do sistema circulatório. Ele pode ter origem por uma desidratação, queimaduras e por severas perdas sanguíneas. (Wikipédia)

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