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Leveza - memórias da pandemia


O mundo desmorona e estou fazendo máscara de clara de ovo no rosto para repor o colágeno. Sei lá se funciona, a crença já ajuda bastante. Se cuidar, se sentir bonita, respeitar pequenos rituais de saúde emocional ajudam a tornar as situações mais palatáveis.

Mudam? Não. Mas ajudam a enfrentar com mais energia.
Se não dá para mudar, contorno.

Lições do meu pai solar e da minha mãe pragmática (e poeta) virginiana.

Ontem foi dia de poesia, leituras sobre a Idade Média e uma live com sobreviventes do holocausto.

Vocês acham que estamos no caos? Nós, em nossas casas, muitos com comida e TV a cabo? Escutem quem perdeu tudo, família, infância, referências e continua de pé. Com suas dores e a vontade de esquecer. Mas não. Continuam falando para que não se repita.

Todos os que foram chacinados, os que foram torturados,os que não eram aceitos. 

Não pq fossem bandidos, mas pq eram negros, judeus, muçulmanos, ateus, cristãos. Mudam os tempos e os motivos, a maldade e a omissão humana continuam.

Benditos os que se importam. Não apenas com a suas famílias e seres amados. Mas com os que nem conhecem. Se importam pq são humanos.

E continuam a respirar, a ler poesias, a fazer poesia, a olhar o mundo com uma visão do que poderia ser enquanto não acontece. 

Benditos os utópicos. 

Os sonhadores e os que agem.

Hoje é dia de leveza.

Seguiremos existindo.

Apesar de vocês.

E rindo, e cantando, e sendo generosos e críticos. 

E nos dando as mãos. 

Sobreviveremos. 

E sempre seremos semente do amanhã.

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