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Mostrando postagens com o rótulo saudade

Saudades de todo dia, saudade que mata o peito

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Um dia da saudade, como se saudade não se sentisse todo dia.  Saudade de quem se foi, saudade de nós. Saudade do brilho ligeiro da vontade de picolé na feira saudade do colo do pai saudade da mão que acolhe Puta saudade de compartilhar com a amiga a descoberta de algo bonito e se dar conta que ela não está mais entre nós Saudade até de ir ver o pai no hospital quando ainda estava vivo Saudade de quando a mãe era mãe e não pedia para ir para uma casa que já não existe, apenas em sua mente Saudade do primeiro amor do primeiro amasso do orgasmo só de tocar na perna saudade das séries de ficção saudade de escrever sem freios saudade de projetar com paixão Saudade de ser ingênua de um tempo em que as horas não voavam Saudade dos anos em que as coisas tinham mais sentido Saudades de ter um ideal Saudades de ter avó, tios e tias comigo Saudades dos banhos de mar e dos debates em família Saudades de ir buscar um dicionário quando não se sabia uma palavra Saudade d...

Aquela Zica de fim de ano

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Nem sempre foi assim. O fim de ano era tempo muito esperado. Tinha a magia do Natal e dos preparativos. Era um tal de fazer biscoitos, ir em busca de musgo para o presépio e imaginar o que o Papai Noel ia trazer de presente a cada ano. Desde que não viesse junto. Um ano ele veio e era feio que só. Não era gordo e bonachão como nas revistas (não tinha esta coisa de shopping naqueles tempos e o bom velhinho a gente só via em propaganda das revistas). O que veio era magro e com uma máscara esquisita. Chegou todo cheio de mau humor o coitado. Já devia estar cansado de tanto dar presente e fazer sermão. Veio com uma vara de marmelo como se apanhar fosse coisa comum para mim. Não era. Chorei muito. Quase como naquele filme da Branca de Neve quando a bruxa apareceu e fez a Branca dormir com tempestades e raios. Na verdade chorei menos que no filme que estava de olho nos pacotes e era só esperar o magrelo ir embora que tudo virava festa de novo. Natal era tempo de calor. De...

Sigam-me!

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quando foi que esqueci de dizer que nada mais importava? Talvez quando teu chamado silenciou. Nem nas redes sociais tu me seguia. Tudo bem que não poderia ser chamada de digital influencer, mas tinha alguns números bons nas redes. Nada super expressivo, mas um público fiel me curtia. Lia minhas postagens, compartilhava minhas bobagens. Menos tu. Tu que mais me importava. Tu que era como o sol que me brilhava por dentro. Tu que me fazia ver sentido nas coisas sem. quando te vi pela vez primeira devia ter desconfiado. Aquele sorriso maroto. O ar de menino sério. A voz bonita. Tudo foi entrando sorrateiro, feito borbulha de espumante que quebra na areia. Feito espuma do mar que arrebenta com a rolha. Feito ar que molda os sentidos. Feito pedacinho de gente que foi, morreu e se espalhou e quando encontra outras partes faltantes e completantes, se enche de uma certeza das coisas sempre vividas.  Uma confiança que não se explica. Uma ausência que se parte. Uma complemen...

Portais de emoção

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Vi um tempo atrás uma série canadense chamada Mundo de Érica. O enredo era fascinante. Uma moça no limite de suas emoções, quase desistindo da vida, é salva por um psiquiatra. Mas não um terapeuta normal, mas um que abria as portas do passado para que Érica pudesse não apenas reviver, mas mudar pontos chaves de sua vida. Uma mistura de ficção e a teoria dos universos paralelos.  Devo dizer que sou absolutamente fascinada pelo passado. Seja em leituras de história como em literatura que brinque com a possibilidade de voltar ao passado. Quem nunca, não é mesmo?  Depois que perdi meu pai comecei a sentir muito forte um sentimento de viver vários momentos ao mesmo tempo. Calma, não enlouqueci. Apenas sinto alguns locais como se fossem portais de emoção. Principalmente aqueles que vivi momentos muito intensos.  Um desses locais mágicos é o meu sítio. Sinto fisicamente as emoções que vivi ali. E lembro com tal realismo que é como se passados e presente se mesclassem e tudo esti...

Ausência de um tempo feliz

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Se há algo que ainda nos une como ser humanos é a certeza da finitude.  E dentro dessa perspectiva da morte, o que talvez mais nos abata seja a falta das pessoas que amamos. Não importa se em palácios de governo ou nas favelas mais pobres, perder alguém que nos importa, é facada no peito. É dor doída, é grito imenso. Há mortes e mortes. Há mortes que vem ao fim de uma longa vida. E aí todos vem em grupo dizendo: viveu bastante, né. E a gente concorda tentando se consolar. Como se vida fosse contada em anos ou tivesse uma métrica para mensurar a falta. Há mortes que vem mais cedo, mas são consequência de escolhas. Morreu fazendo o que gostava. Viveu 10 anos a mil. Também são desculpas que fazemos a nós mesmos. Talvez funcionem na nossa mente mais pragmática. A que tenta raciocinar. Embora o cérebro límbico, a humana paixão não se deixe enganar por elas. Há mortes sem sentido. Mortes de quem nem teve chance de escolher. Mortes por estar no local errado, na hora errada. Por ter nascid...