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Meu pacto com a Lua

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Já não sangro Meu pacto com a lua virou rumos desertos meu ventre virgem não partente sangrava em uivos nos tempos do cio Hoje já não sangro                   mas sim sangra em mim o tempo do filho que não nasceu No tempo que o sangue  fluía Sentia vibrantes rios Vermelhos Hoje já não sangro rios aparentes Sangro vozes cobertas Sangro desejos inconfessos Sangro solidões Lua pactua casa materna águas que não vivem mais Hoje sangro sim Mulher sangra sempre que a força uterina não morre jamais   

Quando os robôs fazem versos

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Todos já passamos pelos traumas das páginas em branco. A inspiração que falta, a motivação que some. O atropelo das informações e desassossegos da vida real que levam para longe a leveza de ser e expressar. Fazer o quê?  Entre pesquisas diárias, senti curiosidade para ver alguns exercícios de desbloqueio da criatividade para escrever. Existem vários, alguns aprendi em oficinas, outros escutei nos you tubes da vida. Mas hoje dois me chamaram a atenção: Um gerador de acrósticos e um de palavras aleatórias . Acrósticos são aqueles poemas que, em geral, iniciam com as letras de alguma palavra ou nome que parece oculta, mas pode ser lida na vertical. Eram bem populares em certa época onde se faziam homenagens às crianças e jovens adolescentes. Pelo que percebi, o site tem algumas frases prontas que, reunidas, podem ou não fazer algum sentido.   E  ameaça a tempestade, l iberdade é entendida necessidade, e  seu companheiro constante, a humildade, n ão cresceu m...

Patéticas palavras ouvindo o Poeta

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Se o coração de Drummond pode crescer 10 metros, sem arrebentar, o que será de mim? E e agora, moça calada?  O céu empedrado, a utopia mofada, os afetos escondidos, a vida que geme. E agora, dona moça das patéticas palavras? Escutar o poeta mineiro não te fará escrever melhor. Vai talvez, quem sabe, acordar fagulhas há tempos adormecidas. As sutilezas jazem no campo nem tão santo dos dias que correm. Gentileza e luminosidade se acabam nas ilusões rotas das malas desfeitas. E agora moça encantada? Espelhos te mostram outro rosto, não o teu, tão ainda cadente. O reflexo ressoa trilhas de décadas de sonhos carpidos. Um tanto de culturas, para ti exóticas. Mas não, apenas outras formas de ver o mundo. Sentir o tempo. Colher a semente. Colheita pungente de minutos que escorrem nas águas nascentes. Tocantes sons misturando palavras e voos. Canto de pássaros, buzinas de ônibus, passos apressados, olhares assustados. Memórias e vidas lacrimejam. E agora, moça? Ainda resta espaço para poesi...

Maritacas namoram na minha janela

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  Mais uma vez segunda feira e acordo com nuvens negras e muito barulho da natureza trovejando. Em meio ao prenuncio de tempestades, também ouço o som estridente de um bando de aves que voam em bando nesta época do ano. Especialmente quando chove, elas saem de antena em antena, de galho em galho, alegremente bradando a força de sua natureza. Sempre as chamei de caturritas porque são verdes. Mas, como tudo na vida, também a natureza não é feita de generalizações e sim de especificidades. Não sou expert em aves, apenas adoro vê-las e fotografa-las. Pelas minhas andanças no google, as mais parecidas com o bando que me acorda faceiro são as chamadas maritacas. Nunca tinha ouvido falar nesse nome. Mas pelo que li são aves gregárias e que gritam muito ao voar. As vejo de minha janela. Anos após ano. Voam faceiras, fazem malabarismos. E namoram. Existe algo mais renovador que namorar? Não falo apenas de transar, embora seja muito bom. Falo do floreio, da conquista, do olhar brilhando porq...

É preciso que alguém se importe

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  Enquanto tu caminhas pelas ruas. Te pergunto: E a entranha? De ti mesma, de um poder que te foi dado Alguma coisa mais clara se fez? Ou porque tudo se perdeu É que procuras nas vitrines curvas, tu mesma, Possuída de sonho, tu mesma infinita, maga, Tua aventura de ser, tão esquecida? Por que não tentas esse poço de dentro O incomensurável, um passeio veemente pela vida? hilda hilst   Importa que estejamos atentos                                         -todos Lobos famintos rodeiam a matilha Ovelhas desgarradas correm sem meta Pastores, cajados e luas guiam sem bastião                                                     -Ventanias Importa que pensemos em todos em ninguém em nada em tudo Todos na roda da divina indiferença        ...

Relógio das quimeras

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  "Lembra-te do anônimo da Terra Que meditando a sós com seus botões Gravou no relógio das quimeras: “É mais tarde do que supões” Cantares de perda e predileção (1983) - Hilda Hilst Leio bastante.  Não o suficiente, é verdade.  Mas mais que antes.  O antes do tempo não focado. O antes da mente embotada O antes do medo permanente Se faço um breve passeio no ontem Vejo folhas caídas, amassadas, largadas Vejo folhas jogadas e perdidas Se revisito o hoje e -se o faço, é porque sou eterna viajante mesmo no instante que escrevo Percebo folhas arrumadas Inquietas, é verdade Naquelas arrumações esquisitas Bagunçadas até Mas mesmo assim mais arranjadas Me observo sentada, meus dedos mais ágeis uma breve luz chega de lado Um relógio imaginário com ponteiros enfeitados teima em girar adoidado Ora devagar Ora apressado Nesse rodopio de taques e tiques eu bailarina Júbilo, memórias e mais Hildas Poetam-me na vã tentativa de afogar receios de fomentar coragens de apressar destinos...

Diário de uma (quase) surtada

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Querido diário, digo blog Sim, sou dessas, ainda escrevo em blog. Exatamente como fazia lá no início do século. E antes disso em cadernos, folhas soltas ou qualquer meio que registrasse sentimentos, angústias ou descobertas. Alegrias as vivo no mundo real. Dificilmente escrevo sobre elas. Tipo as novelas: ninguém se presta a ver gente feliz. Queremos ver drama, lágrimas, conflitos. Quando tudo se resolve, vem um enorme FIM e passamos para outra sofrência. Pois bem, um ano e alguns meses de semi isolamento social só acirraram minhas fobias de gente. O mundo lá fora parece cada dia menos convidativo. Não fosse pelo sol, acho que ficaria eternamente na minha biblioteca de babel, lendo livros, vendo séries e documentários. E atualmente ouvindo podcasts. Sério, me rendi. Vídeos sejam no youtube ou vimeo, ou pior ainda no tiktok não me atraem muito. Mas os podcasts são bem mais práticos porque posso fazer outras coisas ao mesmo tempo. Sou multitarefas. Fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo ...