O baú de Mnemosine e a caixa de Lete
Engoliu a água com sabor. Sentiu cada gole descendo por sua garganta enquanto o mantra tibetano se fazia ouvir na sala. Haveria de reverter essa nuvem que se formava sobre ela. Sua cabeça, sua memória, sua capacidade de articular raciocínios. _ Minezinha! - escutou a voz de sua irmã gêmea gritando da sala ao lado. Tinham nascido há exatos 60 anos e nunca mais se desgrudaram. Por obvio que passaram momentos deliciosos com outras pessoas, mas viver de verdade, era uma com a outra. - Fala Letinha! - a voz melodiosa continuava com o timbre de adolescente. Já sabia que sua irmã lhe ia narrar algo maravilhoso que acabara de ouvir/ler/conceber. Dona de uma memória prodigiosa, quase fotográfica, era uma ironia do destino. Seu pai, professor de história, amante da mitologia grega, conhecedor de cada história e cada pedaço da Hélade tinha o nome prosaico de Sebastião. Talvez pela inconformidade com o seu, batizou as pequenas de Mnemosine e Lethe. Cada uma com sua sina, não pensou mu...