Aprimorando a escrita


Seguidamente vejo postagens em listas de arquitetura de pessoas que desenham plantas, seja em desenho manual, seja em programas cad e perguntam todos faceiros o que achamos do seu "projeto". Parece falta de humildade ou até soberba tentar explicar que um projeto arquitetônico não se faz com desenhos, por melhores que sejam. Há muito mais conteúdo, trabalho, respeito à condicionantes legais, simbólicos, estruturais que fazem do afazer arquitetônico algo mais que simples linhas. 

Lembrei dessa imagem ao fazer um curso on-line sobre escrita literária. Eu sempre gostei de escrever , e até achei que o fazia bem, até estudar um pouquinho a mais sobre o afazer literário. Santa ignorância! 

Ler bastante sempre foi meu maior contato com a literatura. Nunca me aprofundei em técnicas e planejamento sobre o que escrevia. Sou tão indisciplinada que não reviso nada que publico. Abuso de clichês, uso reticências como ênfase com total exagero. Dispenso verbos como estilo próprio. Misturo narradores, faço uma salada e tinha a pretensão de que as palavras que juntava em frases bonitinhas poderiam ter alguma relevância. 

Como em tudo na vida, escrever é um exercício de constância e esforço. Como um bom projeto, a ideia inicial nem sempre é a que se executa. No meio entre os primeiros esboços e a graficação final, existe planejamento, tentativa e erro, ousadia e poda. Muita poda. Nem sempre o excesso é mais. 

Como na arquitetura, a beleza de um bom texto muitas vezes está nos detalhes. Já li e conheço pessoalmente escritores que gestaram contos por anos. Reescreveram várias e várias vezes a mesma história. Trocaram palavras e expressões. Mostraram para pessoas de confiança, que pudessem dar aquela opinião sincera, aquela que vai além da educação e realmente ajudam o processo de aprimoramento. 

Não sei se escreverei melhor depois desse curso, mas com certeza serei uma leitora diferente. 

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