Adorar palavras difíceis. Aprendeu desde pequena. Tentar passar um raio x na alma alheia: também. Invadir a intimidade alheia exige muita responsabilidade. Há um quê de sutileza necessária para ir desafiando teias e véus e ir abrindo pedacinhos que outra pessoa teima em esconder. Primeiro porque não se sabe o motivo da defesa. Todos nós temos nossas feridas e nossos curativos emocionais. Pode ser uma fachada irônica, uma maneira mais fria e racional de trancar emoções. Pode ser uma falta de generosidade que esconde mágoas passadas e nunca resolvidas. Não importa, desembaraçar meadas de fios enrolados exige muita paciência. E determinação para lidar com as dores que daí advêm. Segundo que se meter em seara alheia sem ter a devida permissão é intrusão. E se não tiver muito, mas muito mesmo, amor envolvido, pode resultar numa grande lambança emocional. Abrir buracos negros pode não ter volta. Inclusive para alguém que está ao lado. ...
Certos dias nem deviam existir Deviam passar batido/moído de liquidificador Não marcar presença Nem querença na vida inteira da pessoa MAS NÃO Tem dias que se instalam posseiros nas profundezas do querer da alma. Ficam ali quietinhos/matreiros esperando a ocasião de fazer presença. Incomoda presença gritando bulindo como visita indesejada. Vai! dizemos Fico! grita mal educado como todo sentir doído Fico porque finquei bandeira delimitei fronteira queimei saídas Fico e alfineto quando me dão voz e vez
Traço rotas pelo teu corpo São cheiros/toques/murmúrios Tua caneta me penetra Com certeira precisão Nas páginas abertas do meu sentir Juntos, escrevemos risos Suamos e aguamos desejos Letras vivas de histórias Memórias concretas de futuros Inenarráveis Somos renovados e o amor Se instala posseiro e passeante Numa brincadeira desbragada De delírios e embates amorosos Fecho o livro que escrevemos juntos Tua caneta e minhas páginas Se tornam promessas de mais fazer
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