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Bondade e Gentileza

 

Elenara Elegante

"Somos todos irmãos" Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

Essa resposta da mulher, chefe de passaporte do consulado brasileiro em Hamburgo na Alemanha nazista antes do Brasil entrar na Guerra ao lado dos Aliados, sobre o fato de ter ajudado vários judeus a virem para o Brasil, nos mostra como o ser humano pode ser bom. Para conhecer mais essa história há um documentário no you tube chamado Esse viver ninguém me tira

Bondade e gentileza sempre foram atos normais do nosso cotidiano familiar. Agradecer, ser solícito e pedir por favor eram requisitos mínimos de nossa convivência diária. Mas pensando no Dia Mundial da Bondade, comemorado em 13 de novembro, não posso deixar de considerar que a bondade vai mais além de apenas saber conviver com harmonia. Bondade do coração é fazer o certo mesmo quando tudo nos tolhe. 

É muito fácil apelar às desculpas de praxe: não fui eu quem fez as leis, apenas segui ordens, não sabia ou fiz que não, posso correr risco se não obedecer. Mas há momentos em que não se pode ser omisso. 

Depois que a história tem o seu lado vencedor, é fácil tomar partido. Mas enquanto ela apenas é cotidiano e, por isso mesmo, não revelada em todo seu horror, aparecem as pessoas realmente boas. As que agem e nem querem os holofotes da história. Apenas a certeza de que fizeram o que deviam fazer. Seja não seguindo ordens estúpidas e desumanas, seja correndo riscos para salvar outro irmão. Mesmo que esse irmão não seja da sua família de sangue, nem seu compatriota, nem comungue da mesma fé. Ou seja, alguém fora de sua tribo.

Esses dias apareceu uma pergunta numa dessas redes sociais: o que você faria se Deus aparecesse em carne e osso ao seu lado? Uma grande questão filosófica que muitos responderam com gratidão, com reverência, com atos de fé. Sorri porque a primeira coisa que me veio frente à possibilidade de falar com Jesus, e sim, Deus apareceu para mim com a fé que me foi ensinada, seria a incrível oportunidade de debater sobre o livre arbítrio. De todos os ensinamentos bíblicos, além do amar a todos e não fazer aos outros o que não quero que me façam, a liberdade de escolha me fascina. 

Aí se revela para mim o verdadeiro sentido do ser ético. A escolha e a consequente responsabilidade por ela. Esse é o ser bom e ético que acredito resultar de alguém que crê um uma força superior. Eu escolho ser gentil e bom, não porque foi escrito num livro. Não porque uma instituição me rege, não porque leis me coíbem. Escolho porque nasce dentro de mim a convicção do que é o certo a fazer. Nem sempre o mais fácil. Nem sempre o mais prazeroso, nem sempre o que mais me traz lucros, felicidade ou mesmo segurança. Mas o que, dentro de mim, aponta como a rota que quero seguir e que me traz harmonia.

Então quando penso em bondade e gentileza, penso além do tratar bem as pessoas com quem convivo e comungo. Penso principalmente em agir para que todos os irmãos e irmãs, a humanidade, possam viver com dignidade e harmonia.   

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