Não vamos deixar o samba morrer

 


“Quando eu não puder pisar mais na avenida
Quando as minhas pernas não puderem aguentar
Levar meu corpo junto com meu samba
O meu anel de bamba
Entrego a quem mereça usar “


Meu primo lembrou dessa música de Alcione quando comentava da alegria que sua mãe, minha tia, sentiria no domingo das eleições.

Não, não vou falar das vitórias e tristezas da vida na democracia representativa. Faz parte do jogo aprender a ganhar e perder. Assim como na vida, a gente amadurece quando deixa de culpar os outros ou quer mudar as regras do jogo a qualquer contrariedade, fazendo de nossas crenças o centro do universo.

Vou falar daquele sentimento que é comum a todos os seres humanos: a certeza da finitude. A morte física diante da qual, todas as mesquinharias tomam seu real tamanho: zero.

Todos já perderam alguém que amavam, que admiravam, que um dia, por doença ou fatalidade, foi embora para nunca mais. Nos deixando esse vazio, esse desamparo que toma o peito e invade a alma. 
Resta procurar dentro da gente aquela luz que plantaram. 

Não a toa luto também pode ser entendido como verbo. Luto de tristeza, luto de vida a se ganhar.

A vida é mais ou menos como uma corrida de revezamento. Os corredores vão levando o bastão, dando o melhor de si, até entregar ao da frente e aí sim, poderem descansar. E os corredores se revezam, mas o bastão permanece. Assim como o legado de quem nos precedeu.

Aos que se foram, nossa certeza de que ao carregar o bastão, não vamos deixar o samba morrer.

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