Adorar palavras difíceis. Aprendeu desde pequena. Tentar passar um raio x na alma alheia: também. Invadir a intimidade alheia exige muita responsabilidade. Há um quê de sutileza necessária para ir desafiando teias e véus e ir abrindo pedacinhos que outra pessoa teima em esconder. Primeiro porque não se sabe o motivo da defesa. Todos nós temos nossas feridas e nossos curativos emocionais. Pode ser uma fachada irônica, uma maneira mais fria e racional de trancar emoções. Pode ser uma falta de generosidade que esconde mágoas passadas e nunca resolvidas. Não importa, desembaraçar meadas de fios enrolados exige muita paciência. E determinação para lidar com as dores que daí advêm. Segundo que se meter em seara alheia sem ter a devida permissão é intrusão. E se não tiver muito, mas muito mesmo, amor envolvido, pode resultar numa grande lambança emocional. Abrir buracos negros pode não ter volta. Inclusive para alguém que está ao lado. ...
Certos dias nem deviam existir Deviam passar batido/moído de liquidificador Não marcar presença Nem querença na vida inteira da pessoa MAS NÃO Tem dias que se instalam posseiros nas profundezas do querer da alma. Ficam ali quietinhos/matreiros esperando a ocasião de fazer presença. Incomoda presença gritando bulindo como visita indesejada. Vai! dizemos Fico! grita mal educado como todo sentir doído Fico porque finquei bandeira delimitei fronteira queimei saídas Fico e alfineto quando me dão voz e vez
Quantos momentos insanos - resolvidos ou não - abriram fagulhas de solidões -tão eternas- escondidas em couraças de medos - atrozes/ancestrais - A vida fugia / ela via as portas abertas fechava porque latiam feito cães enfurecidos. As dores que moravam em sua alma eram eternas companheiras de lares antigos Doía Ela não queria ver Se arrebentasse as trancas a corrente afogaria Andei pelo mundo. Vi planícies e meus pés rotos caminharam em círculos. Sem destino A vida foi me levando em sua algibeira de couro e ouro. Andei pelo mundo e vi sorrisos e lágrimas. Senti ódios e amarguras. Repositórios de olhares. Sábios alguns Tolos muitos Corri montanhas/respirei agruras Vivi pouco. Mas muito Se me fosse deste mundo Agora Não deixaria rastros Meus pés percorreram areias e águas Mergulhei Tinha feitos de mangaba Cheirava doce e amarga feito limonada sem açúcar que vira chocalho de gente moça Perdição de alma trancada Tinha olhos de mormaço de dia quente malemolente secur...
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