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Mostrando postagens com o rótulo Livro

Lendo Valérie Perrin

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  Este ano comecei a participar do clube do livro da Unapi-UFRGS. A Unapi é a Universidade da Pessoa Idosa e proporciona várias atividades. Algumas presenciais, outras online, como é o caso do clube do livro. Uma das leituras do mês foi o livro Esquecidos de Domingo, da escritora francesa Valérie Perrin. O tema me pegou por falar de cuidados com pessoas que moram em asilos, as chamadas ILPIs, onde muitas acabam esquecidas pelos familiares que nunca as visitam. Especialmente aos domingos, esses dias em que a vida chama os mais jovens para várias atividades que são mais prazerosas do que compartilhar afetos. A leitura foi rápida e me pegou de tal maneira que comprei mais dois livros da mesma autora: Querida Tia e o mais famoso dela, Água fresca para as flores. A escrita de Valérie Perrin me pegou pela leveza com que ela trata temas densos. Ela fala de solidão, abandono, traições, morte e abusos, com suas consequências sobre as pessoas, de uma forma instigante, que vai permeando o mod...

Os Velhos - romance sobre as metamorfoses da vida

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  Acompanhar as histórias de dois irmãos, Pedro e Maria, já na casa dos 80 anos, com suas vivências, dores e descobertas foi o meu programa desse fim de semana. Uma viagem proporcionada pelos protagonistas do primeiro romance de Adeli Sell, amigo e companheiro na construção de livros e de propostas para um envelhecimento com propósito, desenvolvidas no Coletivo Metamorfose da Vida e no Movimento Sociedade sem Idadismo. Tive o privilégio de ler os passos iniciais dessa ideia. Ao ler a obra concluída pude perceber como o Adeli conseguiu mostrar os debates e vivências que temos aprendido com pessoas, relatos sobre a solidão do envelhecer, agravadas pelas ausências muitas vezes dos (e de) filhos. A preocupação sobre quem vai cuidar de quem envelhece. Também como o sopro da convivência intergeracional pode ser saudável para todas as idades. Tudo isso ao mesmo tempo em que se viaja por cidades e espaços reais através da visão dos personagens. Uma prosa leve e precisa que flui com natura...

Vergonha, memória e aprendizado

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Acordo madrugadas em pleno processo de desintoxicação de navegação virtual a esmo e duas coisas me penetram a mente. Uma, a leitura de um artigo de Helena Terra, Um copo de vergonha , que descreve a vergonha como um sentimento extremamente complexo, capaz de criar silêncios que evitam o reconhecimento de atos indignos e, assim, dificultam qualquer remorso ou reparação. Esse silêncio não é apenas ausência de fala; é uma forma de distorcer a memória, de manter inertes danos que, de outra forma, poderiam ser reparados. Fico a pensar em minhas próprias vergonhas e nas dos tempos sombrios que ora vivemos, quando narrativas de luta por direitos humanos, proferidas por notórios detratores destes, chegam a causar engulhos pela distorção de atos e fatos sobejamente conhecidos, até porque vivenciados em minha história e na história de nosso país e do mundo. Sigo a saga da noite com a leitura de Nada será como antes , romance de Andreia Schefer , recém-iniciado dias atrás. É uma leitura que atra...

O Resgate da Obra de Archymedes Fortini por Adeli Sell

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Resgatar a obra e as crônicas do jornalista Archymedes Fortini é o tema central deste livro , escrito por Adeli Sell, professor, escritor, político e profundo conhecedor de Porto Alegre, sua história e suas potencialidades. Adeli, que teve o privilégio de conhecer Fortini pessoalmente e era amigo de suas netas, se encantou ainda mais com a rica trajetória do jornalista ao se deparar com o Largo Archymedes Fortini na cidade. Intrigado pela figura quase esquecida de Fortini, mergulhou em sua história, reconhecendo sua relevância para Porto Alegre e decidindo compilar suas crônicas em um livro que busca resgatar sua memória e apresentar sua obra a um novo público. Quem foi Archymedes Fortini? Filho de imigrantes italianos, nascido no continente africano, Archymedes se destacou como jornalista, cronista e benfeitor da capital gaúcha. Adeli nos oferece pinceladas da biografia e da atuação deste jornalista que marcou época no Correio do Povo , onde trabalhou por impressionantes 65 anos. Ele ...

Coisas da Arca da Velha - Celebrando a Maturidade e os Tesouros da Vida

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Coisas da Arca da Velha não é apenas um livro. É uma conversa íntima, uma mão estendida que nos convida a explorar os pequenos grandes tesouros acumulados ao longo de uma vida. Escrito por Regina Freitas Silveira, esta obra é um hino à maturidade feminina, um resgate das memórias, reflexões e histórias que habitam cada mulher que viveu intensamente. Logo ao abrir suas páginas, somos recebidos por uma arca repleta de versos, narrativas e reflexões que parecem falar diretamente ao coração. A proposta da autora é clara: transformar experiências de vida em poesia e convidar suas leitoras a fazerem o mesmo. Com uma estrutura fluida e sem regras rígidas, o livro incentiva o leitor a mergulhar nos textos de maneira intuitiva, como quem vasculha um baú antigo e encontra relíquias inesperadas. Regina escreve com uma linguagem que é ao mesmo tempo poética e acolhedora, trazendo humor e sensibilidade para temas complexos como o envelhecimento, a perda e a autodescoberta. A arca que ela nos apre...

Enchente: Uma coletânea em prosa e verso — Uma reflexão poética sobre dor, esperança e resiliência

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Quando as águas invadem, arrastam mais do que casas e bens materiais. Elas levam memórias, sonhos e, em muitos casos, a segurança emocional das pessoas. Mas, paradoxalmente, também deixam marcas de solidariedade, resiliência e uma vontade inabalável de reconstruir. É exatamente essa dualidade — o dilúvio físico e emocional — que "Enchente: Uma coletânea em prosa e verso", da Editora Bestiário, captura de forma magistral. Com uma linguagem ora poética, ora visceral, esta obra é mais do que uma homenagem à tragédia das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024. Ela é uma carta aberta às dores da humanidade e um grito de alerta contra o descaso que permitiu que essas águas se tornassem tão avassaladoras. Em cada conto, crônica e poema, os autores dão vida a um mosaico de sentimentos e reflexões. Alguns textos mergulham na devastação: as águas invadindo espaços íntimos, transformando o cotidiano em ruínas. Outros exploram as histórias de resistência, as mãos que se est...

Características da Poética de Elenara:

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  Aqui uma análise sobre alguns aspectos marcantes da poética de Elenara Stein Leitão. 1. Temática da Feminilidade e Introspecção: Vivências femininas: A poesia de Elenara se concentra fortemente nas experiências e reflexões de uma mulher madura navegando pelas diferentes fases da vida. Temas como amor, desejo, solidão, medo, passagem do tempo e a busca por autoconhecimento são recorrentes em seus versos. Em "Agruras Enluaradas", poemas como "Ela toda maresia", "Nós mulheres" e "Lilith" exploram a intensidade emocional, a sensualidade e os desafios enfrentados pelas mulheres. Já no blog "Elenara Elegante", textos como "Eterna equilibrista entre o real e a magia", "A busca pela resposta" e "Saindo do casulo" evidenciam a busca por sentido e a transformação pessoal em meio às adversidades da vida. Tom confessional e reflexivo: Seus poemas frequentemente assumem um tom confessional e intimista, convidando ...

Portal que leva a Paris

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Aquele dia que gera uma repetição de números 11/11 em que alguns místicos dizem que se abre um portal energético importante. E porque não? E esse porque é daqueles acentuados ou separados? Nunca sei. Também não me importo muito em saber, já que adorar gramática nunca foi meu forte. Enfim, um sábado undécimo, chuvoso, onde tento retomar os meus bons hábitos de comer pastos para voltar a caber em manequins mais justos. Nem por vaidade, mas também. Mas para economizar porque tenho muita roupa me esperando e não estou a fim de desapegar. Sou ruim de desapego. As coisas me completam e nem sempre me sinto mais leve ao dar aquilo que gosto. Às vezes sim, até porque curto esse lance de generosidade. Mas muitas vezes sinto uma saudade de coisas que tive ou de partes de mim que já não reconheço aqui e agora. Sinto falta da Bichanina. É como se ela ainda estivesse aqui, fazendo parte da rotina. Como se colocar outra felina no lugar dela fosse uma traição há convivência de quase 14 anos. Sim, sou ...

Reversos sentimentos

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As redes sociais tecem caminhos de encontros e descobertas tão ricos! Através de uma delas travei conhecimento com uma mulher admirável que reside tão longe da minha Porto Alegre. Pedi uma cópia de sua dissertação de mestrado. Ela gentilmente me enviou e começamos a trocar impressões. Eu me encantando com as paisagens que ela postava, ela curtindo com tanta generosidade as que eu compartilhava. Me compartilhou seus escritos, muitos frutos de desafios literários em sua região. Descobri uma escritora fascinante, com uma musicalidade criativa e bonita que me fazia enxergar sua terra e sua gente. Ela lançou aqueles contos em um livro e me convidou para escrever o posfácio, também uma experiência inédita para mim. Reversos Sentimentos é o livro de estreia de Romanilta Rocha , escritora e professora piauiense. Editado pela Life Editora com orelha de Francisco Miguel de Moura e prefácio de Jailson Klein.  Foi muito gratificante participar um pouco da história deste livro, ver a sua gesta...

A moça da limpeza de Lindevania Martins

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  Entrei no edifício onde faço pilates meio apressada, meio ofegante com o dia que se fazia quente no início do outono. Ouvi uma senhora entrando um pouco atrás e obviamente segurei a porta do elevador. A moça da portaria, imediatamente levantou de sua cadeira e veio segura-la, como sempre faz quando eu chego. Não raras vezes abre a porta para que eu entre, naquela gentileza de prédios comerciais. Agradeço e a senhora que entrava veio se juntar e subimos. Ela para em andar baixo, me olha através da máscara e me diz em voz ressentida e sibilante: " Ela abriu a porta para ti. Para mim  nunca o faz. Deve ser porque sou pobre. E tu deve ser rica. " E saiu, me deixando muito pensativa. Nada nela indicava uma pessoa em andrajos. Nada em mim indicava uma pessoa finamente arrumada. Mas havia uma diferença social que nela se traduzia por um tratamento desigual, menos respeitoso, menos educado, quase como se fosse transparente. Ou menos. Um zero a esquerda que não merece uma deferência...

Bonequinha de lixo e qual é mesmo o papel da mulher?

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  "em que espelho ficou perdida a minha face?" Cecília Meireles "Quem és? Perguntei ao desejo. Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada." Hilda Hilst Não a toa reuni uma série de leituras das décadas de 70/80 com o recente livro da escritora gaúcha Helena Terra. Mais tarde lhe digo o porquê. Bonequinha de lixo me enganou. Comecei a ler o livrinho com aquela malemolência que as frases, aparentemente leves, me indicavam ser uma leitura amena sobre o universo de uma menina com suas descobertas de mundo. Nada mais enganoso.  O livro é breve mas nada tem de superficial. Me senti como mergulhando em um jogo de relações (usando a expressão que Leonardo Boff usa para o universo) em que existe um crescente de percepções, vistos pelo olhar, ora inocente, ora irônico de uma guria que se percebe em um emaranhado de vivências, contradições e complexidades. Denso.  Um buraco negro que capta as nuances das relações que, não apenas envolvem a protagonista e sua família, mas enredam ...

Agruras Enluaradas - download grátis do meu livro de poesias

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  Poesias em forma de gritos, desejos, angústias e alegrias. Pedaços de mim que entrego a quem me lê. Agruras Enluaradas Vou adorar ler a opinião de vocês.

O coração pensa constantemente - reflexões sobre o luto e a vida

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  O coração pensa constantemente. E irradia  impulsos eletromagnéticos com uma potência que nos conecta ao universo. Não por acaso, escolhi uma frase de vida para começar a falar do romance de Rosângela Vieira Rocha  que se chama O Coração Pensa Constantemente . Contando a história de vida e morte de duas irmãs, purga sua dor com o seu próprio luto. Acompanhei pelas redes sociais muito desse seu processo pessoal e a dor pela morte sofrida de sua irmã.  "cada luto é único e nenhuma perda se parece com a outra. De nada serve ter frequentado essa 'escola', pois não há aprendizagem e muito menos diplomas. Ninguém está preparado para a morte." Luto. É quando o coração da gente soluça.  N ada aproxima mais os seres humanos que a dor de perder alguém amado. Nos dias de pandemia que vivemos, essa dor se multiplica pelos milhões que morrem e pela ausência sofrida que deixam em outros milhões pelo mundo. Foi com esse sentimento, entre o meu particular e o geral e mundial...

Não é melhor continuarmos imperfeitos?

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 A Nota Amarela e as impressões de leitora Antes que comecem a ler, já aviso que isso não é uma resenha sobre o excelente livro A Nota Amarela do Gustavo Czekster. São impressões de leitora. Em primeiro lugar devo dizer que sou super fã do Gustavo. Pessoa e escritor. Seus dois primeiros livros de contos me encheram a alma de leitora com deleites. Quando soube de seu primeiro romance, lá estava eu na fila de compras virtuais.  A Nota Amarela. Um desafio para quem cria. Talvez um desafio para todo ser humano. Aquilo que " se oculta na sequência das coisas e dentro de sim mesmo para assim trazer alento - e salvação a esse nosso mundo tão áspero ". Assim comecei a leitura, pela dedicatória, que sempre me toca. O livro impresso tem dessas magias de contato, de pegar, de sentir. Quase um ritual sensual de se apoderar das ideias e palavras que os autores lançam em suas obras e que, nós seus leitores, nos apossamos com volúpia. Ou desdém. Ou estranheza. Ou deslumbramento. Ou tudo iss...

Fui ver a Lua

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A Lua me fascina, eu que sou solar desde sempre. A ambiguidade entre a escuridão envolvente me carrega de viagens ao mistério. A poesia me envolve. Não é minha praia mais confortável, mas é nela que me encontro nos momentos mais intensos e é ela que me recarrega de energias de vida. A Eliana Ada me conquistou desde muito. Amiga dos tempos dos encontros de gateiras nos fotologs da vida, é dessas pessoas que ainda não conheço pessoalmente, mas que me mandou cartões a mão em plena era digital. É intensa e poeta. Militante e artesã. Amante dos animais e lutadora pelas causas sociais. Ambas amantes da lua. Nesse seu livro de poesias, encontro a vida através da Lua. São poemas de garra, são reflexões cotidianas, são pulsões de vida regidas pela dama prateada das noites e dias em que vivemos nossas vidas neste planeta terceiro que gira ao redor do sol.      Poesia para mim tem momento e ritual. Não é leitura de todo dia. E a cada vez que a leio, sinto de um jeito diferente. Tipo...