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Mostrando postagens com o rótulo namorados

Presente inusitado no dia dos namorados

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Uma cuia e uma pacote de erva mate. O presente mais inusitado que ganhei em um dia dos namorados. Essa história tinha começado uns meses antes. Recém formada em arquitetura, fui numa festa dessas de amigos de amigos. Aquelas que a gente só conhece uma ou duas pessoas. De repente um jovem. Moreno, olhos pretos, pilchado.  Pilchado é como chamamos quem está vestido com as indumentárias gaúchas. Bombachas, bota, sotaque fronteiriço, daqueles de com os "ês" bem pronunciados. Falante, apaixonante. Terminamos a noite com ele me levando para casa, de moto. Sem capacete. Nem lembro se eram obrigatórios no início dos anos 80. Do século passado.  Me deu dicas de como ser carona em moto. Tipo um baile, segue os movimentos de quem conduz. Perto de um túnel, me disse, com um sorriso matreiro: "Queria agora te dar um beijo, mas aprendi que ao se fazer duas coisas ao mesmo tempo, uma não se faz bem". Obviamente não eram duas coisas que se devia arriscar fazer mal: conduzir uma mot...

Maritacas namoram na minha janela

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  Mais uma vez segunda feira e acordo com nuvens negras e muito barulho da natureza trovejando. Em meio ao prenuncio de tempestades, também ouço o som estridente de um bando de aves que voam em bando nesta época do ano. Especialmente quando chove, elas saem de antena em antena, de galho em galho, alegremente bradando a força de sua natureza. Sempre as chamei de caturritas porque são verdes. Mas, como tudo na vida, também a natureza não é feita de generalizações e sim de especificidades. Não sou expert em aves, apenas adoro vê-las e fotografa-las. Pelas minhas andanças no google, as mais parecidas com o bando que me acorda faceiro são as chamadas maritacas. Nunca tinha ouvido falar nesse nome. Mas pelo que li são aves gregárias e que gritam muito ao voar. As vejo de minha janela. Anos após ano. Voam faceiras, fazem malabarismos. E namoram. Existe algo mais renovador que namorar? Não falo apenas de transar, embora seja muito bom. Falo do floreio, da conquista, do olhar brilhando porq...

Soulmates ou o pedaço da laranja em um teste

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Entre escutar Fábio Jr gemendo palavras de alma gêmea-coraçãoooo e o dia a dia de uma relação existem algumas diferenças na vida, até mesmo de quem acha que encontrou a sua metade da laranja . Li certa vez, nessas leituras que adolescente adora, que a humanidade era feita de hermafroditas que desagradaram algum deus raivoso que, como castigo, separou aqueles seres em dois que, desde então, se procuram para promover a sua união perfeita. Sonhos de consumo, ideia fantasiosa, energias que se atraem, quem nunca procurou a sua metade em amores perdidos ou achados pela vida? E se existisse em algures um teste que nos colocasse em contato com a NOSSA alma gêmea? Eis o mote da série Soulmates (amazon prime). Mais que um aplicativo de encontros, uma promessa de achar a pessoa certa, aquela única que, em meio de bilhões de seres existentes no mundo, vai completar a nossa ansiedade de perfeita união. Parece bom, não é verdade?  Mas e se? Como no filme de Cartas para Julieta, a pergunta básic...

Alquimia do afeto

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Nos tempos sectários de agora fica difícil se falar em afetos.  O amor é algo meio incondicional, se exige reciprocidade, deixa de ser amor, vira obrigação. Aceitação.  Não necessariamente engajamento unilateral, mas aceitar o outro em toda a sua complexidade de ideias e convicções.  E apesar de, ainda assim, amar.  Mesmo que não amalgamando totalmente, mesmo que não junto, mesmo que não para sempre. Mas amar. Aceitar primeiramente sem tentar moldar. Sem encaixar a força o que não se molda. Amor começa livre, admiração pela personalidade, um olhar, um raio, um instigamento de luzes. Uma sincronia de momentos. Meteoro. Furacão. Liberdade. Desvir de pré conceitos. Viver de momentos. União. Como as mãos que amassam o barro para formar a cerâmica. Construção. Alquimia de quereres. Querer fazer o amor bonito. Querer construir resiliências de convivências. Moldar peças de intricada teia. Delicada. Tênue. Fogosa teia de possibilidades. Eternas possibilidades. Alquimica...

do mergulho

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Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito. Bertolt Brecht Tinha 15 anos na primeira vez em que apaixonou. Coisa de adolescente timida, tudo platônico. Era  suspiros, lágrimas e muitas confidências no diario. Foram precisos alguns amores, outras lágrimas e mais confidencias para que tornasse se apaixonar. Aos trinta. No começo, como dizia Caetano, era era só brincadeira e tesão. Foi quando o amor chegou, com todo o seu tenebroso esplendor,  que ruiu inteira.  Amava. Ja nada dependia de suas escolhas. Com outros tão fácil ser senhora. Agora, certezas ao pé do chão, estruturas em balanço e uma convicção esquisita que mais parecia posseira de alma que coisa que se domina.  Ela cada vez mais dele. Palavras antes escassas jorravam feito vertente sem que pudesse trancafiar. Nem queria. Ele todo cuidados e gentilezas como todo macho que quer copular. Devia ter um seguro para esses momentos de insensatez vitoriosa quando a vida irrompe, as barreiras cedem e se qu...

Amando na nuvem

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Girou o cálice de vinho nas mãos, pensando que, puta merda, acabou sozinha justo quando irrompeu a maior pandemia do século, quiçá do milênio. Trinta anos de casamento, outros tantos de namoro. Filhos criados, netos nos fins de semana e inventaram de mudar de rumos. Os dois.  Não era ruim. Mas também não era mais maravilhoso. Enfim, estava feito. Era fácil disseram as amigas já separadas. Sair na balada, olhar para os lados na academia. Tinha uma que tinha achado o namorado em uma corrida no parque.  Mas sem poder sair de casa. As redes sociais ainda em comum com o falecido. Restava então apelar para os tais aplicativos. Outra amiga, a mais jovem e descolada, sussurrou que funcionava sim.  Pronto. Instalado no smartphone que era tão esperto que até para achar um benzinho servia. Benzinho...era assim que se falava nos anos 70, tão luz negra, tão Bee Gees, tão musica lenta ou discoteca. Agora era ficante, segundo a filha, que falara piscando o olh...

Gente madura também ama com paixão

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Caminhavam pela alameda.  Um de cada lado, olhando as flores e brincando com o passado. Um pássaro voou, uma folha caiu. O vento gemeu ausências. Seus passos já não tão ágeis lembravam por algum momento dois jovens que encontraram possibilidades. Dizer que a paixão passara seria mentira. Agora mesmo quando suas mãos se tocavam e seus olhares novamente se cruzavam, a corrente de energia os percorria e prenunciava as horas de amor que os aguardava. Eram um casal maduro e estavam indo para um motel para mais um embate de glórias. Entradas e descobertas, tal qual bandeirantes desbravadores. Quem passasse por fora não desconfiaria o fogo em brasas nos corpos já não tão belos e nos cabelos que teimavam em embranquecer. Mas os sábios de vida, esses sim! Esses olhariam com ternura e uma certa inveja de quem soube na vida preservar a chama do encontro amoroso.  Os jovens apressados jurariam que eram um casal de avós indo buscar seus netinhos e que, da vida, só levavam ess...

Sem a metade da laranja no dia dos namorados?

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Cadê meu pedaço da laranja dá vontade de gritar a cada 12 de junho que se aproxima. Dia dos namorados sem namorado ou namorada é dose para gente com coragem. É anúncio, é alegria e amor estampada na cara da gente a cada rolar de páginas. Até cimento é apelo para se dar ao amor. Tem lógica, namoro concreto deve ser baseado em algo sólido. E para complicar inventaram de ter dois dias dos namorados por ano. Não contentes em importar bugigangas chinesas e o tal de ralouin,  trouxeram de Miami na mala o tal de dia da Valentina. Mas para ter mais charme, tem que revirar a boca e dizer Valentainez Day. E nós, os solitários por opção ou por omissão? Os que foram abandonados, os que abandonaram, os que encheram o saco, os que curtem estar sós, os que necessitam de algum tempo para se recuperar, para se encontrar, para viver? “Em que canto do corpo adverso devo ler minha verdade?” Roland Barthes A parceria é importante no aspecto biológico. Sem reprodução, babaus humanidade. Ent...

Fale seu amor para que ele perdure

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Estava arrumando umas coisas e achei uma folha escrita à caneta tinteiro. As linhas já meio apagadas numa folha daquelas bem finas que a gente usava para escrever cartas. A data? 12 de junho de 1967.  Quem não é desse tempo não entende. A gente não tinha whatsapp, nem email, nem celular. A gente escrevia a mão. E como o correio demorava, entre uma e outra correspondência, a gente escrevia muito. Longas cartas. As minhas tinham desenhos, recortes, cores, tudo o que pudesse mostrar para a outra pessoa o que a gente estava sentindo. Era tipo olhar o universo. A gente mira uma estrela, mas aquela luz pode nem existir mais nas enormes distâncias que atravessa para chegar até nós.  Assim eram as correspondências.  E por isso as folhas finas. Imaginem cinco, sete, dez folhas em um envelope! Sim!!! Eram textões! E como eram aguardados! A gente não se contentava com telegramas. Estes eram para as notícias urgentes, e normalmente elas não eram boas...."se fosse ruim a g...