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Quando os relógios param

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Na estante da casa da minha tia tinha um relógio tão diferente dos normais. Era em vidro, revelando um mecanismo fascinante que mesclava com o barulho dos minutos passando. A casa da minha tia era um mundo a parte. Tinha uma geladeira sempre repleta de guloseimas. Quando falo repleta, é cheia de andares com vários recipientes uns sobre os outros. Tinha um sótão onde dormiam os filhos. Meninos de um lado, meninas do outro. Naquele sótão morava uma casa de bonecas apaixonante. Acho que vem dali a inspiração para tantos dos meus sonhos terem sempre um sótão de tesouros escondidos. Mas era na estante da sala, onde morava o relógio que me fascinava, que ficavam os enfeites que eu nunca tinha visto! Meu tio, seu marido, era navegante. Radio telegrafista do antigo Loide Brasileiro, passava temporadas em terras distantes e quando vinha, além de um novo filho, lhe deixava objetos de mundos então tão desconhecidos. O relógio era um deles. Relógios sempre exerceram em mim uma magia incontrolável....

Relógio das quimeras

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  "Lembra-te do anônimo da Terra Que meditando a sós com seus botões Gravou no relógio das quimeras: “É mais tarde do que supões” Cantares de perda e predileção (1983) - Hilda Hilst Leio bastante.  Não o suficiente, é verdade.  Mas mais que antes.  O antes do tempo não focado. O antes da mente embotada O antes do medo permanente Se faço um breve passeio no ontem Vejo folhas caídas, amassadas, largadas Vejo folhas jogadas e perdidas Se revisito o hoje e -se o faço, é porque sou eterna viajante mesmo no instante que escrevo Percebo folhas arrumadas Inquietas, é verdade Naquelas arrumações esquisitas Bagunçadas até Mas mesmo assim mais arranjadas Me observo sentada, meus dedos mais ágeis uma breve luz chega de lado Um relógio imaginário com ponteiros enfeitados teima em girar adoidado Ora devagar Ora apressado Nesse rodopio de taques e tiques eu bailarina Júbilo, memórias e mais Hildas Poetam-me na vã tentativa de afogar receios de fomentar coragens de apressar destinos...