Das Páscoas sem isolamento
Coelhinho da Páscoa, que trazes prá mim? Um ovo, dois ovos, três ovos assim... A guria loirinha, de grandes olhos escuros, morava em uma casa grande, com janelas muito altas, onde as paredes cresciam na medida de sua escala. Tudo era bonito. Morava com seus pais e irmãos em uma cidade ainda pequena do interior gaúcho. Novo Hamburgo. Sua casa era palco de muitas festas e encontros. Até banda de música tinha entrado em um Natal ou Carnaval, não lembrava direito que aos quatro ou cinco anos, a noção de tempo é muito diferente. Bem que o primo mais velho, servindo no exército, tinha lhe dito um dia: não queira crescer rápido. Um dia, quando fores mais velha, vais entender que vives agora os melhores momentos de tua vida. E vais lembrar do que te digo. Lembro sim, primo. Mesmo que os calores dos debates de ideias que vivemos mais tarde tenham nos afastado. Naqueles dias não havia afastamento. Nem isolamento. Os muros serviam apenas para delimitar os terrenos, porq...