Gente madura também ama com paixão

Caminhavam pela alameda. 

Um de cada lado, olhando as flores e brincando com o passado. Um pássaro voou, uma folha caiu. O vento gemeu ausências.

Seus passos já não tão ágeis lembravam por algum momento dois jovens que encontraram possibilidades.

Dizer que a paixão passara seria mentira. Agora mesmo quando suas mãos se tocavam e seus olhares novamente se cruzavam, a corrente de energia os percorria e prenunciava as horas de amor que os aguardava.

Eram um casal maduro e estavam indo para um motel para mais um embate de glórias. Entradas e descobertas, tal qual bandeirantes desbravadores. Quem passasse por fora não desconfiaria o fogo em brasas nos corpos já não tão belos e nos cabelos que teimavam em embranquecer.

Mas os sábios de vida, esses sim! Esses olhariam com ternura e uma certa inveja de quem soube na vida preservar a chama do encontro amoroso. 

Os jovens apressados jurariam que eram um casal de avós indo buscar seus netinhos e que, da vida, só levavam esses momentos de encantos infantis. Um desses casais que a gente coloca em rodinhas naquelas festas de idosos em que animadores usam diminutivos para chamar. Senhorinha, levante os bracinhos! Senhorzinho, balance as perninhas. Como são cruéis os que ainda não chegaram na maturidade!

Mal sabem das audácias de quem já muito viveu e sabe que da vida se leva muito pouco. Nada que caiba no bolso vai com a gente. O que se viveu sim! Que se viva então!

Que se olhe com malícia e galhardia, que se jogue fora as pílulas azuis porque há outras motivações que fazem crescer as glórias dos céus. Que se busque em todos os sentidos o encontro mais pleno, aquele que não termina em um orgasmo. Ou vários. 

O momento do abraço, da risada mais gostosa. Da liberdade de se deixar ser inteiro, sem máscaras nem pudores.

Devagar percorrem os caminhos do encontro já antegozando em cada passo, os momentos em que deixarão fora da porta, as realidades, as lutas, os cansaços e serão apenas duas crianças grandes brincando de fazer amor.

  

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