Os livros que li

Rodeada de livros. Diria que minha vida poderia ser definida desse modo. Desde pequena rodeada de livros. Os mais diversos assuntos.

Contos de fadas, universos de outras terras. Rainha do gelo. Lindas princesas meninas chinesas, Diliki Doliki Diná que acenava com outras realidades.

Minha vida foi generosamente regada com imagens que se descortinavam dentro de mim. Nunca me foi negada a oportunidade de buscar e saber mais. Ao contrário. Isso foi fomentado desde sempre. O pensar, o contraditório, o debate qualificado que tinha que ter argumentos sólidos e razoáveis. Minha maior herança.

Os livros que li me abriram perguntas desde sempre. O universo é finito? Se o é, onde os limites? Se não, como conceber a amplidão do que não tem fim? A História como aprendizado aconteceu assim ou assado? As manchetes de jornais mostram de maneira diversa o mesmo assunto. Isso eram dúvidas e debates desde pequena.

Assim era minha casa. Cheia de mentes arejadas. Gente de bem, trabalhadores e que gostavam de ler. Opiniões firmes, mas nunca rígidas. Em nada. Não nos impuseram dogmas nem suas crenças. Mais que normas, nos ensinaram exemplos. E livros.

Livros sempre. Para qualquer assunto, antes do Google, havia um para pesquisar aqui em casa. Livros de história principalmente. Meu pai sabia mais a genealogia dos imperadores romanos e dos revolucionários franceses do que a dele. Minha mãe lia Krishnamurti e poesia. Ela virginiana racional, que nunca chorava. Ele pisciano emocional que chorava comigo até em propaganda de TV.

Da história aprendi que é vida de pessoas. Mais que exércitos, ideias perduram. Não é porque alguém escreveu algo que viralizou em algum tempo, que isso deva ser sagrado sempre. Tudo é questionável. E tudo é passível de ser lido, apreciado e analisado.

Os livros que li e continuo a ler me tornam a pessoa que sou hoje. Abominaria ter tido apenas uma visão de mundo. Ser doutrinada para aceitar A e odiar B, como se não pertencessem a um alfabeto mais completo.

O livro salva. Literatura, história, filosofia, aprendi que nem preciso sair de casa para viajar. O mundo se faz dentro de mim e nele voo.

Os livros que li são aquela parte que ninguém jamais me tira. A maior herança de meus pais. Uma das melhores lembranças de meu pai. Cada vez que pego um livro por ele sublinhado é como se estivesse de novo, e sempre, ao meu lado, me abrindo a visão de um mundo que muda e revoluciona. Mas sempre é bonito, complexo e deve ser visto e vivido com o olhar do leitor ávido de descobrir. E gozar.   

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