As brumas de Porto Alegre

"Avalon estará sempre ali para todos os que puderem buscar o caminho, por todos os séculos e além dos séculos. Se não puderem encontrar o caminho de Avalon, isso talvez seja um sinal de que não está pronto pra isso."
Marion Zimmer Bradley


Sempre que chegamos nesta época do ano em que os nevoeiros, aqui chamados de cerração, nos saúdam a cada manhã, lembro dos livros de Bradley. Li e reli os quatro livros da saga das Brumas de Avalon. Várias vezes. 

Os mitos célticos sempre me fascinaram. Um lugar algures em que a magia persiste e a sabedoria da Deusa predomina.

Mas olho para fora e as brumas daqui nem sempre guardam tanto mistérios como as escritas. Aqui a cidade acorda, envolvida por nuvens descidas dos céus. Tá, eu sei que nem deve ser essa a explicação mais correta, mas deixa ser poética dentro de mim. Por favor!

Ando carente de poesia. A realidade anda por demais crua para que prescinda de um fulgor de respiro. Há que se ter leveza mesmo quando tudo parece se dirigir a um abismo. Talvez essa fluidez me faça sobreviver sem muitas cicatrizes.

O nevoeiro cinza de fora me chama ao recolhimento como se fosse um chamado ancestral. Fique, diz minha alma carente. Fique, diz meu corpo dolorido. Fique apenas, sem questionar. Fique.

Mas...

A energia solar que me preenche desde sempre me grita VAI. Vai porque a vida urge. Vai porque sobreviver é preciso. Vai porque a realidade também pode ser poetizada.

Vai mesmo com brumas porque o mundo de magias pertence ao universo da fantasia onde as possibilidades mágicas coexistem com as vontades. Vai porque as brumas sempre se dissipam e as luzes brilham, mesmo quando encobertas. 

(...) Pois como os druidas sabem, é aquilo em que a humanidade acredita que modela o mundo e toda a realidade.
As Brumas de Avalon   

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