mais uma segunda na era da maturidade

 


Papeis para arrumar me lembram que estamos naquela época chata do ano em que devemos prestar contas ao governo sobre o que ganhamos e gastamos. Ônus de viver em sociedade. Obviamente procrastino. Este ano mais do que o costumeiro.

As costas me lembram do peso que carrego, também consequência da maturidade. Decisões, boletos, resiliências e quilos a mais me lembram das proféticas palavras do primo quando eu era uma pequena de poucos anos que queria crescer. “Não queiras isso, vives na melhor época da vida. Um dia vais lembrar do que te digo”. Lembro, primo. Lembro sempre. Tinhas razão.

O copo vazio me lembra que não apenas devo levantar de tempos em tempos e caminhar um pouco, mas que devo ir buscar mais água já que somos absurdamente líquidos. Deus é água li em um amigo estes dias. Colega arquiteto que trabalha com nascentes nas cidades. Uma frase bombástica que nos pega de chofre. Achei que fazia sentido. Somos um tantão de água, feitos à imagem e semelhança de Deus, logo Deus deve ser muito água. E terra. E fogo. E ar.

As notícias que ouço no you tube me lembram que o rádio mudou, mas continua. Saber e pesquisar me fascinam desde sempre. Mente inquieta que não pode ser desafiada, passei algumas horas da manhã pesquisando a história da família de uma vizinha. Gosto de quebra cabeças. Gosto da história das pessoas comuns. Gosto de quem faz o mundo girar do jeito que pode e dá.

E os papéis continuam a me observar. Eu, mais do que nunca desorganizada. Eu, mais do que nunca observadora. Eu, repensando as heranças de exemplos e atos. Eu, mais do que nunca sobrevivente no encontro do que minhas escolhas me tornaram.

A segunda-feira me lembra dos recomeços. Dos começos. Das caminhadas que continuam. Os caminhos tem começo, meio e fim.São os ciclos da vida. Acompanham todos os seres do planeta. Trabalhar com a aceitação, embora dolorida, é também maturidade que a menina que queria crescer não entenderia. Não naquela época em que entender o nunca mais dos adeuses era por demais assustador.

A gata idosa mia, entre ansiosa e carente. A mão de minha mãe que aperta a minha com uma força extrema também revela carência. E medo. Medo do abandono. Medo do fim. Medo da mudança. Medo.

Também amor. Que amor também convive com o medo. Convive com desamor. Convive conosco e acaba sendo liga de vida que nos permite respirar e seguir em frente.

Os papeis do IR? Continuam esperando. Hora de buscar a água, caminhar, respirar e voltar a ser adulta.

Boa semana

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

amantes eternos (divagações com a IA)

Dos meus pertences

Das podas necessárias