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Somente os átomos são imortais

“um só dia de ardente e ansioso desejo, é igual a todo o tempo a que se pode estender a vida humana:”Pedrosa, Inês. “A Eternidade e o Desejo.” 

Fez-se a luz. 

Desço escadas, atravesso a rua, sinto o sol, quente e limpante na alma, paro no sinal, paro na dúvida, sempre a dúvida, sempre a pergunta, nunca a resposta. Tenho um caderno de respostas em aberto. Uma guerra.

Corro mais célere, a porta em aberto, o relógio correndo, a hora mais amarga. O tempo sem sentido.

A luz.

Estava ali. Em frente. Buscante.

Desejo. Procura.

Nada perdura enquanto forma estanque. Nem gente nem amor. Tudo se transforma enquanto vive. Tudo flui.

Corro mais apenas para sentir o ar que percorre meu corpo. Aprendo a extinguir a culpa. Seja de sentir prazer nas pequenas ou nas grandes coisas. Tudo é resultado de minhas escolhas, embora eu não seja uma deusa em potencial, posso mesmo assim ser dona e criadora do meu sentir.

Arrepio. Meus minúsculos pontos de união me pertencem, embora sejam também conexão com outros seres antes de mim. Sou um pequeno universo, composto de átomos eternos.

Imortalidade. 

Sou parte do que veio antes de mim. Embora só, eu plena. Embora imensa, apenas uma mulher que corre na rua em busca da vida comum, apenas sobrevivendo. 

Tentando ser feliz. Como der ou vier.    

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