Um domingo qualquer de fim de ano

 


Tenho escrito tão pouco. Tenho ouvindo minha voz bem mais. Explico: assumi o hábito bem-bom de caminhar ao sol de mãos e mente limpa. Minha vitamina D baixa e os ossos já ressentidos das décadas de vida pedem providências imediatas. Além deles, uma já quase persistente tontura, tipo um mundo pesado sobre a cabeça, me deu medo de algo sério no corpo. Ou na mente pós pandemia. O que de qualquer maneira não é saudável.

Caminhar só e sem lenço, nem documento, muito menos celular me faz respirar mais fundo. Ouvir os sons da cidade. Os sons da natureza. Os sons que brotam de mim.

Escrevo crônicas lindas que esqueço assim que volto para a rotina. As palavras fluem lindas quando caminho só no meio das árvores. Vejo ângulos que dariam lindas fotos que registro na minha memória de fotografa. Não para fotografar, mas para lembrar que a beleza está nos momentos mais distraídos da vida.

Leio que morreu Nélida Piñon e juro ter já escrito algo sobre ela, tanto que a pesquisei em frases e obras nos últimos tempos. Deve estar em alguma das que teci em minha mente porque não achei nos meus blogs. Fica o registro da imensa admiração pela mulher que, segundo ela mesma, foi chamada de alguém que lutava bravamente pelo que queria ao mesmo tempo em que era diplomata ao fazê-lo.

Uma brincadeira de rede social sobre o final da copa do mundo de 2022 me faz lembrar que minhas viagens andam poucas. As fotos da França e da Argentina datam da década de 90. Em Buenos Aires, em uma bienal de Arquitetura onde ouvi uma jovem arquiteta iraquiana, ainda mais teoria que prática que muito me impressionou. Seu nome: Zaha Hadid. Em 2004 seria a primeira mulher a receber o Pritzker de Arquitetura, o nosso Nobel. É do seu escritório o estádio Al Janoub onde vários jogos dessa copa aconteceram. Ela mesma não o viu pronto, já que morreu em 2016.

Escrevo bem pouco nesses tempos tão esquisitos talvez porque seja dezembro e sempre fico meio melancólica nesses dias que me lembram tempos mais felizes. Talvez escreva menos porque observo mais. Talvez as palavras não estejam maduras para sair às ruas. Talvez seja tempo de mais silêncio e menos verborragia. Talvez eu mesma esteja mais atônita e mais sábia. Ou com menos certezas a compartilhar.  

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