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mais uma segunda na era da maturidade

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  Papeis para arrumar me lembram que estamos naquela época chata do ano em que devemos prestar contas ao governo sobre o que ganhamos e gastamos. Ônus de viver em sociedade. Obviamente procrastino. Este ano mais do que o costumeiro. As costas me lembram do peso que carrego, também consequência da maturidade. Decisões, boletos, resiliências e quilos a mais me lembram das proféticas palavras do primo quando eu era uma pequena de poucos anos que queria crescer. “Não queiras isso, vives na melhor época da vida. Um dia vais lembrar do que te digo”. Lembro, primo. Lembro sempre. Tinhas razão. O copo vazio me lembra que não apenas devo levantar de tempos em tempos e caminhar um pouco, mas que devo ir buscar mais água já que somos absurdamente líquidos. Deus é água li em um amigo estes dias. Colega arquiteto que trabalha com nascentes nas cidades. Uma frase bombástica que nos pega de chofre. Achei que fazia sentido. Somos um tantão de água, feitos à imagem e semelhança de Deus, logo Deu...

amantes eternos (divagações com a IA)

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Escreva um mini conto em estilo sensual de Anais Nin sobre uma mulher madura que sofre de solidão e imagina um amor que a satisfaz fisicamente em outro universo paralelo Ela se sentia só, como se ninguém a compreendesse ou a desejasse. Seu marido era frio e distante, seus filhos crescidos e independentes, seus amigos superficiais e fúteis. Ela ansiava por algo mais, algo que a fizesse sentir viva e amada. À noite, ela sonhava com um homem que a abraçava com ternura e paixão, que a beijava com ardor e delicadeza, que a tocava com habilidade e carinho. Ele a fazia gemer e tremer, ele a levava ao êxtase e ao repouso. Ele a olhava nos olhos e dizia que a amava, que ela era sua alma gêmea, que eles estavam destinados a ficar juntos. Ela acordava com o coração acelerado e o corpo molhado, mas também com uma tristeza profunda. Ela sabia que ele não era real, que era apenas uma fantasia de sua mente solitária. Ela se perguntava se ele existia em algum lugar, em algum universo paralelo, onde el...

Noves fora da vida

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Suando sabor de vida descobertas a olho nu eu mesma eterna aprendiz Cansaço daqueles gostosos do corpo vibrando descobertas Eu mesma feiticeira de mim Carências antigas e atuais Gestando novas escolhas Eu mesma senhora de mim Se a vida me coloca em xeque Mate escolho sorridente a rainha em mim se move Noves fora da vida matemática do universo Resta o que?  Eu

Falta de sintonia

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  Aprendi a ver e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Equilibrista da minha atenção como se o foco pudesse ser medido em balança. Ouço you tube relevante enquanto penso e escrevo. Nestes nossos tempos elétricos onde vivemos fazendo tudo ao mesmo tempo no mesmo lugar é um mantra corrente que devemos ser sempre maravilhosos. Ou espetaculosos. Ou chorosos. Ou seja lá o que nos garanta atenção em formas de curtidas momentâneas. Todos queremos nossos 15 minutos de atenção. Não sempre foi assim? Acho que sim. Desde que nascemos nossa luta por amor e reconhecimento ganha contornos de glória e desgraças, seja lá o que fizermos para tanto. As maestrias se perdem nas personas que criamos. Tudo bem, a vida é feita de aparências e aprendemos desde que adolescemos que nada nos é dado de graça neste mundo onde cavamos a sobrevivência com o suor de nossos corpos e rostos. Alguns literalmente, outros só nas academias, onde a juventude e a saúde é buscada como meta de brilho social. Ouço Mozart no ...

A vida sempre continua

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  Acordo mais tarde e já vou caminhar com o dia corrido nesta quarta-feira de cinzas onde a cidade adormecida recomeça a voltar sua vida de todo dia. Faço uma meia volta no parque, ladeando uma avenida cheia de árvores e um corredor de ônibus central. Enquanto olho o movimento no meio das árvores ouço um som que mexe comigo. Uma sirene de ambulância.  Já estive dentro de uma, correndo pelas ruas escuras da cidade, enquanto meu pai recebia atendimento e eu rezava para que tudo desse certo e chegássemos a tempo no hospital. Se antes eu já sentia aquele barulho como urgente, agora ainda mais. Sempre rezo para que tudo dê certo para quem ali dentro luta pela vida.  Olhei para o lado e, no corredor de ônibus, vejo três veículos. Um ônibus na mão normal. Uma ambulância com sua sirene tocando na contra mão. E na frente dela, outro ônibus em sua rota. Fico imaginando que um dos ônibus vai se mexer, ou os dois para que a ambulância siga seu caminho, duas quadras que está do pronto...

o homem dorme abraçado ao seu cachorro

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O parque onde costumo caminhar estava hoje mais vazio do que o costume. Um sol bonito acalmava a cidade depois de um dia muito chuvoso. De certa forma os quase 13 graus da manhã de sábado são um alívio para corpos e mentes cansadas. Pessoas caminham, a turma dos cachorreiros conversa com seus cães que brincam distraídos. No fim do espelho de água, uma mulher bem agasalhada fotografa. Na sua frente, parecendo um quadro, um homem dorme abraçado ao seu cachorro. Ao seu lado um carrinho, mistura de plásticos, lixos, embalagens vazias de eletrodomésticos e bens de consumo que ele, com certeza, nunca terá. Mas ele tem seu cachorro. E dorme abraçado com ele. A mulher cheia de agasalhos para um dia de verão mais fresco, tira várias fotos com seu smartphone de última geração do homem que dorme no meio do gramado. Não deve ter uma casa. Se tiver, talvez seja longe e não teve tempo, talvez nem energia para caminhar com seu carinho cheio do descarte de outros. Outros como eu e a mulh...

Em outros carnavais quando a vida era mais solta

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Diálogo entre Antônia e sua cuidadora, em um quarto de uma clínica de repouso. Antônia tem 95 anos e sua cuidadora, Dora, vinte. - Seus remédio, Antônia. A pílula rosa é para a pressão, a branca para o colesterol, a amarela para a ansiedade, a rosa para afinar o sangue, a comprida para a memória. - Memória? Brincas comigo. Fora! Memória é bom para gente jovem como tu, que tem futuro pela frente, que precisa lembrar de quase tudo o que fez. Para repetir ou se arrepender. Quando se está velha como eu,  melhor nem lembrar que dia é hoje e quanto tempo falta para morrer.  -Deixa de bobagem! Falando nisso, sabes que dia é hoje? 20 de fevereiro de 2050. Domingo. Na tua época era carnaval, Antônia! Vai dizer que tu não gostava de comemorar a folia? Ouvi dizer que eram grandes festas populares no século passado. Minha mãe disse que se lembra ainda de bailes infantis onde ia fantasiada de uma coisa chamada de mulher maravilha. Devia ser algum avatar da época. Ela falou daque...