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Mostrando postagens com o rótulo filosofia pessoal

Coisas da Coisa

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Sou uma pessoa lógica. Dito isso já explico que nem tanto. Mas no conjunto sim.  Meu pensamento tende a encaixar padrões em semelhanças e diferenças, estabeleço relações de nexo, obviamente baseadas no meu viés de vida, e teço conclusões.  Procuro não ser exageradamente sectária e para tanto tenho me afastado das certezas absolutas. Elas já me guiaram rumos em tempos de mais mocidade. Agora posso me dar ao luxo de ser mais cética e mais perplexa com a vida e as pessoas. Mas sempre tem as coisas da coisa. Ficou curioso? Siga o fio do grande pensador Raulzito a seguir:    Logica e razão são coisas da terra. Eu divido as coisas da terra, coisas do universo e coisas da coisa. E as coisas da coisa, minha filha, essas é que são o negócio, entende? Quem é que pode explicá-las? Raul Seixas Nesses tempos pandêmicos de pós verdades e sem verdades, onde versões valem mais que fatos, e a coerência tomou chá de sumiço, tento ainda estabelecer padrões mais ou menos lógicos p...

Derrubando convicções pessoais

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Muito tempo afirmei com total convicção que na minha família todos tínhamos nascido em datas especiais.  Minha irmã no Carnaval, o que justificaria sua imensa alegria. E também no dia do aniversário de meu pai.  Meu irmão, no dia das mães, o que seria uma explicação interna para a preferência que minha mãe sempre demonstrou por ele. E eu, numa sexta feira santa. Não sei no que isso me afetaria, talvez justificasse uma certa vocação para mártir... Não contente com isso, eu ainda afirmava em alto e bom som que não apenas tinha nascido em uma sexta feira santa, como meu primeiro aniversário tinha caído em um domingo de Pascoa. Tenho fotos com o bolo, um imenso coelhinho, para comprovar.  Recentemente fui pesquisar datas para um c onto que se passava no futuro e tive a  curiosidade de também checar as nossas datas especiais de família. Para minha surpresa, o carnaval não caiu na data de aniversário de meu pai no ano que  minha irmã nasceu e nem eu nas...

O xadrez e as obsessões

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Você nota que tem obsessões quando aquilo começa a fazer parte compulsiva de seus sonhos. Recordo de um conto que li, muitos anos atrás. Falava de um homem que fora preso e colocado em uma solitária. Tempos infindáveis sem nada que não fosse comida colocada por uma mão sem rosto. Pior tortura não havia, segundo ele. Um dia conseguira roubar, ou achar que o fosse, um livro. Um livro! Passou algum tempo sem abri-lo, só antegozando o prazer de o ler. Mas quando, finalmente, se encheu de coragem, e conseguiu olhar, trêmulo de emoção, qual não foi sua decepção. Era um livro sobre jogadas de mestres de xadrez! Entre a frustração de ter o que imaginava e sentido de sobrevivência de se arranjar com o que tinha, começou a ler. E aprender xadrez pela teoria. Guardou pedaços de pão e com eles formou peças. Repetiu estratégias Ad aeternum até não precisar de recursos externos e o jogo se passar na sua cabeça. Começou a caminhar obsessivamente pela cela, repetindo os movimentos, maquinand...

Sendo equilibrista e pairando entre o caos e o determinismo

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Sendo equilibrista e pairando entre o caos e o determinismo . Nada muito teórico nem embasado em nenhuma teoria importante. Ou mesmo desimportante. Apenas refletindo sobre uma pergunta que me fizeram essa semana sobre se acreditava na imponderabilidade ou na crença de que tudo já está aí de cartas marcadas e não importa o que se faça, vamos chegar a um ponto traçado de antemão. Na verdade, nem em um, nem em outro somente, mas em uma união dos dois.  Não creio que a vida se resuma a nascer, crescer, parir e ralar, e por fim morrer. E no meio tempo se divertir um pouco ou muito, que nada mais existe de sério ou consequente que não seja a perpetuação da espécie. Tudo bem, não pari. O que me faria quase uma pária social, como algumas sociedades tratavam os celibatários. Mas também fiz minha parte, plantei árvores e até escrevi um livro. Mas nem pensar em me contentar com esse resuminho de vida que me parece bem sem sentido. Por mais diversão que possa ter no meio do camin...