Os Velhos - romance sobre as metamorfoses da vida
Em muitos momentos tive a sensação de reencontrar, nas páginas do romance, conversas que há anos compartilhamos nas rodas do Metamorfose da Vida. Não porque o Adeli tenha transformado as reuniões em ficção, mas porque soube reconhecer que a literatura, quando observa atentamente a vida, acaba chegando às mesmas perguntas que a realidade nos impõe.
Essas perguntas ficam remoendo na nossa cabeça e formam um sentido no que parece uma exposição de fatos, mas é, na verdade, uma intricada teia de retalhos que abordam temas muito presentes de uma maneira muito clara. Fiquei me perguntando: se eu nunca tivesse ouvido falar de gerontologia, idadismo ou envelhecimento ativo, o que este romance me faria compreender sobre envelhecer? Cheguei à conclusão que me faria pensar muito sobre as consequências da solidão, da renovação de vida e das intensas belezas de todas as metamorfoses da vida.
Não por acaso tirei a foto do livro junto com a foto de meus pais. Muito do que o romance apresenta eu vivi ao cuidar deles. Reconheci dúvidas, medos, pequenas alegrias e, sobretudo, o desejo de continuarem sendo vistos como pessoas inteiras. Meus velhos, que detestavam que os chamassem assim, que apenas queriam ser vistos como pessoas e receber o afeto de saber que a vida vale a pena.
Sem spoiler, mas ele é um livro que resgata esperanças e acena com grandes voos. Talvez esteja aí um dos maiores méritos do romance. Ele fala sobre envelhecimento sem assumir o tom de quem quer ensinar. Conta uma boa história e, justamente por isso, leva o leitor a refletir sobre temas que muitos evitam. Quem nunca leu uma linha sobre gerontologia ou idadismo provavelmente terminará o livro fazendo perguntas que dificilmente faria antes de conhecer Pedro e Maria.


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