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Os heróis de carne e osso são criaturas complexas

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Terminei de ver a série Transatlântico que trata do resgate de intelectuais alemães que viviam na França ocupada em 1940. Não conhecia a história e como sempre faço em qualquer filme ou série histórica, vou pesquisar. Minha técnica de aprender história. Entre a versão apresentada, que passa por adaptações de enredo, condensação de fatos e liberdades poéticas e artísticas, existe a realidade que também é complexa e passa por várias versões. Por isso gosto de ir atrás de dados e fatos. Resumindo sem spoilers (o único é que o nazismo foi derrotado, na época...) a série mostra o trabalho do Comitê de Resgate de Emergência chefiado por um jornalista e intelectual americano chamado Varian Fry .  Varian Fry Durante os 13 meses de Fry em Marselha, ele conseguiu resgatar 2.000 pessoas, incluindo uma lista escolhida a dedo das estrelas mais brilhantes da cultura europeia — Hannah Arendt, Marcel Duchamp, Marc Chagall, Max Ernst, Claude Lévi-Strauss e André Breton, para citar alguns. Até rece...

Faz de conta que há liberdade de pensamento

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14 de julho, dia da liberdade de pensamento. Ou seja, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu artigo XVIII, "todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, consciência e religião".  Pessoas morreram e morrem pela defesa de poder ter liberdade de pensar, de crer, de ser. Os revolucionários de 1879 tomaram a Bastilha e mataram o rei para bradar sua indignação. E o sangue correu solto naquilo que hoje brindamos como Liberdade, Igualdade e Fraternidade nas festas francesas. Lembro meu pai ensinando a cantar a Marselhesa com orgulho, aquele hino guerreiro que chama à luta. Ele mesmo filho do outro homem que vociferava contra as artimanhas de eleições arranjadas onde, não apenas poucos podiam votar, como muitos recebiam as cédulas prontas, com os candidatos que deviam ganhar por força da força.  Aqui nesse país sempre se prezou pelo faz de conta: faz de conta que a gente vota, faz de conta que ditadura é democracia, faz de conta que racis...

Resistência ao vazio

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Mais das vezes me espanto com a palavra dita nos dias de hoje, não tanto porque se pense assim, mas pela coragem de expor tanta sandice. Parece que vivemos no tempo em que o bom senso se rasga e qualquer assomo de opinião se faz de verdade absoluta. Com o agravante de que os tempos virtuais facilitam a reunião dos bandos e as bolhas algoritmicas  nos fazem pensar que somos mais maioria que realmente somos. Nada contra a diversidade. Muito antes pelo contrário, tudo a favor. Sem a diversidade não há crescimento. Sem que me contraponham conhecimento e argumentos fundamentados , não coloco os meus em cheque. Há que debater muito. Há que rebater e crescer.  Mas,e nunca, há que se esquecer de que humanos somos. Que da poesia nascemos todos e que a sobrevivência por si só não explica nossas agruras. E há que combater as trevas, seja lá como se apresentem. O que diz que o dia é noite. Que a curva é absolutamente reta. Que o fato, mais que versões diferentes, não aconteceu. H...