Portal que leva a Paris


SeaArt imagem AI


Aquele dia que gera uma repetição de números 11/11 em que alguns místicos dizem que se abre um portal energético importante. E porque não? E esse porque é daqueles acentuados ou separados? Nunca sei. Também não me importo muito em saber, já que adorar gramática nunca foi meu forte.

Enfim, um sábado undécimo, chuvoso, onde tento retomar os meus bons hábitos de comer pastos para voltar a caber em manequins mais justos. Nem por vaidade, mas também. Mas para economizar porque tenho muita roupa me esperando e não estou a fim de desapegar.

Sou ruim de desapego. As coisas me completam e nem sempre me sinto mais leve ao dar aquilo que gosto. Às vezes sim, até porque curto esse lance de generosidade. Mas muitas vezes sinto uma saudade de coisas que tive ou de partes de mim que já não reconheço aqui e agora.

Sinto falta da Bichanina. É como se ela ainda estivesse aqui, fazendo parte da rotina. Como se colocar outra felina no lugar dela fosse uma traição há convivência de quase 14 anos.

Sim, sou fiel. Até demais, se isso for possível.

Sou meio boba muitas outras tantas.

Mas não foi para isso que sentei aqui. Foi para fazer um exercício de um livro que comprei na feira do livro desse ano. Escreva!* Se chama. É um guia de escrita criativa. E ando necessitada porque tem vários dias que sento, abro este diário do ano de 2023, coloco a data e fecho depois de um tempo por absoluta falta do que dizer.

O exercício: escolho 8 palavras aleatórias, em pares de duas. E procura quatro palavras que resultem delas.

Fogo e Palha = festa

Caneca e régua = trabalho

Rua e sapato = trajeto

Quadro e gata = saudade

Reúno:

Festa e trabalho = viagem

Trajeto e saudade = memória

Viajem e memória = Paris

O exercício diz para escrever algo sobre. Sobre Paris? Sobre a memória de uma viagem à Paris?

Sobre como caminhava na rua, com uma sapato apertado, que fazia o peito arder. Igual angústia sentira quando a gata se perdeu nas agruras do tempo. O trajeto para a veterinária com a felina agonizante fora dos percursos mais difíceis dos últimos tempos. Sempre achou que não seria capaz de enfrentar. Mas a vida tem desses desafios feito fogo em palha. A gente mede os temores com uma régua que nem sempre se mostra a mais verdadeira. Fora assim com aquela viagem à Paris. A ansiedade dos primeiros dias, era igual aos preparativos para uma festa. Pode-se pintar o quadro do que será, mas apenas a crueza da realidade condiz com a verdade dos sentimentos que despertam em nós. Tinha sido trabalhoso, exigira canecas de otimismo e angústias. Mas estar naquela cidade que era o sonho de seu pai, trazia-lhe memórias guardadas no íntimo e confirmavam que a sua trajetória estava correta. A gata e o pai que não mais estavam junto dela, agora faziam parte de seu baú de guardados tão especiais que a mantinham de pés firmes na rota, mesmo com sapatos apertados e pés doloridos.


(* o livro é de Pedro Gonzaga e Jane Tutikian)

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