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Mostrando postagens com o rótulo leituras

Lendo Valérie Perrin

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  Este ano comecei a participar do clube do livro da Unapi-UFRGS. A Unapi é a Universidade da Pessoa Idosa e proporciona várias atividades. Algumas presenciais, outras online, como é o caso do clube do livro. Uma das leituras do mês foi o livro Esquecidos de Domingo, da escritora francesa Valérie Perrin. O tema me pegou por falar de cuidados com pessoas que moram em asilos, as chamadas ILPIs, onde muitas acabam esquecidas pelos familiares que nunca as visitam. Especialmente aos domingos, esses dias em que a vida chama os mais jovens para várias atividades que são mais prazerosas do que compartilhar afetos. A leitura foi rápida e me pegou de tal maneira que comprei mais dois livros da mesma autora: Querida Tia e o mais famoso dela, Água fresca para as flores. A escrita de Valérie Perrin me pegou pela leveza com que ela trata temas densos. Ela fala de solidão, abandono, traições, morte e abusos, com suas consequências sobre as pessoas, de uma forma instigante, que vai permeando o mod...

Enchente: Uma coletânea em prosa e verso — Uma reflexão poética sobre dor, esperança e resiliência

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Quando as águas invadem, arrastam mais do que casas e bens materiais. Elas levam memórias, sonhos e, em muitos casos, a segurança emocional das pessoas. Mas, paradoxalmente, também deixam marcas de solidariedade, resiliência e uma vontade inabalável de reconstruir. É exatamente essa dualidade — o dilúvio físico e emocional — que "Enchente: Uma coletânea em prosa e verso", da Editora Bestiário, captura de forma magistral. Com uma linguagem ora poética, ora visceral, esta obra é mais do que uma homenagem à tragédia das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024. Ela é uma carta aberta às dores da humanidade e um grito de alerta contra o descaso que permitiu que essas águas se tornassem tão avassaladoras. Em cada conto, crônica e poema, os autores dão vida a um mosaico de sentimentos e reflexões. Alguns textos mergulham na devastação: as águas invadindo espaços íntimos, transformando o cotidiano em ruínas. Outros exploram as histórias de resistência, as mãos que se est...

Está tudo bem!

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Caminho no parque em um dia ensolarado. Passo pelo Capitão América, de  escudo no braço, passo triste de quem não consegue vencer todos os compromissos.  A mochila nas costas, mal ajeitada, não me diz se o mundo será salvo. Duas amigas  param no sinal, debatendo sobre a grave situação educacional. Como a sinaleira  fica verde, perco alguma possível solução. A mulher de voz enrolada e ar  desgrenhado de quem mora nas ruas, pede um favor porque, segundo ela, hoje é  seu aniversário. A vizinha de 90 anos atravessa a rua deserta em um domingo pela  manhã. Penso que não tenho a sua coragem de usar bolsa em uma cidade cada dia  mais perigosa. Para mulheres, pessoas idosas e quem mais não se enquadre na  sociedade. Recortes de vidas. Quantos destes momentos nos marcam de formas tão intensas. Os que vemos, os que participamos. A vida também é feita desses pequenos retalhos “sobre tudo o que nos interessa, nos comove, nos impressiona, n...

Reversos sentimentos

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As redes sociais tecem caminhos de encontros e descobertas tão ricos! Através de uma delas travei conhecimento com uma mulher admirável que reside tão longe da minha Porto Alegre. Pedi uma cópia de sua dissertação de mestrado. Ela gentilmente me enviou e começamos a trocar impressões. Eu me encantando com as paisagens que ela postava, ela curtindo com tanta generosidade as que eu compartilhava. Me compartilhou seus escritos, muitos frutos de desafios literários em sua região. Descobri uma escritora fascinante, com uma musicalidade criativa e bonita que me fazia enxergar sua terra e sua gente. Ela lançou aqueles contos em um livro e me convidou para escrever o posfácio, também uma experiência inédita para mim. Reversos Sentimentos é o livro de estreia de Romanilta Rocha , escritora e professora piauiense. Editado pela Life Editora com orelha de Francisco Miguel de Moura e prefácio de Jailson Klein.  Foi muito gratificante participar um pouco da história deste livro, ver a sua gesta...

O Outro Lado da Ponte - leituras de 2021

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Voltei no tempo.  Penso que a leitura nos faz essa magia, é um portal onde mergulhamos e reencontramos passagens que nos marcaram. É o que senti lendo a novela que Vera Ione Molina escreveu no final da década de 90, deixou naquele limbo que os criadores reservam para suas obras enquanto não as consideram prontas para conviver com mais voragens. No ano surreal de 2020, que nos brindou com tantas reflexões, o livro afinal deixou de ser particular e veio para nós, leitores.  Enquanto escrevo e tomo mais um cafezinho, nesse início de 2021 em Porto Alegre, ouço Nico Nicolaiewsky cantando que assim quer lembrar de nós...é como se fizesse uma ponte para outras épocas, tão diferentes, tão parecidas, de uma época de inquietações políticas, afetivas, comportamentais. Uma época onde um vírus surgia e mudava comportamentos. Um mundo onde sentimentos e dúvidas individuais formavam intricadas (e simples) emaranhados de vidas cruzadas em uma ópera de incertezas. Li o livro de ...

Leituras de minha mãe - como me tornei mais leitora

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A biblioteca de minha casa sempre foi algo fascinante. Para as condições econômicas de meus pais, que não eram absolutamente ruins, mas que também não eram exuberantes, os livros sempre foram artigo de primeira necessidade. Machado de Assis convivia com Stendhal numa boa. E até Cassandra Rios dava suas caras por lá. Obviamente que não nas estantes ao nosso alcance. A danadinha ficava na mesinha de cabeceira de meus pais e creio que, como fomos criados com respeito à privacidade alheia, eles achassem que a gente pequena não ia xeretar. Eu xeretava. E lia aquelas coisas proibidas com menos de dez anos. Para uma guria que cresceu com a lenda familiar de ter lido a Divina Comédia com essa idade, que mal faria uma sacanagenzinha de vez em quando. Não, eu não li a Dante com essa idade, li apenas um resumo da Divina Comédia que devia estar em uma alguma das enciclopédias que meu pai amava comprar também.  Assim cresci entre o inferno e o paraíso, de Alighieri a Rios, passando po...

Notícias da guerra e o destino de Laura

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Já se disse que as mulheres enxergam as guerras com uma outra visão, muito diferente da masculina. Se para os homens, lutar significa honra e coragem, para as mulheres significa muito mais mortes,  violação e perdas. Por isso perceber a história de grandes guerras pelas palavras de uma menina que vai se tornando mulher, nos propícia uma outra abordagem para um período tão intenso da história da humanidade.  Laura, uma jovem do interior gaúcho, nascida em uma família abastada e gozando de todas as benesses que isso acarreta.  Laura e sua família com histórias e roteiros traçados, aqueles que fazem as regras, ou pelo menos nao  as tem que cumprir ao pé da letra. Laura e suas amigas, vivendo novas emoções, crescendo e aprendendo a prosseguir a sina das mulheres que enfeitam e não lutam. O mundo à sua volta mudando. As relações econômicas ruindo. As ambições políticas lá em outro lado do mundo tendo repercussões em suas vidas tão prosaicas. O m...

Puta feminista

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quando uma mulher se dá conta que tem direitos, todas as mulheres ganham - Monique Prada Duas palavras que por si só causam polêmica. Muitas vezes servem de xingamento porque onde já se viu essas mulheres que ousam não apenas falar, mas exigir direitos? E respeito. Respeito falando de putas? Como assim se na nossa concepção de sociedade elas são como a Geni do Chico, servem para aplacar os ardores dos guerreiros, mas passados esses momentos, são boas mesmo para apanhar. Há uma intensa contradição na própria palavra puta. Se por um lado como substantivo feminino ela é, em geral, usada como um termo pejorativo. E aí não faz muita distinção entre as profissionais ou as leigas. Basta um passo fora do roteiro traçado entre as pecadores e santas, e logo vem o epíteto que chega como marca do que não presta aos olhos de uma sociedade machista: puta! Por outro lado, também é usada como adjetivo de algo imensamente bom: um puta cara! Interessante que nesses casos, o adjetivado é em ger...

Mulheres sem nome - uma leitura interessante

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Fazia tempo que eu não pegava um livro grosso (495 páginas) e devorava em dois dias. Nas eras pré redes sociais era um hábito comum. Lembro de minha mãe me chamando com um "pára de ler, guria chata e vem conversar!". Éramos todos leitores vorazes, até ela, em uma casa onde este costume tão salutar sempre foi incentivado. O livro que me fez sentir essa volta aos velhos tempos é " Mulheres sem nome " de Martha Hall Kelly. Uma história verídica, de experiências "médicas" em um campo de concentração para mulheres na Alemanha dos horrores nazistas e dos esforços de uma mulher para descobrir e ajudar as chamadas cobaias (lapins ou coelhas pela forma saltitante como andavam depois das cirurgias a que eram submetidas), levou a autora a mergulhar na história que foi contada pelo olhar de três mulheres, duas delas reais e outra um somatório das cativas. Caroline, a americana rica, atriz e com uma profunda consciência social nos mostra um lado mais ameno, mas...