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O colinho

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  Tem aqueles dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu, a gente estancou de repente, ou foi o mundo inteiro que parou…ouço a música ressoando em mim, nem sabendo se lembro direito a letra ou ela se confunde com um sentimento de melancolia.  Nesses dias de tudo cinza em que nem a mais vibrante mentalidade otimista consegue vislumbrar um traço de energia, é bom se lembrar de coisas que nos fazem bem. Nos dêem amparo, uma sensação de colo. Quando fazia biodança, há muitos anos atrás, se chamava dar continente este afago de afeto que traz o outro e acolhe em seus braços. Sem nem me dar conta, ou talvez dando, eu me fiz continente nestes dias cinzentos que passei faz pouco.  Tinha um pote de feijão congelado no congelador. Feijão congelado dando continente e colo? Sim, porque do feijão, fiz uma sopa, do jeitinho que a mãe fazia quando eu era pequena. Nos dias frios de inverno, na casa lá de cima do morro onde morávamos em Novo Hamburgo, naquela época em que eu e...

Portal do tempo em memórias afetivas

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  Os lugares onde moramos marcam memórias. Quando os revisitamos, mesmo que em tempos posteriores, é como se um pedacinho de ontem voltasse junto. Ontem estive em um lugar muito importante em minha memória afetiva.  Quando viemos morar em Porto Alegre era 1965. Saímos de Novo Hamburgo que, apesar de próxima à capital, tinha ares de cidade pequena no meu ver de criança. Porto Alegre era a cidade de prédios altos, mais imponentes! E onde era nossa nova casa? Justamente no coração do poder da cidade. Um edifício ao lado da Catedral Metropolitana.  Meu pai tinha se encantado com ele porque era térreo, quase uma casa. Mas como a rua ao lado é uma ladeira íngreme, nosso lar, que era de fundos, se transformava em um seguro segundo andar. Eram tempos em que as sacadas ficavam abertas e os pequenos como eu podiam brincar sós na praça. O edifício se chamava Vista Alegre. E fazia jus ao seu nome! Da sacada se podia ver o Rio Guaíba. E a imponente Catedral com suas torres imensas! Ai...

Quando os relógios param

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Na estante da casa da minha tia tinha um relógio tão diferente dos normais. Era em vidro, revelando um mecanismo fascinante que mesclava com o barulho dos minutos passando. A casa da minha tia era um mundo a parte. Tinha uma geladeira sempre repleta de guloseimas. Quando falo repleta, é cheia de andares com vários recipientes uns sobre os outros. Tinha um sótão onde dormiam os filhos. Meninos de um lado, meninas do outro. Naquele sótão morava uma casa de bonecas apaixonante. Acho que vem dali a inspiração para tantos dos meus sonhos terem sempre um sótão de tesouros escondidos. Mas era na estante da sala, onde morava o relógio que me fascinava, que ficavam os enfeites que eu nunca tinha visto! Meu tio, seu marido, era navegante. Radio telegrafista do antigo Loide Brasileiro, passava temporadas em terras distantes e quando vinha, além de um novo filho, lhe deixava objetos de mundos então tão desconhecidos. O relógio era um deles. Relógios sempre exerceram em mim uma magia incontrolável....

Papai Noel, vê se você tem a felicidade pra você me dar

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As tradições. De onde vem os rituais que repetimos anos após ano, aprendemos em nossa infância, levamos para a vida adulta. Por vezes mesclamos com os rituais de pessoas que vamos somando na vida. Lá em casa os Natais eram festas grandes. O pinheirinho nunca podia ter este nome porque eram, em geral, arvores de quase três metros, cortadas especialmente para a ocasião. Lembro de ir comprar e ver aquela fila de pinheiros, uns maiores, outros menores, esperando para serem levados às casas, enfeitados, saudados, festejados como símbolos de fé e renovação. E depois jogados fora, já despidos dos verdes e transformados em lixos secos. E os coitados que nem escolhidos eram, ficavam ali mofando, em uma morte inglória porque nem serviram para algo. Tipo muita gente que passa pela vida sem sentido e morre sem mais ainda. Filosofias à parte, o pinheiro era engalanado na sala. Apoiado por uma estrutura de caixas com pedras para que ficasse bem firme. Era a hora mágica de trazer os enfeit...

O Tri em Brasília e minhas lembranças das copas

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Uma praça cheia de gente em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul. Um alto falante que gritou uma palavra que a menina de cinco anos entendeu como importante pela repercussão que teve em seu pai: era o Brasil ganhando a Copa de 1962. Interessante como a gente guarda na mente as coisas que impactaram nossos pais. Lembro exatamente onde estava quando ouvi no rádio a notícia da morte do Kennedy no ano seguinte e corri para contar para a minha mãe que eu sabia ser sua fã. Naqueles tempos era tudo interessante. Minha mãe curtia tanto o Kennedy como o Fidel. Parecia o tempo em que jovens iam conquistar o mundo, não importando a sua ideologia. Acho que era esse impulso de vida que chamava a atenção de minha mãe. Mas as Copas....  Futebol era presente até por aí. Meu pai já torcia pelo Grêmio, mas sem fanatismos. Mas lembro que na Copa seguinte, em 1966, o Brasil campeão foi cheio de pompas e expectativas. Foi a primeira recordação de propaganda maciça na TV que lembro....