Dear Santa, neste Natal quero....


Caro Santa Claus, também conhecido como Papai Noel cá por essas bandas abaixo do Equador e acima da Terra do Fogo.

Querido ser que chega sorridente todo dezembro, parecendo ter toda a energia do mundo, não apenas para percorrer os céus do mundo com suas renas e se apertar em chaminés para deixar um presente, ou vários, nas casas de quem pode se dar ao luxo de acreditar em você.

E que parece ter toda a paciência para aguentar milhares de pirralhos e seus pais, sentados no teu colo, despejando desejos os mais estapafúrdios que só vão encher seus quartos de mais quinquilharias tecnológicas e seus pais de mais dívidas nos bolsos já apertados.

Mas que parece esquecer certas casas, onde as crianças olham aos céus, aguardando uma visita que não vem, ou vem travestida de caridade nas cartinhas escolhidas ao acaso e nos brinquedos reciclados que já não cabem nos armários entulhados.

Não é de hoje que tu não tem tempo de passar em todos os lares. Lembro de meu pai contando, com uma pontinha de mágoa na voz, que sonhava em ganhar presentes que nunca vinham. Mas como ele tinha uma mágoa maior, que era a de não ter conhecido seu pai de verdade, a tua não vinda, só uma vez por ano, ela administrável. Mas talvez, também por isso, ele nos compensava com Natais gordos e cheios de pacotes. Uma de suas maiores alegrias era poder proporcionar felicidades ao seu pessoal. 

Meu pessoal. Era assim que nos chamava. Isso incluía a família mais próxima e todos quantos o seu enorme coração abarcava. Seu pessoal eram seus filhos. Depois é obvio daquela que sempre ocupava o primeiro lugar, minha mãe. Mas eram também seus funcionários. Meninos e meninas que faziam amizade com ele. Uma vez foi até o hospital local levar uma agrado a uma figura da noite de Porto Alegre. Só porque o admirava.

Meu pai era uma franquia de ti, Papai Noel. 

Sem ele nunca mais os Natais foram os mesmos. 

Então, Dear Santa, se posso fazer um pedido hoje seria que me trouxesse um pouco da magia que só vocês sabem proporcionar. 

Aquele pó de pirlimpimpim que a tudo traz luz. 

Não me entenda mal. Não quero voltar aquela criança que acreditava em votos de felicidades e em que de uma hora para a outra, os egoísmos e mesquinharias viravam ouro generoso. 

Não. 

Só quero um pouco da energia de transformar momentos, começando por mim. Aquela força resiliente de enxugar as lágrimas e abrir a mente para a luz e a possibilidade de recomeçar.

Porque felicidade, afinal das contas, é mais que "brinquedo de papel". Felicidade é viver apesar de tudo. E não deixar que nada de fora, ou de dentro, destrua minha crença na vida. E em mim mesma.

Grata por tudo. 

E só relembrando, não fui sempre uma boa menina, mas fui o melhor que pude ser, dentro das circunstâncias.

Beijos na bochecha

Elenara  


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