sábado, 27 de junho de 2015

Rótulos não me definem

O mundo, pelo menos o virtual, comemorou uma importante decisão da Suprema Corte Americana sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo em forma de avatares colorido. Prédios exibiram luzes, empresas se mostraram solidárias. É um marco. Sem dúvida. Devia ser normal? Lógico que devia. Mas não é. Para muitas pessoas vai continuar sendo um assunto tabu. Casamento e amor devia ser assunto de interesse das pessoas que se amam. Ponto. O mundo devia ser um local onde as pessoas se aceitassem. E quando falo em aceitação, falo da aceitação de si próprio em primeiro lugar. 

A vida é tão rápida e intensa que não se devia perder tempo em rótulos. Nós não somos uma coisa apenas. Por mais tribos que escolhermos, por mais gostos, ideologias, vontades ou roupagens que usarmos, somos muito mais que meras palavras.
FONTE

Pequena história sobre pré conceitos. 

Essa aconteceu comigo. 

Quando eu comecei a faculdade de arquitetura, uma parcela, mais cult, mais intelectualizada, gente que eu achava super bacana, me achavam tipo burguesinha. Talvez as roupas que usava. Uma vez ouvi de uma menina que eu tinha, na segunda feira, o cabelo que ela queria ter aos sábados. Pensei comigo que: primeiro era coisa genética. Meu cabelo é farto e bom. Mas tem um porém: eu cuido dele.

Passado um tempo, estágio começado, meus sapatos de salto foram trocados por tênis por pura praticidade. Um amor mal resolvido me levou a fazer uma permanente e meu chanelzinho virou uma leoa selvagem. Outra fantasia. Outra pessoa. Ops! Não! Mas foi o que acharam na época. Aquela turma que eu achava tão diferente, tão inteligente, tão "prá frente" veio enfim conversar comigo. E a frase que usaram foi fatal: "Agora sim, dá para falar contigo."
 
"Agora sim, dá para falar contigo."
Como assim???? Eu não tinha mudado nada por dentro. Uma vírgula! Era só a embalagem. E me dei conta que aquelas pessoas eram iguais às que criticavam. Elas julgavam pelo de fora, colocavam rótulos igual aos outros. E a aura da inteligência se desfez.   
Fonte: Ciranda da Diversidade
Nunca fiz parte de tribos. Sim, já rotulei pessoas, não sou perfeita. Mais pela intuição interna que pela roupagem externa. O que também não é desculpa, mas é o meu jeito de ser. sim, já voltei atrás e olhei algumas pessoas com outro olhar mais tarde. 

Sei lá, acho que o importante é a gente não tentar enquadrar os outros nas nossas verdades. Eles tem as deles. Deixar de ser sectária sempre foi para mim um desafio.
(sectário) relativo a seita; membro de uma seita; quem é inflexível em suas opiniões e ideias (Wikipédia)
Deixar de ser inflexível. Ser firme é uma coisa. Ser turrão, outra bem diferente. Ser turrão é não escutar, nem querer saber. Partir para o xingamento, partir para a agressão ao invés do argumento. Rotular quem pensa ou é diferente. Não olhar a diversidade como o que é: um elemento natural e benéfico na evolução humana. Não chegaríamos onde chegamos se todos fossem iguais, se todos pensassem igual.

Assim fico com as palavras que motivaram essa minha reflexão:
E quanto aos rótulos, que venham, pois eles não me definem - Sam Shiraishi

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Femina Sapiens

Uma vez, em priscas eras, a humanidade começou a pensar. Talvez tenha tido uma iluminação como no célebre trecho de 2001, uma Odisseia no Espaço. Talvez tenha sido em outro momento. Pode ter sido um homem ou uma mulher. Mas para a ciência oficial eram HOMO alguma coisa. Ninguém questiona porque homo é quase sinônimo de humanidade. 

Mas não seria mais justo e coerente se fosse um femina/homo sapiens? Ah! Bem coisa de feminista, afinal que diferença faz uma palavra?

Pois é, que diferença faz? Talvez nenhuma se a gente cresce com aquela imagem do homem que vira gente pensante vindo do primo quadrupede. Se a imagem que vai para o espaço é de um casal onde quem acena? O homem. Se a história da humanidade é contada como se a mulher tivesse uma atividade acessória. Mas nem sempre foi assim.

Basta olhar com olhos mais abertos para saber que há várias referências à posição mais soberana do poder feminino. As Deusas se não eram prevalentes, viviam em pé de igualdade com seus parceiros masculinos. Livros como O Cálice e a Espada e Femina Sapiens mostram isso.

Assim, quando você ouvir a expressão mulher sapiens ou femina sapiens pode até discordar politicamente de quem a usa. Mas pense até que ponto você está reproduzindo velhos e gastos pré conceitos. E sugiro também que dê uma olhada nesse slide abaixo que versa sobre a História Universal Feminina.
       

domingo, 14 de junho de 2015

O essencial para crianças e idosos

Alma vasta em vida breve
À medida que os anos passam a maturidade cobra seu preço. Maturidade significa ser responsável pelas suas escolhas. Mas mais um pouco. Não sei se acontece para todos, mas mulher tem uma alma meio de mãe. Mesmo nunca tendo parido como eu.

Hoje li e vi duas coisas que me fizeram pensar. Primeiro uma manchete na internet sobre os idosos e a sua incapacidade de mentir. Tá, não era bem assim, era tipo: "idosos não mentem". O que não é o mesmo, mas é quase igual como diria o Chico. O de Holanda para quem não referenciou. 

Sei lá as mudanças são tão rápidas que mesmo o Chico que era unanimidade acaba sendo esquecido. 

Voltando, idosos perdem a capacidade de mentir. Sabe que faz sentido. E me veio a mente que crianças e idosos se parecem tanto. Tanto um quanto o outro enxergam o essencial da vida. Adultos mais maduros vestem capa de responsabilidade, deixam que o essencial lhes escape da ponta dos dedos. Dizem nãos quando morrem de vontade de dizer sim. Dizem sins que seriam melhor se fossem sonoros nãos. Não podes tomam lugar da aventura e da pura alegria de ser.

A outra coisa que vi? Minha mãe, feliz da vida, compartilhando o iogurte com a gata. ECA! Lógico que corri para tirar e dei uma reprimenda. Olha eu em desvio de função. Olha ela triste porque a alegria acabou. Olha eu, me sentindo culpada porque tirei um pouco da alegria de seus olhos.

Crianças e idosos são sim parecidos. Mas diferem em um ponto essencial. Crianças tem a vida pela frente. Pelo menos em teoria. Sua palavra é esperança. Sua curiosidade é ingênua.

Idosos ao contrário, contam suas vidas por cada ano que vivem, por cada dia. Sua conta de chegada se aproxima. Seus medos afloram. A necessidade de ser feliz é mais premente. Diria urgente. 

E quando a alma sorri prá que fechar a luz? Prá que lembrar a idade se ela pesa? Prá que levar a vida a sério, fazer tudo que as regras mandam, se o fim será igual para todos?

A vida é breve. Mas a alma pode e deve ser vasta.    

sábado, 13 de junho de 2015

Pequeno conto dos dias frios


Mal muda o tempo e o termômetro faz aquela queda vertiginosa que imediatamente tem duas consequências: ponta do nariz envermelha e pés parecem pedras de gelo. Coisas que só voltam ao normal nos meados de setembro.

A mente divaga ligeira e corre aquela vontade meio pornográfica de buscar alguém que aqueça o corpo. Se der, a alma também. Mas correspondendo a primeira expectativa já serve no inverno. Estação em que as exigências, algumas pelo menos, diminuem.

Pensa em colocar um anúncio por aí: 

Procura-se quentão. Coxudo, nunca coxinha. Senso de humor é fundamental. Voz sedutora também. Pegador e apreciador de vinho. Inteligente, pelo menos para um papo cabeça básico. Requisito mínimos para uma sedução inicial. Nada muito complicado.
Não, não pensem que é apenas visando sexo. Até pode rolar que nada tenho contra, muito antes pelo contrário. Pode ser uma boa amizade, dessas de dar risada e ficar em silêncio junto. E esquentar o pé, lógico. Pensando bem, uma boa conversa acende a alma e a gente até é capaz de se esquentar inteira.

Inverno é foda, cara.

Dá cada ideia e nem se tem a desculpa dos hormônios do verão.