Sobrevivência nossa de cada dia que desperta nossas feras

Acordo e leio a news da BBC no Telegram. Sim, uso muito o aplicativo e sem medo de vazamentos. Até porque tudo o que falo pode vir à público sem problemas. Entre as notícias internacionais, uma me chama a atenção.
 Urso que invadiu casa nos Estados Unidos escapa da polícia derrubando a parede da residência.
Muita empatia pelo urso. 

Imaginem o poder bélico da polícia americana atrás de um simples urso que invadiu terras que um dia eram de seus antepassados. Ou melhor ainda, não eram propriedade de ninguém que não lembro de ter liso sobre nenhum Deus no cartório delimitando terrenos. Com exceção talvez do povo escolhido por Jeová. Mas isso já é outra história.

O coitado do urso pode ter se perdido, ou ficado sem alimentos, já que os humanos invasores não só devastaram florestas, como parecem estar acabando com as abelhas que fazem o mel. Alimento, aprendi nos desenhos animados, que é o preferido dos ursos. Zé Colméia que o diga!

Sobrevivência. Mesmo com milênios de civilização nas costas, sabemos bem o que essa palavra e os atos que acarreta, significam para nós. 

Em nome da sobrevivência aguentamos sapos e desaforos. Uns menos e, conforme o grau de desobediência, pagam até com a vida. São os heróis ou bandidos, depende da versão da história. 

Os mortais mais comuns, tipo eu ou você, vamos levando a vida como dá. Apesar de coachs quânticos nos dizerem que basta ter método e ênfase nas crenças de poder que vamos chegar lá, a gente é meio como a Vivian de uma Linda Mulher, sabe que contos de fadas como Cinderela só acontecem em Hollywood. E mesmo assim o roteiro original previa que ela recebia a grana e ele ia embora.

A gente mesmo fica frio e segue em frente. Paga os preços necessários. Estresse, ansiedade, pílulas para tudo: dormir, acordar, não sentir, sentir, não ter fome...nossos corpos malham para soltar a adrenalina que nossos tatataravós usavam quando iam caçar ou lutar.  

Muitas vezes funciona. Somos vitoriosos de alguma maneira. Em alguma área. Às vezes não. O desafio é maior que as nossas forças conseguem carregar. A gente buga. Os circuitos internos parecem uma barafunda de fios desencapados. Mesmo sabendo que rumo a tomar e gritando mantras de gratidão e desintoxicação, as peças não se encaixam. Os sinais se mostram: pensamentos vorazes, distrações destrutivas, atos de sabotagem, tremores. FUGA.

Tudo o que a gente quer é fugir. Não sabe bem para onde, nem como. E mesmo que toda a cavalaria americana venha em nosso encalce, com Rin Tin Tin e tudo, somos capazes de derrubar paredes pois despertamos a besta fera que nos reside. A força uterina que ressurge sempre que a alma se encontra corrompida.

Não há Richard Gere com rosas na boca que nos salve se nós não nos salvarmos antes. 

Prevenção é não deixar esse ponto de ruptura chegar. 

Salvação é correr da polícia e derrubar paredes se for ultrapassado.

Se deixar pegar e morrer é que não dá.    

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