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Para todos os que já amei


Durante muito tempo cartas e chaves me acompanharam. Nas cartas transbordava emoções, ditas ou guardadas. Nas chaves que desenhava, simbolizava as respostas que sempre busquei.

Desde pequena escrevi cartões e cartas. Primeiro ditadas para minha avó, que pacientemente as transcrevia no papel. Depois com garrunchos e desenhos próprios. Fui refinando para as elaboradas, com imagens e muitas cores, verdadeiros diários que trocava com amigas. Me correspondi com gente de fora, quando essa era uma maneira legal de treinar o inglês. Lembro de um menino escocês e de uma adolescente japonesa. Um dia vou tentar acha-los na web.

Sim, guardo cartas.

Guardo coisas e cartas.

Guardo.

Soube que tem um filme, baseado em um livro, onde uma jovem escreve cartas que nunca manda para os garotos que amou. Eu fiz isso muito. Um dia, por esses mistérios da ficção, as cartas são entregues aos destinatários e gera o enredo do filme. Fiquei aqui rindo sozinha ao imaginar o que teria acontecido se tivesse mandado as cartas que guardei. Olhando com olhos de hoje, seria o mico de ontem.

Imagino.

Mas e se...


Me lembrou outro filme, cartas para Julieta onde a trama mostrava como uma falta de resposta tinha marcado vidas. Mas na ficção sempre há lugar uma uma nova chance. Na vida também, embora nem sempre com a mesma pessoa.

O "e se" é daquelas chaves que ficam dentro da gente, apontando portas que nunca foram abertas, mas nos mostrando que não precisamos repetir velhos hábitos do passado. Que sentir e gritar é das coisas mais libertadores desde sempre. Que se a gente se machucar, que seja, que não existe jardim sem espinhos, nem amor sem clichês.

Então amores passados, obrigada por me fazerem sentir emoções, obrigada por terem feito parte da minha história. E se, por acaso da vida, receberem uma carta atrasada ou mesmo recente, a leiam com carinho e sorriam pelo tanto que significaram na minha história.

E se o fim nem sempre é felizes para sempre, que seja com uma chave abrindo uma porta e deixando aquela dúvida no ar...onde levará o novo caminho?

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