quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Bananas, elegância e lua nova

Era noite de luz nova. A nova é aquela que não aparece no céu, confere? Tempo de plantar bananas e meditar sobre um novo plano.

O que tem a ver bananas com meditação? Bananas são um fruto interessante. Não são exatamente elegantes, mas são tão cheios de qualidades que compensam. Acho que achei a resposta.

Enfim. Meditar é o que ela vinha fazendo a maior parte da vida. Ficava nesse estado de lua nova, a que brilha mas não aparece. Brilha para dentro, para o outro lado que não o da fama.

Auto sabotagem talvez fosse a palavra mais certeira. Cortava seus caminhos. Podava suas chances. Negava seu futuro. E depois sofria, sofria, sofria.

Tudo bem, mas o que tem a ver bananas, meditação, auto sabotagem, lua nova com a tal da elegância? Desde quando ter opinião é fácil? 

Fácil coisa nenhuma, que frase mais besta, sô! Mais fácil ter a elegância de parecer concordar com o grupo. Não causar celeuma. Deixar que o todo se assuma como o tal, mesmo que no fundo ela saiba que não.

Não, isso também não era do seu feitio. Que opinião sobre tudo, ou quase tudo, sempre teve. Não ia ser por desapontar uns e outros que ia deixar de ter. Podia se sabotar dos pés a cabeça, podia até não falar em alto e bom som tudo o que pensava, de quem pensava e por que pensava. Mas que pensava, isso sim. E muito.

Meditava também. Não tanto quanto deveria que meditar de forma bem feita faz bem ao espírito. Talvez traga mais disciplina, coisa que lhe falta com certeza. Se perde no devaneio, fica que nem fase da Lua. Umas vezes cheia e vibrante. Outras minguante e depressiva. E nas fases de lua nova só se deixa levar, como naquela música que um dia embalou vitórias. Mas é um deixar-se levar sem glória, sem rumo e sem taça no final.

Mais valia se seguisse os roteiros pré- estabelecidos. Isso de seguir receitas e roteiros é muito mais fácil na vida. Ou não veem o sucesso dos manuais de auto ajuda? E dos gurus que apontam rumos. Basta seguir e pronto.

Não. Também tem que se esforçar mesmo seguindo os roteiros. É obvio. Já fomos todos expulsos do Paraíso e isso significa que não é para ser fácil. Demanda suor. Demanda trabalho. Pelo menos para quem não nasceu em casas certas. 

Isso pensando na parte material. A do espírito é mais complicada. Se a gente nasceu de Lua, não tem receitinha que acalme a mente inquieta. Palavras abstratas começam a fazer sentido. Sentimentos alheios se tornam próprios. Olhares outros sobre o que uns acham assado. E nós assim.

E ainda tem essa tal da elegância. Atrapalha a vida esse ritual de ter uma certa empatia pela raça humana, pelos animais, pela natureza. Bem melhor ter uma opinião firmada sobre tudo e arrotar certezas que amargar dúvidas. 

Mas e as bananas? 

Épocas em que a lua não brilha, plantam-se bananas. Mas também é época de unir forças e fazer planos. Mesmo que devam esperar por fases lunares (e/ou solares) melhores. 

   

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