Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Sonho

Sonhos e realidades

Imagem
Sonhei esta noite que tinha excedido o tempo de tela e tinha que deixar o celular de escanteio por um número x de horas. Que eram muitos. No sonho não explicava quem tinha instituido as regras e nem o porque eu devia obedecer. Coisas de sonho. Mas senti que foi bem bom. Fiz um monte coisas e me senti muito feliz. E mais leve.  E quando acordei, e lógico que a primeira coisa que fiz foi estender a mão e trazer o aparelho de volta à vida, gesto tão corriqueiro como bocejar, senti uma estranheza. Como assim? Porque não continuava sem me conectar?  Vivi tanto anos apenas levantando, me lavando, tomando café, escutando rádio para saber as notícias e lendo o jornal. Aquele impresso que trazia notícias de ontem e era mais que bem. Hoje nem o digital já leio porque as notícias já são velhas. Tudo envelhece muito rápido. Menos quem tem uma poupança mais abonada que permita driblar o tempo. Mas só na aparência. Porque é quase impossível seguir a velocidade do mundo. Mesmo para as pessoa...

A caixa de lápis e os detalhes que fazem a diferença

Imagem
Olho a caixa esquecida. São lápis de variadas tonalidades. Uns tem a ponta gasta, são os escolhidos. Outros estão intactos. São olhados, admirados, deixados em sua gloriosa imobilidade. Seremos nós assim? Partes de nós jamais tocadas, apenas contempladas à distância, como se fosse perigoso viver aquilo que nos completa? Nossas camadas esquecidas e intocadas serão também objeto de intensa admiração? Ou são apenas adiadas, como quem teme desvendar o próprio terror disfarçado de beleza? Nossos tocos, já gastos de tantas raspagens com gilete ou apontador, mostram que ali houve vida. Escolhas que marcaram trajetórias, iluminaram papeis. Talvez até choraram tinta sobre feridas mal cicatrizadas. Coloriram tanto que se gastaram. Nossos detalhes imergem indolores porque nossa alma é feita de detalhes. São estes que fazem toda a diferença. Os olhares que tocam sem invadir. As palavras não ditas. O abraço silencioso. O afeto sentido e não alardeado. Detalhes tão pequenos de nós dois...já dizia a ...

Entre sonhos e novelos

Imagem
Um sonho. Uma casa de esquina. Formas esquisitas. Era feita estruturalmente de arcos de material orgânico. Parecia uma costela humana deitada, preenchida com lonas e vidros translúcidos. Eu e meu pai já falecido cheios de curiosidade entramos na casa, sem nem pedir licença. Meu pai me visita poucas vezes em sonhos. Sempre mais jovem do que quando partiu. Tem a aparência da minha lembrança de criança. Sempre fomos curiosos os dois. A casa tinha uma rampa interna por onde se subia aos espaços que eram amplos e inter-relacionados. O dono da casa, um arquiteto que mal conheço virtualmente, veio nos receber. Em uma cadeira de rodas. Nos guiou pelos espaços internos, explicando como tinham sido feitos. Do nada, apareceu minha mãe que pediu para ir ao banheiro social. Um estranhamento no homem da cadeira de rodas que morava na casa que lembrava uma costela. Não existia banheiro social. Só o íntimo porque a casa era dele e da esposa. Esta gentilmente nos guiou rampa abaixo e abriu uma porta pa...

Entre sonhos, amigos e palhaços

Imagem
Acordo no meio da noite tentando escrever poesia. Não lembro mais as palavras, não eram boas rimas. Eu tentando, meio lúcida, meio sonolenta, arrumar os versos em algo que fosse bonito. Ou que fizesse sentido. Tinha uma coisa de rotas puídas. Acho. Seriam os tais sonhos lúcidos? (Obrigada Dione por estar no meu sonho e Lindevania pela lucidez onírica).   No meio de tudo o que me proponho a retomar em um novo rumo de vida, há espaço para leitura de palhaço. Vida de palhaça. Lembro da época de estudante e do dito de uma amiga sobre as pessoas especiais: Tu é Pá! Pá de Palhaça. Essa gente que sabe fazer rir, mesmo com coração despedaçado. (Obrigada Teca, pela inspiração) Encontrei muitos Pás pela vida. Todos gostavam de poesia. Mesmo que não soubessem. Sinto falta dessa alegria ingênua dos palhaços de saber trazer a sua música de dentro para expressa-la pelos gestos, pelos olhos, pela boca que engasga um sorriso e pelos pés que tremulam passos que vão nos fazer mais leves. (Obrig...

Dos sonhos recorrentes

Imagem
Ontem falava que a vida é um embate entre luzes e névoas. É tempo de cerração na cidade onde moro. O nevoeiro é aquele tempo em que as nuvens descem dos céus e podem ser tocadas pela criança que fui que sempre teve este sonho. Eu sei que não é bem isso, mas deixa eu usar essa narrativa mais poética porque a vida tá osso, fora e dentro, para que eu prescinda da poesia.  Sobreviver de maneira harmônica tem sido cada vez mais difícil quando se convive com a finitude. Lá fora e cá dentro. Tenho sido uma equilibrista de manter a sanidade quando o mundo parece ruir. E o que isso tem a ver com sonhos recorrentes? Sempre tive sonhos de que estava ameaçada por algo catastrófico, tinha que sair do mundo conhecido em pouquíssimo tempo e tinha que escolher o que levar. Tipo refugiados de guerra. Essa noite tive o mesmo sonho. Mas a diferença é que, embora esteja extremamente angustiada por fora, consegui manter a sanidade no sonho. Foi essa tranquilidade onírica que me chamou a atenção. C...

Sonhos de miragem

Imagem
Um a um foi ticando os sonhos não realizados As viagens que não fez  Os amores que não vingaram Humores esquecidos Fluídos Sementes jogadas ao breu Nuvens, furta cor, formando desenhos O estomago chorando de falta A falta A falta A falta Doída  falta O cachorro destroçado  falta de liberdade bandeira rota falta de diálogo  De vez em quando escrevo algo e deixo no limbo das caixas de rascunho. Nem sempre volto para olhar. Às vezes sim. Hoje, por exemplo. Não sei bem como estava quando escrevi isso. Não muito bem, acho. Dificilmente a gente escreve em dias felizes. É como final de folhetim, o foram felizes até quando der antecede ao fim. E deixa o gosto de que todo aquele amor será possível daquela forma. Nem todo. Nem sempre. Algumas vezes sim, os sonhos de miragem, se fazem realidade. E aí a gente, se inteligente, não pára para descrever. A gente vive. Vive da melhor forma. Convive. Troca. Explode de emoção. Chora de alegria. As outr...

Sótão das lembranças

Imagem
Dos sonhos recorrentes tenho um bem bonito que, devidamente analisado, rende boas interpretações. Um sótão das lembranças. O roteiro é mais o menos o mesmo: estou em uma casa e ela tem um sótão onde guardei livros, memórias, caixas, tudo o mais que faça a mente divagar. A escada é reta e, o mais interessante é que, nos sonhos, eu não vou muito até lá. Saber que ele existe, por si só, me dá uma tranquilidade imensa. Como se pudesse ter meu próprio quarto secreto do tesouro. Já passeei muito por ele e a cena é sempre igual. As casas mudam, mas as prateleiras repletas de livros com todas as informações e memórias que posso imaginar existir, sempre estão lá. Perenes. Conhecidas. Aconchegantes. Normalmente eu não chego a ler nada porque o sonho é daqueles que quando vou chegar perto do desejado, acordo. Este também é um comportamento recorrente. A noite passada ele se repetiu. O cenário era um apartamento de cobertura, na verdade um triplex. Nada suntuoso e nem com implicações i...

Somos instantes

Imagem
Acordou saudades. Tirou a camiseta antiga que guardava seu corpo nas noites de insônia. Essa não. Dormira profundamente o tal do sono dos justos que lhe vinha de vez em quando. Cada vez mais quando. Quando tudo bem. Quando não questionava. Quando se enfurnava. Quando era quase sempre. Se fosse normal como tantos que conhecia, ia em um médico qualquer que lhe receitaria um para te quieto também conhecido por tarja preta. Mas não ela.  Acordou saudades depois de uma noite bem dormida. Ou quase. O gato peludo a acordara miante. E ela, solícita, largou o sonho que era importante e foi atrás do felino. Como sabia que era importante? Porque ficara repetindo um nome infinitas vezes naquelas formas malucas que o universo tem para sinalizar algo.  Acordou saudades e esquecimentos. Não lembrava o aviso do sonho. E logo o dia foi lhe tomando e deixando de lado as magias e mistérios que isso é coisa das madrugadas. Os dias exigem mais ação e coragens. Somos i...

O Jardim das Delícias Secretas

Imagem
Sonhos. Eles nos dizem tanto. Comigo, pelo menos, eles são frequentemente repetitivos. Sonho com choupanas que escondem tesouros . E como boa arquiteta, abro portas aparentemente desgastadas e me deparo com palácios e casas elegantemente decoradas. Obviamente sei que deve ter a ver com o que vejo e pesquiso durante o dia. E mais obviamente ainda também sei que deve ter a ver com o valorizar mais minhas qualidades internas, partes que as vezes menosprezo, mas que podem esconder potenciais imensos. Mas e quando o sonho te repete um mantra? Aquela noite em que uma frase é repetida. Mil vezes repisada. Parece que feita de propósito para que não se esqueça. Porque para mim, sonhos que encerraram mensagens são os que permanecem. Tenho sonhos que sonhei quando muito pequena, e ainda hoje enxergo com nitidez as imagens que formei (ou se formaram) em minha mente. Essa noite sonhei com um conto. Tinha um título sugestivo: O Jardim das delícias secretas. Tive a certeza de que fazia parte...

Sonho contigo

Imagem
Sonho contigo. Repetidas vezes. Não sei explicar porque, se fizeste parte de minha vida, foi há muito tempo atrás. Tempo demais. No tempo em que meus olhos eram de esperança e minhas carnes mais firmes. Lembro da primeira vez que te vi. Lembro da emoção de dançar contigo.  Mas não, não lembro do primeiro beijo. Gozado, só fui me dar conta disso agora. Talvez não tenha importância.  Enfim. A vida nos juntou algumas vezes. Nos separou outras. Nos separamos. Não era para ser. Não foi doído. (Minto, foi sim. Mas foi elaborado. E deixou de doer) Mas mesmo assim, sonho contigo. Não é sempre. Não, não pense que é recaída juvenil. Apenas sonho contigo. E é bom. Dizem que o sonho revela desejos ocultos. Pode ser. Dizem que podem revelar muito de nós. Até acredito. Não me debrucei para pensar a respeito. Não quero. Apenas gosto da sensação boa que o sonhar contigo me dá. Me sinto mais próxima daquela menina de olhos esperançosos. ...