Das podas necessárias

Imagem gerada no SeaArt


Amanheço com ganas de poda. 

As plantas que olho durante a semana, já adivinhando que estão minguadas por falta de seiva vital, me parecem necessitadas daqueles cortes onde nada mais viceja. Enquanto as corto, sem dó nem piedade, embora falando internamente que me perdoem, que é para o bem delas, etc, etc, sinto que nós também necessitamos podas de quando em vez.

Este nós de impessoalidade pode e deve ser trocado pelo eu da individualidade que aceita as escolhas vitais. Se eu mesma não me fizer os cortes necessários, a vida fará por mim. E talvez, tipo eu com as plantas, o faça sem muito critério. Eu mesma me conformando posso ser mais gentil.

Falando em gentilezas gosto da definição do Gil no seu instagram. “Adepto da bondade radical”.

Bondade radical. De raiz. Raiz tem que ser adubada para crescer forte. A bondade deve ser, portando, fomentada nas bases e também dirigida no crescimento. Ando em tempos de podar bondades e generosidade excessivas que até nelas há de se ter harmonia e discernimento. É como a senhora que é obrigada a atravessar a rua que não quer pela pretensa gentileza de quem se sente bem (ou na obrigação) de fazer um favor. Até na troca de gentilezas há de haver respeito e empatia.

Podar excessos é sábio e exige maturidade. Poda quem quer e quem acha necessário. Quem não quer que viva sem podas que há oxigênio para quem dele souber respirar.

A vida nos pede verdade. Nem sempre podemos escolher ser sinceros. Na verdade bem pouco podemos realmente escolher na vida. Nós, os mortais que vivemos de salários e honorários. O dinheiro é uma poda importante. Sem ele pouca sobrevivência. Ou talvez a verdadeira liberdade, sei lá. Assunto para filosofar em madrugada de bar, ouvindo música ao vivo e sendo feliz com amigos que filosofam conjuntamente.

As podas que fizemos nos trouxeram até aqui. Cada escolha podou outras possibilidades. Mas nos construiu em nosso arcabouço de integridades. Entre o ato de escolher, realizar e esperar os resultados passamos nossos momentos mais decisivos. A poda nos ensina a resolução e a paciência. O observar o tempo sabendo que não estamos passivos, mas cúmplices e artífices de nosso caminhar.

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