Caixa do nada - preciso urgente

Estou aqui tentando me concentrar no que escrever no blog e mil interrupções ocorrem, justo no momento em que a minha mente flexível é mais ativa - pela manhã. 

Vou tomar banho, acende a luz da criatividade e surgem as palavras. Saio do banheiro e já vem mil coisas que tomam minha atenção. Bingo! Quando sento para escrever, o branco se instala na mente e nem lembro mais qual o assunto principal, que dirá as brilhantes frases que o iam descrever.

Lembrei então de um vídeo que circula pelos whatsapps da vida. Um pastor com nome de comentarista de futebol falando das diferenças entre os pensamentos feminino e masculino. Segundo ele, as mulheres pensam em várias caixas. Ao mesmo tempo. Caixas de hoje, ontem e amanhã se fundem com a velocidade de uma nave saindo da atmosfera e fazem o mesmo barulho infernal dentro das cabeças da gente. Já os homens pensariam em uma caixa por vez.

Começam um assunto, terminam aquele antes de começar um novo. Isso explicaria muitos ruídos de comunicação entre casais. Tem a sua lógica. E é engraçado de ouvir.

Mas gostei particularmente de uma coisa que ele falou a respeito do pensamento dos homens. Eles tem duas caixas básicas. A do sexo e uma maior: a caixa do nada.

Chegam em casa e acionam a caixa do nada. Ficam 40 minutos, uma hora, bovinando, fazendo algo sem prestar muita atenção, focados na caixa do nada. Se tiverem passado pela caixa do sexo, muito melhor o efeito.

Eu, que me sinto como uma viajante em mudança, rodeada de caixas com múltiplos assuntos, nem todos organizados, que me pedem atenção continuamente, me sinto exausta. Não bastassem as minhas caixas, ainda me jogam as alheias em que tento achar uma conexão e organizar. Sem sucesso.

Preciso urgentemente de uns tempos na caixa do nada! Se tiver um bom sexo antes, muito melhor. Mas se não rolar, só ficar um dia sem precisar desviar minha atenção para outro assunto que não seja ócio criativo, já será muito salutar.

Mente insana
Colhendo moinhos
Moendo humores
Depurando horrores

Mente vazia
Jorrando ardências
Ansiando querências
Administrando urgências

Mente minha
que te quero pequeninha
embalada no cantinho
escuro das sofrências

Mente doente
carente do tempo
remédio das calmarias
perdidas na vida

Mente menina
velha nos cuidados
interrompida a toda momento
só querendo sobreviver

Mente urgente
Aguada de mistérios
irrompe a chave
Libertas antes que morra

Mente líquida
escorre lentamente
moída na incerteza
mergulhada na imensidão





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