Novas rotas rompendo estagnações

 A verdadeira arte de viajar...

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Mário Quintana



Rompendo com a estagnação me diz a carta do tarot. Tudo bem que é jogo virtual como tudo o que fazemos hoje. Viramos nós as nuvens que confundimos com as ânsias de vida que nos percorrem. Nossas perguntas, nossas respostas todas viram dados em números binários. Será que se entrecruzam com outros dados em um metaverso já que o nosso se tornou tão virulento?

Romper com a estagnação diz a carta enquanto ouço a voz de Mario Quintana falando do desamparo do anjo Malaquias. A janela que enquadra o mundo já se torna prisão. Hora de romper com as estagnações, percorrer os mundos de fora.

Olho o globo, o mundo é vasto. Lembro que vou fazer 65 anos em 2022. Qual melhor presente que me dar uma viagem? Qual melhor maneira de romper amarras que deixar de lado o virtual e seguir passo a passo em outras paragens?

Para onde? Giro o globo. Talvez apenas isso, girar e deixar o dedo apontar.

E se cair no meio do oceano? Se pousar no Everest? Se acabar voltando ao lar?

Para onde ir?

Cabo verde aponta o dedo matreiro. Cabo verde? Nunca pensei em conhecer a Africa. Não sei nada sobre Cabo Verde. Mais fácil Holanda e Bélgica onde moram amigos queridos. Portugal com a mesma língua. Alemanha de onde partiu o avô missionário...

Uma rápida olhada no Google me mostra uma arquipélago com lindas praias. Colonização portuguesa, a língua crioula cabo/verdiana falada por lá não deve ser tão difícil de entender.

Quem quer se comunicar sempre dá um jeito, aprendi na vida.

Uma viagem começa por uma possibilidade. Diria mais, começa em uma curiosidade. Antes da decisão, há que se pesquisar. O que conhecer em determinado lugar? Qual o mês mais adequado? Qual a comida e os costumes. Como vive a gente de lá? Uma viagem começa bem antes da decisão. Bem antes de marcar passagens e hotéis. Há que se projetar. Não tudo que é preciso deixar espaço para o imponderável. Afinal viajar é se lançar ao mundo. Deixar o porto seguro, içar velas feito marinheiro que descobre novos mundos.

Sorrio ao pensar que, depois de dois anos de vida reclusa, imaginar o mundo assim tão aberto é alguma ilusão. Ou muita. 

A vida gira como o globo. Talvez nossas nuvens interajam com as nuvens virtuais. Talvez não.

Talvez a vida se faça de sortes ao acaso, como um dedo pousado em um globo determinando uma rota. 

Talvez eu me negue. Talvez eu me abra.

Talvez a derradeira viagem esteja ao meu lado, esperando para me embalar em seus sonhos de promessas nunca realizadas.

Talvez apenas esteja esperando que eu abra as portas e rompa as estagnações.

Talvez

Viagem futura

Um dia aparecerão minhas tatuagens invisíveis:

marinheiro do além, encontrarei nos portos

caras amigas, estranhas caras, desconhecidos tios mortos

e eles me indagarão se é muito longe ainda o outro mundo...

Mario Quintana


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