domingo, 29 de janeiro de 2017

Quando o palco desilumina

Uma vez, muito tempo atrás, alguém me disse ser como a Purpurina, música de Jerônimo Jardim que venceu o Festival Mpb Shell em 1981. Quem era dessa época lembra da Lucinha Lins cantando debaixo de uma vaia estrondosa porque o público gostava mais de outra canção. A letra não era feia não, ao contrário, falava de quereres.
Se você pensa que vai me seduzir,
Se você pensa que vai me arrepiar

Pode ser, mas eu sou feito purpurina 
Se uma luz não ilumina 
Não há jeito de brilhar 
E é bem isso. De repente, não mais que de repente, um quê nos ilumina, nos acende, nos faz maiores e melhores e feito purpurina acabamos por brilhar. Às vezes esse brilho perdura, a gente vira lâmpada, vira planeta, adquira luz própria. Deixa de ser satélite e se sente amado. 

Mas também pode que o brilho seja efêmero. Que não perdure...e que a gente sinta que as luzes se apagam. Às vezes em pleno espetáculo. 

Se você só chega por chegar
 Nenhuma lanterna no olhar 

Nosso show não pode acontecer 
Sem o palco se acender 
Eu não vou representar
Um dos sinais é um desconforto, uma coisa que pesa, uma palavra que entra feito punhal no coração. Não, nunca é em vão. É somatório de intuição. É a gota d'água. É a história que já se sabia mas não se queria crer e que aparece cristalina no nosso corpo, mente. Coração. A gente pára no meio do ato. Esquece as falas. Não acha mais graça nas piadas. Perece o quê de espontâneo tornava tudo único e verdadeiro.

Se você pensa que vai me seduzir
 Se você pensa que vai me arrepiar
 Pode ser, pois eu sou feito bailarina 
 Se a ribalta se ilumina 
 Fico roxa pra dançar.

O palco desilumina. As luzes se apagam. A purpurina perde o brilho. Hora de buscar as fantasias e arrumar a caravana para que novos rumos e tempos possam acontecer.

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