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Brincando com o corretor automático

Havendo uma vida chegando na casa da cunhada que não vai ser realmente uma boa companhia de sua vida.

Começou a brincar com o teclado de preenchimento automático para ver se a frase formada faria mais sentido que a inércia que tomava conta de seus neurônios. 

Quanto mais lia, mais nada parecia fazer sentido. Eram teorias que brincavam com seu espírito mais importante que não tem que ser bem interessante. Lá ia ela de novo, talvez palavras alheias fizessem algum sentido naquela coisa que o cérebro da gente teima em fazer quando não vê coesão em algo. Pareidolia ou algo semelhante que leva a tentar achar significado em algo aleatório.

Era um fim de semana tão bom. Fazia tempos que não sentia tanta leveza de ser. Não saberia dizer se foi o dia lindo e a impossibilidade de usufrui-lo, se foi a leitura do livro que deveria ser um potenciador de tesão, presente com intensas intenções do namorado da vez. Sabia que uma nuvem densa tinha se abatido sobre ela. Talvez até o vinho no almoço. Mas uma taça apenas não faria isso. Sentiu o sono que entrou como posseiro e quando
acordou o mundo era outro. 

Uma nuvem dark, não sei o nome certo para definir uma vontade imensa de não apenas ficar só, mas sumir do mundo. Deixar -se esvair no ralo do banho, colocar um manto de invisibilidade, voar pela janela. Usar uma borracha e se apagar feito rascunho mal feito. Deletar o programa. RESETAR 

Haveria de ser mãe e começava a leitura do livro que deveria ser um dos motivos para comemorar a data da história da tua casa. 

A casa. Refúgio de sua necessidade de passar os outros que não são de sua conta. Do local gostoso onde buscava abrigo, virou concha que engole tudo o que se passa. Virou polvo com tentáculos assustadores, daqueles que sugam a energia da gente. Sugava a dela. Uma armadilha sem possibilidade de fuga. 

Não era inerte. Tentava de tudo para respirar, sair do poço tormento que tecera em sua vida. Criava, amava, bebia, trepava.

Nada adiantava.

A casa tão feliz por tempos ainda exercia um fascínio das medusas e sereias. Era refúgio e túmulo. 

Tentava a leitura do texto do sempre brilhante e lúcido Prof que tanto a ajudara em outros tempos. Saudade dos tempos em que frases faziam significado dentro dela. 

Hoje não. Hoje dependia das palavras que a inteligência artificial colocavam na sua frente.

Mundo pequeno para ter uma resposta mais confiável para o super feliz ano novo, não sei o que mais me assusta, não sei o nome certo para definir uma vontade imensa de não apenas ficar com ele, não sei se vou conseguir chegar em casa novamente, não me enquadro a vida real. Talvez as frases formadas pelo teclado façam algum sentido mais plausível que o turbilhão que cresce dentro dela. 

Furacão de sua necessidade de voltar a se encaixar na casa vida que conhecia quando a gente se conhecia.
Se fazia sentido, nem importava. O que escrevia era mais um pedido de socorro que um texto bom sobre a decisão de passar por isso. 

Se fosse um avatar de game galáctico, seria a hora de passar de fase. 

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